Contrato Milionário do PL com Esposa de Dirigente Acende Alerta no Tribunal Eleitoral
Uma investigação do Campo Grande News revelou nesta terça-feira, 22 de abril, que Juliana Contar, esposa do presidente estadual do PL-MS, o deputado federal Alexandre Contar, é beneficiária de um contrato de serviços de consultoria e comunicação com o partido avaliado em R$ 1,2 milhão — custeado com recursos do fundo partidário federal.
O contrato, firmado em 2025 e com vigência até dezembro de 2026, teria sido aprovado pela própria direção estadual do partido, presidida pelo marido. A revelação acende alerta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Ministério Público Eleitoral sobre possível uso irregular de recursos públicos em benefício familiar.

O Que Aconteceu
A reportagem do Campo Grande News identificou o contrato nos documentos de prestação de contas do PL-MS enviados ao TSE. O documento lista Juliana Contar como prestadora de serviços de "consultoria político-estratégica e comunicação institucional" para o diretório estadual.
O valor mensal do contrato é de R$ 100 mil, totalizando R$ 1,2 milhão no período de 12 meses. Os pagamentos foram realizados com recursos do Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos (Fundo Partidário), que é composto por verbas públicas federais.
O PL é o partido com maior bancada na Assembleia Legislativa de MS desde a janela partidária de fevereiro de 2026, e o fundo repassado ao diretório estadual alcançou R$ 14,3 milhões em 2025.
Contexto
Alexandre Contar é presidente do diretório estadual do PL-MS desde 2022, quando o partido chegou à presidência com Jair Bolsonaro. Ele é deputado federal por MS e um dos principais articuladores da agenda bolsonarista no estado.
O PL-MS tem relevância crescente no cenário eleitoral de 2026: é o partido com maior número de filiados recentes no estado após a janela partidária, e aspira lançar candidatos competitivos a prefeito em municípios do interior.
A situação de cônjuge de dirigente partidário contratado com recursos do fundo não é nova no Brasil — mas o TSE tem endurecido a fiscalização desde 2023, quando editou resolução que exige declaração de conflito de interesse em contratos acima de R$ 50 mil.
Impacto na Gestão Pública
| Aspecto | Dado |
|---|---|
| Valor do contrato investigado | R$ 1,2 milhão |
| Origem dos recursos | Fundo Partidário federal |
| PL-MS — fundo recebido em 2025 | R$ 14,3 milhões |
| Prazo para resposta ao TSE | 30 dias |
| Penalidade máxima | inelegibilidade de 8 anos |
O Que Dizem as Partes
A assessoria de Alexandre Contar não respondeu aos contatos da reportagem até o fechamento desta edição. O diretório estadual do PL-MS emitiu nota afirmando que "todos os contratos foram firmados dentro da legalidade e seguem as normas do TSE".
O Ministério Público Eleitoral de MS confirmou ao Bastidor Público que recebeu a denúncia e abriu procedimento preliminar para apurar os fatos. A investigação tem prazo de 30 dias para uma primeira avaliação.
O TSE foi questionado sobre o caso e informou que "as prestações de contas do PL-MS estão sendo analisadas de acordo com os procedimentos regulares".
Análise do Bastidor Público
O apurou o Bastidor Público que a situação é mais delicada do que a nota oficial do PL-MS sugere. A resolução do TSE exige que dirigentes partidários declarem conflito de interesse antes da aprovação de qualquer contrato que envolva familiares — documentação que, segundo fontes que acompanham o processo, não teria sido juntada ao processo do contrato.
Nos bastidores, aliados de Contar minimizam o caso, dizendo que o serviço prestado é real e que Juliana tem experiência comprovada na área de comunicação política. Críticos, porém, apontam que a coincidência entre o cargo do marido e o contrato da esposa é, no mínimo, incompatível com o uso de dinheiro público.
O caso acontece em um momento delicado: o PL-MS está se posicionando como força dominante na política estadual e qualquer escândalo envolvendo o fundo partidário pode minar a estratégia eleitoral do partido para 2026.
Próximos Passos
O Ministério Público Eleitoral deve concluir a análise preliminar até maio de 2026. Caso abra investigação formal, poderá solicitar ao TSE a suspensão do contrato e o bloqueio dos valores pagos.
Alexandre Contar ainda não se pronunciou publicamente e deve fazer isso nos próximos dias, segundo aliados.
Fontes: Campo Grande News · TSE (prestação de contas PL-MS) · Ministério Público Eleitoral-MS
