O ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) entregou ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) um documento com diagnóstico dos principais entraves do agronegócio em Mato Grosso do Sul e no Brasil. A entrega ocorreu durante a passagem do pré-candidato à Presidência por Campo Grande, na 86ª Expogrande, entre quinta (9) e sexta-feira (10).
O documento foi elaborado a pedido do próprio Flávio, segundo Azambuja. Reúne propostas sobre seguro rural, infraestrutura logística, proteção ao patrimônio no campo e segurança jurídica — temas que o setor produtivo de MS considera prioritários para qualquer candidato ao Planalto.
O Que Aconteceu
Azambuja apresentou o diagnóstico durante a agenda conjunta na Expogrande. O ex-governador, que é presidente do PL em MS e pré-candidato ao Senado, atuou como interlocutor entre o setor produtivo e o presidenciável.
O documento não foi divulgado publicamente, mas Azambuja detalhou os eixos principais em entrevista ao Campo Grande News:
| Eixo | Proposta |
|---|---|
| Seguro rural | Ampliação da cobertura e do subsídio federal para proteger produtores contra perdas climáticas |
| Infraestrutura | Investimentos em ferrovias, hidrovias e conclusão da Rota Bioceânica |
| Segurança no campo | Proteção ao patrimônio rural contra invasões, furtos e danos |
| Segurança jurídica | Definição sobre demarcações de terras indígenas e marco temporal |
| Crédito e juros | Redução da taxa de juros para financiamento agrícola |
Azambuja contextualizou a importância do setor citando a evolução da produção agropecuária brasileira nas últimas décadas, o peso do agronegócio na balança comercial e a geração de empregos na cadeia produtiva, incluindo agroindústrias e serviços.
Contexto e Histórico
Mato Grosso do Sul é o quinto maior produtor de soja do Brasil, o segundo maior exportador de celulose e um dos principais estados na produção de carne bovina. O agronegócio responde por mais de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual e sustenta a economia de dezenas de municípios do interior.
A dependência do transporte rodoviário é o gargalo mais citado pelo setor. Cerca de 60% da produção de grãos de MS é escoada por rodovias, muitas delas em condições precárias. O Programa Rodar MS, com investimento de R$ 340 milhões em recursos próprios e US$ 200 milhões do Banco Mundial, é uma resposta parcial ao problema.
Obras consideradas estratégicas para o próximo ciclo de crescimento incluem:
- Dragagem do Rio Paraguai — viabilizaria o transporte hidroviário de grãos e minérios pelo corredor fluvial Paraguai-Paraná, reduzindo custos de frete.
- Rota Bioceânica — ligação rodoviária entre MS e os portos do Pacífico, via Paraguai e Chile, encurtando o caminho para mercados asiáticos.
- Ferrovias — retomada de projetos ferroviários que conectem o interior de MS ao porto de Santos e à malha ferroviária nacional.
O presidente da Assembleia Legislativa, Gerson Claro (PP), também se manifestou sobre o tema na mesma semana, afirmando que o agro "sustenta o PIB de MS e avança com indústria e tecnologia". Segundo ele, o estado vive uma transformação produtiva que vai além da commodity, com investimentos em agroindústria, bioenergia e tecnologia aplicada ao campo.
Impacto Para a População
Para o produtor rural de MS, as propostas do diagnóstico tocam em questões que afetam diretamente a rentabilidade e a segurança da atividade. O seguro rural, por exemplo, é a diferença entre sobreviver a uma seca e perder a safra inteira. A infraestrutura logística define o custo do frete — e, portanto, o preço final do produto.
| Proposta | Impacto para o produtor |
|---|---|
| Seguro rural ampliado | Proteção contra perdas por seca, geada e granizo |
| Ferrovias e hidrovias | Redução de até 30% no custo de frete |
| Rota Bioceânica | Acesso a mercados asiáticos com menor custo logístico |
| Segurança jurídica | Previsibilidade sobre uso da terra e investimentos |
| Juros menores | Crédito mais barato para custeio e investimento |
Para o trabalhador urbano, o agronegócio é o motor que gera empregos indiretos em transporte, comércio, serviços e agroindústria. Quando o agro vai bem, a economia de cidades como Dourados, Maracaju, Chapadão do Sul e Naviraí acompanha. Quando vai mal, o impacto se espalha.
O Que Dizem os Envolvidos
Azambuja foi direto ao justificar a entrega do documento: "Fiz questão de reunir as dificuldades, as prioridades, os gargalos que esse setor tem enfrentado, que está muito difícil para o produtor rural tocar realmente essa atividade."
Sobre Flávio Bolsonaro, disse que o senador "tem demonstrado capacidade de diálogo e disposição para ouvir demandas do setor". E acrescentou que a visita à Expogrande permitiu ao presidenciável "conhecer de perto a realidade local".
Flávio, por sua vez, classificou o agronegócio como "prioridade" e criticou o governo Lula: "Parece que enxerga o agro como se fosse um inimigo." Prometeu "empenho máximo" para destravar pautas do setor, sem detalhar propostas específicas.
Próximos Passos
- Maio: Flávio Bolsonaro retorna a MS para a Expoagro de Dourados.
- Junho-julho: Elaboração do plano de governo do PL, com incorporação das propostas do diagnóstico.
- Agosto: Convenções partidárias e oficialização das candidaturas.
- Outubro: Eleições gerais — agro como pauta central da campanha em MS.
Fechamento
O diagnóstico entregue por Azambuja a Flávio Bolsonaro é, ao mesmo tempo, um documento técnico e uma peça política. Resume demandas reais do setor produtivo e posiciona o PL como o partido do agronegócio em MS. Para o produtor rural, o que importa é se as propostas sairão do papel. Promessas ao agro são abundantes em ano eleitoral. Entregas concretas — como o empréstimo de US$ 200 milhões para rodovias — são o que diferencia discurso de resultado.
Fontes e Referências
- Campo Grande News (campograndenews.com.br) — "Azambuja defende Flávio como nome do agro e cobra agenda de infraestrutura", 10 de abril de 2026
- Campo Grande News — "Agro sustenta PIB de MS e avança com indústria e tecnologia, diz Gerson Claro", 10 de abril de 2026
