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Disputa pelo Senado em MS aquece: PL mira duas vagas e enfrenta resistência de Nelsinho Trad e Soraya

Mato Grosso do Sul elegirá dois senadores em outubro de 2026. PL projeta conquistar ambas as vagas com Reinaldo Azambuja e outro nome do partido, mas enfrenta candidaturas consolidadas de Nelsinho Trad (PSD) e Soraya Thronicke.

Redação Bastidor Público6 de abril de 202610 min de leituraCampo Grande1125 palavras
Plenário do Senado Federal — Foto: Ilustrativa/Bastidor Público
Plenário do Senado Federal — Foto: Ilustrativa/Bastidor Público

Disputa pelo Senado em MS aquece: PL mira duas vagas e enfrenta resistência de Nelsinho Trad e Soraya

A corrida pelas duas vagas de senador por Mato Grosso do Sul nas eleições de outubro de 2026 já é uma das mais competitivas do país. O Partido Liberal (PL), fortalecido pela janela partidária, projeta conquistar ambas as cadeiras — uma ambição que coloca a legenda em rota de colisão com candidaturas consolidadas como as do senador Nelsinho Trad (PSD) e da senadora Soraya Thronicke.

Em 2026, cada estado brasileiro elegirá dois senadores, o que amplia o espaço de disputa e multiplica as possibilidades de composição de chapas.

O Que Aconteceu

O cenário para o Senado em MS apresenta uma lista extensa de pré-candidatos, com destaque para a disputa interna no PL:

Pré-candidato Partido Situação atual
Reinaldo Azambuja PL Ex-governador, presidente estadual do PL
Capitão Contar PL Deputado estadual
Marcos Pollon PL Deputado federal
Nelsinho Trad PSD Senador em exercício
Soraya Thronicke Podemos Senadora em exercício
Vander Loubet PT Deputado federal
Gianni Nogueira PL Vice-prefeita de Dourados

A disputa interna do PL é o ponto de maior tensão. O partido projeta eleger dois senadores, o que exigiria que Reinaldo Azambuja e outro nome ocupassem ambas as vagas. Para isso, seria necessário derrotar os dois senadores em exercício.

Contexto

O Senado será renovado em dois terços em 2026 — cada estado elege dois dos três senadores. O eleitor votará em dois candidatos distintos.

Reinaldo Azambuja é considerado o nome mais forte do PL. Ex-governador por dois mandatos, ele acumula ampla rede de relações políticas e base eleitoral consolidada no interior do estado.

Nelsinho Trad (PSD) é senador em exercício com atuação focada em temas de defesa e relações exteriores. Seu sobrenome carrega peso eleitoral relevante em Campo Grande — a família Trad tem presença na política municipal há décadas.

Soraya Thronicke ganhou projeção nacional ao ser candidata à Presidência em 2022. No Senado, tem atuado em pautas de interesse feminino e empreendedorismo.

Vander Loubet (PT) é o principal nome do campo da esquerda para o Senado em MS. Deputado federal experiente, ele dependerá do desempenho de Lula no estado para alavancar sua candidatura.

Impacto na Gestão Pública

A composição da bancada de senadores de MS tem impacto direto:

  • Emendas parlamentares: senadores controlam fatias significativas do orçamento federal destinado ao estado
  • Indicações: a bancada senatorial tem peso em nomeações para cargos federais em MS
  • Articulação com governo federal: a relação entre senadores eleitos e o presidente define o grau de acesso de MS a programas federais
  • Representação: dois senadores do mesmo partido concentrariam a representação, enquanto partidos diferentes ampliariam o espectro de interlocução

Análise do Bastidor Público

A ambição do PL de eleger dois senadores em MS é audaciosa, mas não irrealista. Com a maior bancada na Assembleia, o partido tem capilaridade para converter votos proporcionais em apoio para candidaturas majoritárias. Reinaldo Azambuja parte de posição vantajosa por sua trajetória como governador.

O desafio está no segundo nome. Capitão Contar tem base eleitoral forte entre o eleitorado bolsonarista, mas concorre internamente com Marcos Pollon. Se o PL não resolver a disputa interna de forma eficiente, pode acabar dividindo votos e perdendo uma das vagas para Nelsinho Trad ou Soraya.

Para o eleitor de MS, a disputa pelo Senado em 2026 é a eleição mais estratégica do estado. São os senadores que negociam diretamente com o governo federal e que podem destravar ou travar recursos para infraestrutura, saúde e segurança.

Histórico das Eleições ao Senado em MS

A história das eleições senatoriais em Mato Grosso do Sul revela padrões que ajudam a entender a dinâmica atual.

Em 2018, quando a renovação era de dois terços, Nelsinho Trad (PSD) e Soraya Thronicke (então PSL) foram os eleitos. Na ocasião, Soraya surfou a onda bolsonarista e obteve votação expressiva mesmo sendo uma candidata pouco conhecida até o início da campanha — demonstrando o peso do "efeito cascata" das candidaturas nacionais.

Em 2014, com renovação de um terço, Simone Tebet (MDB) conquistou a vaga, consolidando a presença do MDB na política senatorial de MS. Tebet seria, anos depois, candidata à Presidência da República em 2022 e atualmente integra o governo Lula como ministra.

O padrão histórico revela que candidatos com forte articulação no interior e apoio de prefeitos tendem a vencer no Senado em MS. A capilaridade municipal é mais decisiva do que a votação concentrada em Campo Grande. Reinaldo Azambuja conhece essa lógica por experiência própria — suas duas vitórias ao governo foram construídas com base de apoio pulverizada nos 79 municípios.

O Fator Financiamento

A disputa pelo Senado envolve custos elevados de campanha. Com a proibição de doações empresariais diretas desde 2015, os candidatos dependem do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e do Fundo Partidário. O PL, como maior partido da Câmara Federal, controlará uma fatia significativa desses recursos em 2026 — o que lhe permite financiar duas candidaturas competitivas ao Senado.

Partidos menores ou candidatos independentes enfrentam desvantagem estrutural nesse cenário. Vander Loubet (PT), por exemplo, terá recursos do fundo petista, mas o PT tem uma agenda de distribuição que prioriza estados mais competitivos para o partido.

Próximos Passos

  • Pesquisas de intenção de voto específicas para o Senado em MS
  • Definição interna do PL sobre quais nomes serão lançados oficialmente
  • Convenções partidárias no segundo semestre
  • Possíveis composições de chapa entre candidatos ao governo e ao Senado
  • Negociação de apoio de prefeitos eleitos em 2024 às candidaturas senatoriais

Perguntas Frequentes

Quantos senadores MS elegerá em 2026?

Em 2026, cada estado brasileiro elegerá dois senadores, já que a renovação será de dois terços do Senado Federal. O eleitor de Mato Grosso do Sul votará em dois nomes distintos para o Senado, além do governador e dos deputados. As duas cadeiras em disputa são as atualmente ocupadas por Nelsinho Trad e Soraya Thronicke.

Reinaldo Azambuja pode concorrer ao Senado?

Sim. Reinaldo Azambuja encerrou seu segundo mandato como governador em dezembro de 2022 e atualmente é presidente estadual do PL. Não há impedimento legal para sua candidatura ao Senado. Ele é considerado o nome mais forte do partido para a disputa e tem base eleitoral consolidada no interior do estado. A transição do Executivo estadual para o Senado já tem precedente em MS — também é um movimento comum em outros estados brasileiros.

Como funciona a eleição com duas vagas?

Na eleição para o Senado com duas vagas, o eleitor vota em dois candidatos distintos — um para cada vaga. Os dois candidatos mais votados são eleitos, independentemente do partido. É possível eleger dois candidatos do mesmo partido ou de partidos diferentes. O sistema é majoritário simples, sem segundo turno para o Senado.

Qual o peso dos senadores para MS?

Os senadores de MS atuam como elo direto entre o estado e o governo federal. Eles influenciam a liberação de emendas parlamentares — que financiam obras e programas em municípios —, têm voto em matérias cruciais como reforma tributária e projetos de infraestrutura, e participam de indicações para cargos federais. Com duas vagas em disputa, a eleição de 2026 pode redefinir a relação de MS com Brasília por oito anos.


Fontes: Ranking Pesquisa, Campo Grande News, A Crítica, JOTA, TSE

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Publicado em 6 de abril de 2026 às 00:00
Fonte: Ranking Pesquisa, Campo Grande News, A Crítica, JOTA
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Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.

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