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Riedel recebe Flávio Bolsonaro na Expogrande 2026 em Campo Grande

Governador entrega diagnóstico do agro a senador pré-candidato à Presidência. ALMS aprovou título de visitante ilustre por 12 a 3.

Redação Bastidor Público9 de abril de 20268 min de leituraCampo Grande1500 palavras
Riedel recebe Flávio Bolsonaro na Expogrande 2026 em Campo Grande

O Que Aconteceu

O governador Eduardo Riedel (PP) recebeu na manhã desta quinta-feira (9) o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a abertura da 86ª Expogrande, no Parque de Exposições Laucídio Coelho, em Campo Grande. A visita marca a primeira passagem do pré-candidato à Presidência da República por Mato Grosso do Sul desde que ele tornou pública a intenção de disputar o Palácio do Planalto em outubro de 2026.

Riedel entregou ao senador um diagnóstico do agronegócio sul-mato-grossense, documento elaborado em conjunto com o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), que disputa vaga ao Senado. O material detalha demandas de infraestrutura logística, segurança de fronteira e incentivos ao setor produtivo — pauta que interessa tanto ao governo estadual quanto à bancada ruralista no Congresso.

"Não estamos em campanha. Só depois de julho que tem convenções", afirmou Riedel ao ser questionado sobre o caráter político da agenda. A frase, calculada, tenta separar o gesto institucional do xadrez eleitoral que se monta nos bastidores. Quem acompanha a política de MS sabe que a linha entre uma coisa e outra é tênue — e que abril, a sete meses do primeiro turno, já é tempo de posicionamento.

Dois dias antes, na terça-feira (7), a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALMS) havia aprovado por 12 votos a 3 o título de visitante ilustre ao senador. A votação expôs a divisão entre a base governista, que controla a Casa, e a oposição petista, que tentou barrar a homenagem sem sucesso.

Contexto e Histórico

A Expogrande não é apenas uma feira agropecuária. Nos últimos 20 anos, o evento se consolidou como vitrine política de MS — governadores, senadores e ministros usam a abertura para marcar presença e costurar alianças. A edição de 2026 não foge à regra.

Flávio Bolsonaro aparece nas pesquisas de intenção de voto como um dos nomes competitivos para a corrida presidencial. A Datafolha de março apontou o senador com 17% das intenções no cenário estimulado, atrás do presidente Lula (PT), que marcou 28%. O PL aposta que a capilaridade do partido nos estados — é a maior bancada da Câmara Federal e da ALMS — pode compensar a diferença nas urnas.

Em Mato Grosso do Sul, o PL absorveu cinco deputados estaduais durante a janela partidária e se tornou a maior bancada da Assembleia. Reinaldo Azambuja, filiado ao PL, é o principal articulador do partido no estado e disputa o Senado com apoio da família Bolsonaro. A visita de Flávio reforça essa aliança e sinaliza que MS será território disputado na eleição presidencial.

O título de visitante ilustre, embora protocolar, gerou embate no plenário. O deputado Pedro Kemp (PT) subiu à tribuna para questionar a homenagem. "Eu pergunto aqui, quem apresentou esse requerimento, o que colocou no currículo dele? Quais são os feitos desse homem?", disparou. Na defesa, a deputada Mara Caseiro (PL) respondeu que Bolsonaro "tem boas ideias, bons projetos e vai ser o futuro do nosso Brasil".

Os votos contrários vieram de Kemp, Zeca do PT e Gleice Jane — os três do PT. Uma moção de repúdio às declarações de Flávio sobre a entrega de terras raras aos Estados Unidos foi rejeitada por 10 a 3. O placar mostra o tamanho da base governista na ALMS e a dificuldade da oposição em pautar debates fora do script da maioria.

Riedel, do PP, caminha para a reeleição e mantém aliança com o PL sem subordinação. O governador precisa do apoio da bancada bolsonarista na Assembleia para aprovar projetos, mas não quer ser visto como coadjuvante na campanha presidencial. A frase "não estamos em campanha" serve a esse propósito: marca presença sem comprometer palanque.

Impacto Para a População

A 86ª Expogrande será realizada de 9 a 19 de abril, com expectativa de superar os R$ 650 milhões movimentados na edição anterior e ultrapassar o público de 114 mil pessoas. A feira aposta em inovação, com pavilhão tecnológico e uma fazendinha que traz plantações de laranja e amendoim — culturas que simbolizam a diversificação agrícola do estado.

Para o campo-grandense, o impacto mais imediato é econômico. A ocupação hoteleira atingiu 86% nesta quinta-feira, segundo levantamento da Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável). Na véspera, o índice era de 63%. O show do Guns N' Roses, também nesta quinta, contribuiu para o pico.

Indicador Valor 2026 Comparativo 2025
Período da feira 9 a 19 de abril 10 a 20 de abril
Expectativa de negócios R$ 650 milhões+ R$ 650 milhões
Público esperado 114 mil+ 114 mil
Ocupação hoteleira (abertura) 86% 72%
Dias de evento 11 11

Restaurantes, bares, postos de combustível e o comércio do entorno do Parque Laucídio Coelho registram aumento de movimento desde o início da semana. Taxistas e motoristas de aplicativo relatam corridas mais longas e frequentes, com destino ao parque e aos hotéis da região central.

O setor de eventos estima que cada real movimentado na Expogrande gera R$ 2,30 em efeito multiplicador na economia local — o que projetaria um impacto indireto de quase R$ 1,5 bilhão para Campo Grande e região metropolitana ao longo dos 11 dias de feira.

A presença de Flávio Bolsonaro, por si só, não altera o bolso do cidadão. Mas a agenda política que acompanha a visita — diagnóstico do agro, demandas de infraestrutura, segurança de fronteira — pode influenciar a destinação de emendas parlamentares e recursos federais para MS nos próximos meses. Quem acompanha o orçamento federal sabe que visitas como essa costumam render frutos em Brasília.

O Que Dizem os Envolvidos

Riedel foi direto ao explicar a estratégia por trás da recepção:

"Acho muito importante a vinda dele aqui, porque dá a ele um pouquinho de conhecimento sobre o Estado, os atores políticos do Estado. Qualquer candidato ou pré-candidato a presidente, quanto mais conhecer Mato Grosso do Sul, melhor."

O governador também justificou a entrega do diagnóstico do agronegócio:

"É uma grande oportunidade para a gente passar para o senador Flávio um pouco da nossa identidade, das nossas demandas, do que a gente pensa."

Pedro Kemp (PT) não poupou críticas. Na tribuna da ALMS, o deputado questionou o mérito da homenagem e classificou a concessão do título como "contrassenso" diante do histórico de declarações polêmicas do senador. Kemp lembrou as falas de Flávio sobre a entrega de terras raras aos Estados Unidos e disse que a Assembleia deveria ser mais criteriosa ao conceder honrarias.

Mara Caseiro (PL) rebateu: "Ele tem boas ideias, bons projetos e vai ser o futuro do nosso Brasil." A deputada argumentou que a visita de um pré-candidato à Presidência valoriza o estado e abre portas para investimentos federais.

O presidente da ALMS, Gerson Claro (PP), tentou apaziguar o debate: "A única coisa que a gente não pode perder é esse espírito democrático, de respeitar o direito do outro pensar diferente." A fala resume a posição da base governista: acolher Bolsonaro sem comprar briga com a oposição.

Reinaldo Azambuja, que articulou a visita nos bastidores, não se pronunciou publicamente. Interlocutores ouvidos pela reportagem afirmam que o ex-governador trabalha para garantir o apoio de Flávio à sua candidatura ao Senado — e que o diagnóstico do agro entregue ao senador foi peça-chave dessa negociação.

Próximos Passos

A Expogrande segue até 19 de abril, com programação que inclui leilões de gado nelore e angus, exposição de máquinas agrícolas, rodadas de negócios e shows noturnos. A organização espera bater o recorde de público e de volume financeiro.

No campo político, as convenções partidárias estão marcadas para julho. Até lá, visitas como a de Flávio Bolsonaro se repetem em outros estados — o senador tem agenda prevista em Goiás, Minas Gerais e Paraná nas próximas semanas. O PL precisa consolidar palanques regionais para viabilizar a candidatura presidencial.

Em MS, o próximo capítulo é a definição das chapas proporcionais. O PL, com a maior bancada da ALMS, quer ampliar a presença na Câmara Federal. O PP de Riedel busca manter a hegemonia no Executivo. E o PSDB, recém-reestruturado sob o comando de Pedro Caravina, tenta não desaparecer do mapa.

A oposição petista, com três deputados na ALMS, tem pouco espaço para barrar a agenda da base governista. A rejeição da moção de repúdio por 10 a 3 mostra que o plenário está fechado com o governo — pelo menos até que as convenções redistribuam as cartas.

Fechamento

A passagem de Flávio Bolsonaro por Campo Grande tem leitura eleitoral inevitável, por mais que Riedel insista no discurso institucional. O PL é o maior partido da ALMS, Azambuja disputa o Senado e precisa do sobrenome Bolsonaro no interior, e o governador quer colher os frutos da visita sem se comprometer com palanque antes de julho.

Para o eleitor de MS, a visita sinaliza que o estado será disputado na corrida presidencial — e que as demandas locais podem ganhar espaço na agenda nacional. Se isso vai se traduzir em recursos concretos ou ficar no campo das promessas, só o tempo e o orçamento federal vão dizer.


Fontes e Referências

  • Campo Grande News (campograndenews.com.br)
  • Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (al.ms.gov.br)
  • Semades — Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável
Flávio BolsonaroEduardo RiedelExpogrande 2026eleições 2026agronegócio MS
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Publicado em 9 de abril de 2026 às 00:00
Fonte: Campo Grande News (campograndenews.com.br), ALMS (al.ms.gov.br)
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Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.

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