Veterano de seis mandatos na Câmara dos Deputados, Vander Loubet quer encerrar a carreira legislativa com uma cadeira no Senado Federal. O deputado federal pelo PT de Mato Grosso do Sul apresentou na sexta-feira (11 de abril de 2026), durante reunião da federação PT-PV-PCdoB em Campo Grande, os contornos de sua pré-candidatura: chapa regionalizada, perfis complementares na composição e uma mulher na suplência.
Loubet trouxe para a mesa um trunfo que poucos pré-candidatos ao Senado podem exibir: a articulação de um empréstimo de US$ 200 milhões do Banco Mundial para rodovias de MS, recurso que beneficia diretamente o programa Rodar MS e seus 1,8 mil quilômetros de estradas previstas.
O Que Aconteceu
Na reunião ampliada do Diretório Estadual do PT, realizada na sede da Fetems com a presença do presidente nacional Edinho Silva, Vander Loubet detalhou a estratégia para sua candidatura ao Senado. O deputado afirmou que as chapas do partido em MS estão "praticamente definidas" e que o momento agora é de "consolidação".
Três pontos centrais da estratégia foram apresentados aos cerca de 100 participantes do encontro. O primeiro: regionalizar a chapa, distribuindo candidaturas a deputado federal e estadual pelas maiores cidades do interior, criando uma rede de apoio que sustente a candidatura ao Senado fora da capital. O segundo: buscar perfis complementares na composição, evitando que todos os candidatos tenham o mesmo perfil — sindicalista, servidor público ou militante histórico. O terceiro: incluir uma mulher na suplência, decisão que Loubet apresentou como compromisso pessoal e alinhamento com a direção nacional do partido.
A secretária nacional de Políticas para as Mulheres, Cida Gonçalves, presente na reunião, endossou a proposta. A deputada federal Camila Jara também participou das discussões, embora não tenha se pronunciado publicamente sobre a composição da chapa.
Contexto e Histórico
Vander Loubet é um dos parlamentares mais experientes de Mato Grosso do Sul. Eleito pela primeira vez deputado federal em 1998, acumula décadas de atuação no Congresso Nacional, com foco em orçamento, infraestrutura e articulação política. Sua base eleitoral está concentrada em Campo Grande e na região sul do estado, mas o deputado mantém interlocução com lideranças municipais de diversas regiões.
A candidatura ao Senado representa, para Loubet, o coroamento de uma trajetória legislativa longa. Aos 66 anos, o deputado sabe que esta é, provavelmente, sua última disputa eleitoral de grande porte. A motivação pessoal se soma à estratégia partidária: o PT precisa de um nome competitivo ao Senado para puxar votos e dar consistência ao palanque de Fábio Trad ao governo.
O empréstimo do Banco Mundial é o principal ativo que Loubet carrega para a campanha. A articulação do financiamento de US$ 200 milhões — cerca de R$ 1,1 bilhão na cotação atual — envolveu negociações entre o governo federal, o Banco Mundial e o governo de Mato Grosso do Sul. Loubet atuou como intermediário, usando sua rede de contatos em Brasília para destravar o processo.
| Etapa da articulação | Ação | Resultado |
|---|---|---|
| Negociação inicial | Loubet articula com governo federal | Inclusão de MS na carteira do Banco Mundial |
| Confirmação | Ligação da Casa Civil | Financiamento aprovado |
| Adesão do governo estadual | Riedel declara prioridade | "Poderia suspender qualquer agenda para assinar" |
| Destinação | Programa Rodar MS | 1,8 mil km de estradas |
O programa Rodar MS, que será o principal beneficiário dos recursos, prevê a recuperação e pavimentação de rodovias estaduais em todo o território de Mato Grosso do Sul. O estado tem uma malha rodoviária extensa — são mais de 40 mil quilômetros de estradas, dos quais uma parcela considerável está em condições precárias, especialmente no Pantanal e na região de fronteira.
A reação do governador Eduardo Riedel ao empréstimo foi reveladora. Segundo Loubet, Riedel disse que "poderia suspender qualquer agenda" para assinar o contrato de financiamento. A declaração mostra que, apesar de estarem em campos opostos na disputa eleitoral, governo e oposição convergem quando o assunto é infraestrutura — e que Loubet soube capitalizar essa convergência.
O PT, historicamente, tem dificuldade em eleger senadores em estados do Centro-Oeste. A última vez que o partido conquistou uma cadeira no Senado por MS foi com Delcídio do Amaral, em 2002 — há 24 anos. Desde então, as vagas foram ocupadas por nomes de centro e centro-direita.
Impacto Para a População
O empréstimo de US$ 200 milhões do Banco Mundial, se efetivado, terá impacto direto na vida de quem depende das rodovias estaduais — e em MS, isso significa praticamente toda a população.
| Aspecto | Situação atual | Com o investimento |
|---|---|---|
| Rodovias estaduais | Trechos sem pavimentação, buracos, pontes precárias | 1,8 mil km de intervenções pelo Rodar MS |
| Escoamento da produção | Custos elevados de frete por estradas ruins | Redução de custos logísticos para o agronegócio |
| Acidentes de trânsito | Rodovias precárias aumentam risco | Pavimentação e sinalização reduzem acidentes |
| Acesso a serviços | Interior isolado em período de chuvas | Estradas transitáveis o ano inteiro |
| Endividamento público | Empréstimo gera obrigação de pagamento | Dívida em dólar sujeita a variação cambial |
Para o produtor rural do interior, estradas melhores significam frete mais barato e menos perdas no transporte da safra. Para o morador de municípios pequenos, significam acesso a hospitais e escolas em cidades vizinhas sem o risco de ficar ilhado na estação chuvosa. Para o contribuinte, porém, o empréstimo gera uma obrigação de pagamento em moeda estrangeira — e a variação cambial pode encarecer a dívida ao longo dos anos.
A estratégia de regionalização da chapa também afeta o eleitor. Se o PT conseguir lançar candidatos competitivos nas maiores cidades do interior, o debate político se descentraliza. Municípios como Dourados, Três Lagoas, Corumbá e Ponta Porã, que hoje têm representação concentrada em partidos da base governista, passariam a contar com candidatos de oposição disputando votos e apresentando propostas alternativas.
A inclusão de uma mulher na suplência do Senado, embora simbólica do ponto de vista do exercício do mandato — suplentes raramente assumem —, sinaliza uma preocupação com representatividade que pode influenciar o voto feminino. Mulheres representam mais da metade do eleitorado de MS.
O Que Dizem os Envolvidos
Vander Loubet resumiu o estágio das articulações com pragmatismo:
"As chapas estão praticamente definidas. Agora é fase de consolidação. Queremos regionalizar, ter candidaturas fortes nas maiores cidades e incluir uma mulher na suplência."
Sobre o empréstimo do Banco Mundial, o deputado fez questão de detalhar sua participação na articulação:
"Articulei esse financiamento junto ao governo federal. A confirmação veio por ligação da Casa Civil. São US$ 200 milhões para as rodovias de MS. O governador Riedel disse que poderia suspender qualquer agenda para assinar."
A menção a Riedel não é casual. Loubet sabe que, num estado governista, mostrar capacidade de diálogo com o Executivo estadual — mesmo sendo oposição — é um ativo eleitoral. O eleitor de MS valoriza quem "traz recursos para o estado", independentemente da sigla.
Edinho Silva, presidente nacional do PT, contextualizou a candidatura de Loubet dentro da estratégia nacional:
"Queremos palanques consistentes. O Vander tem experiência, articulação e entrega. É o nome certo para o Senado em MS."
Próximos Passos
- A convenção estadual do PT, entre julho e agosto de 2026, oficializará a candidatura de Vander Loubet ao Senado.
- A definição da suplente mulher será negociada nas próximas reuniões do diretório estadual, com consulta à direção nacional.
- O contrato de empréstimo de US$ 200 milhões com o Banco Mundial deve ser assinado pelo governo de MS nos próximos meses, com liberação de recursos prevista para o segundo semestre de 2026.
- As chapas proporcionais da federação PT-PV-PCdoB serão fechadas até junho, com candidatos distribuídos pelas maiores cidades do interior.
- Loubet deve intensificar agenda no interior de MS a partir de maio, visitando municípios onde o PT precisa ampliar sua presença.
Fechamento
Vander Loubet chega à disputa pelo Senado com um currículo legislativo extenso e um trunfo concreto: US$ 200 milhões em financiamento internacional para estradas. Num estado onde a qualidade das rodovias é queixa permanente de produtores rurais e moradores do interior, esse é um argumento que fala mais alto do que qualquer discurso ideológico. Se conseguirá converter articulação em votos, dependerá da capacidade do PT de montar uma chapa que vá além de Campo Grande e dispute cada município do interior com a mesma intensidade que disputa a capital.
Fontes e Referências
- Campo Grande News (campograndenews.com.br) — "Vander Loubet mira Senado com chapa regionalizada", 11 de abril de 2026
- Banco Mundial (worldbank.org) — Carteira de projetos no Brasil
- Governo de Mato Grosso do Sul (ms.gov.br) — Programa Rodar MS
