Vander Loubet Confirma Pré-Candidatura ao Senado e Abre Crise no PT-MS
O deputado federal Vander Loubet (PT-MS) confirmou nesta sexta-feira, 25 de abril, sua pré-candidatura ao Senado Federal em outubro de 2026, por meio de carta aberta divulgada nas redes sociais. A decisão encerra meses de especulação e abre um debate interno sobre a viabilidade da candidatura.
A carta, intitulada "Carta ao Povo de Mato Grosso do Sul", é categórica: "Não me aposentarei da política. Sigo firme, com a missão de representar os trabalhadores e defender o projeto do presidente Lula no Senado."

O Que Aconteceu
Vander Loubet cita três motivações na carta: garantir voto pró-governo Lula no Senado de MS (atualmente dominado por adversários do presidente), defender servidores e trabalhadores, e responder à demanda de militantes em 38 municípios.
A confirmação cria um tabuleiro complexo no PT-MS. O partido negocia coligações com MDB, PSD e Solidariedade — partidos que têm interesse próprio ou de aliados na vaga do Senado.
Contexto
O senador Nelsinho Trad (PSD), titular da vaga, ainda não se pronunciou sobre sua candidatura. Outros pré-candidatos mapeados pelo Bastidor Público:
- Beto Pereira (PSDB) — deputado federal
- Gerson Claro (PP) — presidente da ALEMS
- Paulo Duarte (PT) — possível disputa interna com Vander
- Soraya Thronicke (PSB)
Impacto na Gestão Pública
| Aspecto | Dado |
|---|---|
| Vaga em disputa | Turno de Nelsinho Trad |
| Mandato do vencedor | 8 anos (2027-2034) |
| Votos de Vander em 2022 | 31.847 |
| Aprovação Lula em MS | ~38% |
| PT sem senador eleito em MS desde | 2002 |
O Que Dizem as Partes
A Executiva do PT-MS divulgou nota cautelosa: "respeita a decisão do companheiro Vander" mas lembrou que "a definição das candidaturas será feita em convenção, considerando o cenário de alianças".
O PT nacional afirmou que "a candidatura será analisada no contexto das estratégias estaduais para 2026".
O deputado estadual Paulo Corrêa (PSDB) respondeu com ironia: "O PT pode lançar quem quiser. MS não elege senador petista há 24 anos."
Análise do Bastidor Público
O apurou o Bastidor Público que há tensão interna: uma ala ligada à CUT e movimentos sociais preferiria que Vander disputasse a reeleição à Câmara Federal — onde tem mais chances — e o PT apoiasse candidato de aliança para o Senado.
A decisão definitiva sairá na convenção partidária de julho. Até lá, Vander vai construir pré-campanha para pressionar o diretório nacional.
Histórico do PT em Eleições Majoritárias em MS
O PT tem histórico de dificuldade em eleições majoritárias em Mato Grosso do Sul. O último senador eleito pelo partido foi Delcídio do Amaral em 2002, que posteriormente foi cassado em 2016 por envolvimento na Lava-Jato. Desde então, o estigma da cassação tem sido usado sistematicamente por adversários para desqualificar candidaturas petistas ao Senado no estado.
Nas eleições de 2018, o candidato do PT ao Senado obteve apenas 14% dos votos válidos, ficando em quarto lugar. Em 2022, o partido não lançou candidato próprio ao Senado por MS, optando por apoiar Soraya Thronicke — que acabou migrando de partido. Essa decisão gerou ressentimento na base, que agora apoia Vander como forma de "resgatar protagonismo".
Para o governador, a candidatura do PT ao Senado tem efeito ambíguo: por um lado, pode dividir votos da oposição ao governo Riedel; por outro, a polarização Lula x Bolsonaro no Senado pode mobilizar eleitores de direita e favorecer candidatos governistas.
Perfil do Eleitorado Sul-Mato-Grossense
Mato Grosso do Sul tem um eleitorado predominantemente conservador em termos de costumes e liberal em economia. O estado votou em Bolsonaro nas duas últimas eleições presidenciais (2018 e 2022), com margens superiores a 15 pontos percentuais. A aprovação de Lula no estado gira em torno de 32-38%, abaixo da média nacional.
No entanto, o eleitorado de MS tem uma particularidade: em disputas regionais, tende a votar por critérios pragmáticos — capacidade de "entregar obras" e trazer recursos federais — mais do que por alinhamento ideológico. Isso explica por que o PSD e o PP, partidos que transitam entre governo e oposição, dominam a política local.
Para Vander, o desafio é converter a aprovação regional do PT — concentrada em centros urbanos como Campo Grande e Dourados — em voto majoritário, o que exige penetração no interior e no eleitorado rural, onde o partido historicamente tem menos presença.
Cenário de Alianças
A composição de alianças para o Senado está diretamente ligada à disputa pelo governo estadual. O PT negocia com MDB e PSB uma frente de oposição a Riedel, mas esses partidos também têm pretensões próprias ou de aliados para a vaga do Senado.
Se Vander mantiver a candidatura, o PT terá dificuldade de ceder espaço na chapa majoritária para aliados — o que pode isolar o partido e reduzir seu palanque. Por outro lado, a candidatura ao Senado garante ao PT tempo de TV e visibilidade que seriam importantes para reforçar a imagem de Lula no estado.
Fontes: Correio do Estado · Carta de Vander Loubet · PT-MS (nota oficial)
