Na manhã de sexta-feira (10), o diretório do PL no bairro Chácara Cachoeira, em Campo Grande, reuniu o que a direita e o centro de Mato Grosso do Sul têm de mais expressivo em termos de mandatos e articulação. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, sentou-se ao lado do governador Eduardo Riedel (PP), da senadora Tereza Cristina (PP-MS) e do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), pré-candidato ao Senado.
O recado era um só: unidade. E foi repetido por cada um dos presentes, com variações de tom, mas sem divergência de conteúdo.
O Que Aconteceu
Azambuja convocou todos os pré-candidatos da coligação — deputados federais, estaduais e lideranças municipais — para o encontro. A ideia, segundo ele, era que Flávio Bolsonaro conhecesse de perto os nomes que vão "empunhar a bandeira" do grupo nas urnas.
O ato teve formato de reunião ampliada, sem palanque formal, mas com microfone aberto para as principais lideranças. Riedel falou por cerca de dez minutos. Tereza Cristina foi breve e direta. Azambuja fez o papel de anfitrião e articulador. Flávio encerrou com discurso de 15 minutos, alternando críticas ao governo Lula e acenos ao eleitorado do interior.
Os secretários estaduais Flávio Cesar Oliveira (Fazenda) e Rodrigo Perez (Governo e Gestão Estratégica) marcaram presença — sinal de que o governo do estado não apenas apoia, mas participa ativamente da construção da chapa.
Contexto e Histórico
A coalizão que se apresentou no diretório do PL não surgiu na sexta-feira. Ela vem sendo montada desde a janela partidária de março, quando o PL absorveu cinco deputados estaduais e se tornou a maior bancada da Assembleia Legislativa de MS. Com o PP de Riedel e o União Brasil, o bloco controla mais de dois terços das cadeiras no Legislativo.
O alinhamento entre PL e PP em MS é anterior a 2026. Riedel foi eleito governador em 2022 com apoio de Jair Bolsonaro e manteve a aliança ao longo do mandato. Tereza Cristina, que foi ministra da Agricultura no governo Bolsonaro, é a ponte entre os dois partidos e entre o agronegócio e a política institucional.
| Partido | Liderança principal | Posição em 2026 |
|---|---|---|
| PL | Reinaldo Azambuja | Pré-candidato ao Senado |
| PP | Eduardo Riedel | Busca reeleição ao governo |
| PP | Tereza Cristina | Senadora, possível vice de Flávio |
| União Brasil | Rose Modesto | Articulação da federação com PP |
| Republicanos | Aliados locais | Composição de chapa proporcional |
A federação entre PP e União Brasil, chamada "União Progressista", já foi aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e permite que os dois partidos operem como legenda única nas eleições. Isso amplia o quociente eleitoral e fortalece as chapas proporcionais.
Impacto Para a População
A demonstração de força política tem consequências práticas. Um bloco coeso no Legislativo estadual e com representação forte no Congresso facilita a aprovação de projetos e a liberação de recursos federais para MS.
| Área | Recurso articulado | Status |
|---|---|---|
| Rodovias | US$ 200 milhões (Banco Mundial) | Assinatura prevista para 14/04 |
| Saúde em Dourados | R$ 23,8 milhões | Portarias publicadas em 10/04 |
| Emendas para Campo Grande | R$ 24,8 milhões (Nelsinho Trad) | Em execução |
| Programa Rodar MS | R$ 340 milhões em recursos próprios | Em andamento |
O risco, apontado por analistas, é a redução da fiscalização. Com a oposição reduzida a dois ou três deputados na Assembleia, o controle sobre gastos públicos e contratos do governo estadual fica comprometido. O cientista político Daniel Miranda, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), observa que "ser oposição normalmente não é algo que carreia voto para o deputado estadual" — o que perpetua o ciclo de governismo.
Para o eleitor, a polarização entre o bloco de Riedel-Flávio e o PT de Fábio Trad-Vander Loubet define as opções nas urnas. Quem vota no agro, na segurança e na crítica ao governo federal tende a se alinhar ao PL-PP. Quem prioriza políticas sociais, saúde pública e direitos trabalhistas encontra no PT a alternativa.
O Que Dizem os Envolvidos
Riedel foi o mais incisivo nas críticas ao governo federal. Disse que o PL "conseguiu furar a bolha" de uma agenda que dominou o Brasil por 20 anos e que MS é exemplo de atenção a pautas sociais e ambientais — áreas que a esquerda reivindica como suas.
"Olha o que está acontecendo em MS? Ferindo a economia do país como solução para aquilo de negativo que ele próprio criou. Esse trabalho é que este time está preparado para enfrentar."
Tereza Cristina classificou o momento como "renascimento da esperança" e reforçou a adesão ao projeto de Flávio.
Azambuja pediu pragmatismo: "Aqui temos que entender que para ganhar eleição temos que somar e não dividir." E confirmou que a visita de Flávio faz parte de uma agenda nacional que inclui passagem pelo Rio Grande do Sul na sequência.
Flávio disse que pretende construir "uma aliança ampla" e que a definição do vice será feita "com muita calma". Elogiou Tereza Cristina como "a melhor ministra" do governo Bolsonaro, mas não a confirmou na chapa.
Próximos Passos
- Maio de 2026: Flávio Bolsonaro retorna a MS para a Expoagro de Dourados.
- Julho-agosto: Convenções partidárias definem oficialmente os candidatos.
- Até agosto: Definição da segunda vaga do PL ao Senado, por pesquisa.
- 4 de outubro: Primeiro turno das eleições gerais.
Fechamento
O ato no diretório do PL em Campo Grande foi menos sobre propostas e mais sobre demonstração de força. A mensagem que saiu do bairro Chácara Cachoeira é que a direita e o centro em MS estão alinhados, organizados e com estrutura para disputar todas as vagas em outubro. Resta saber se a unidade resistirá à pressão das convenções e à definição das chapas proporcionais — momento em que interesses individuais costumam testar os limites de qualquer aliança.
Fontes e Referências
- Campo Grande News (campograndenews.com.br) — "Riedel, Flávio Bolsonaro e aliados criticam governo e pedem união", 10 de abril de 2026
- Campo Grande News — "Flávio diz que não copiará estilo do pai: todo mundo que tentou, se deu mal", 10 de abril de 2026
- Campo Grande News — "Azambuja defende Flávio como nome do agro e cobra agenda de infraestrutura", 10 de abril de 2026
