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Pesquisa mapeia 24 dinastias políticas que moldam a Assembleia de MS desde 1982

Estudo da UFSCar identifica redes familiares como Trad, Pedrossian e Tebet que se perpetuam no poder regional pelo voto há quase meio século.

Redação Bastidor Público11 de abril de 20269 min de leituraCampo Grande911 palavras
Pesquisa mapeia 24 dinastias políticas que moldam a Assembleia de MS desde 1982

Uma pesquisa de doutorado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) mapeou ao menos 24 redes familiares com presença recorrente na política de Mato Grosso do Sul entre 1982 e 2022. O estudo do cientista político Filipe Wisley Matos Rosa, formado pela UFMS, revela que a redemocratização não dissolveu as oligarquias — reorganizou-as pelo voto.

O capital político familiar — nome, reputação e redes de apoio — segue sendo transferido entre gerações, perpetuando dinastias como Trad, Pedrossian e Tebet no poder regional por quase meio século.

O Que Aconteceu

A pesquisa analisou a trajetória dos políticos eleitos em Mato Grosso do Sul entre 1982 e 2022, cruzando dados eleitorais, genealogias políticas e redes de parentesco. O resultado é um mapa do familismo político sul-mato-grossense que desafia a narrativa de renovação democrática.

Entre as redes identificadas, ao menos 13 já podem ser citadas publicamente enquanto o pesquisador consolida os dados:

Rede familiar Presença política
Pedrossian Governadores, deputados, cargos no Executivo
Tebet Senado, governo, Assembleia
Trad Prefeitura de CG, Senado, Câmara Federal, Assembleia
Machado Assembleia (Londres Machado: 13 mandatos)
Teixeira Assembleia (Zé Teixeira: 8 mandatos consecutivos)
Barbosa Martins Cargos no Executivo e Legislativo
Amorim Presença recorrente em eleições
Picarelli Cargos legislativos e executivos
Monteiro Serrano Presença em múltiplas legislaturas
Orro Assembleia e cargos municipais
Lopes Prefeitura de CG, Assembleia
Câmara Assembleia (Nelito → Renato Câmara)
Maksoud Presença em cargos eletivos

"O capital político familiar segue sendo relevante independentemente do processo de redemocratização", afirmou o pesquisador em entrevista ao Campo Grande News.

Contexto e Histórico

Mato Grosso do Sul foi criado em 1977, por desmembramento de Mato Grosso, e realizou sua primeira eleição para governador em 1982. Desde então, a Assembleia Legislativa acumulou quase cinco décadas de funcionamento — e, segundo a pesquisa, de reprodução de elites políticas.

O coronelismo clássico, baseado no controle da terra e no uso da violência para garantir votos, deu lugar a um modelo mais sofisticado. As famílias políticas de MS operam por meio de redes que conectam mandatos eletivos, cargos de confiança, acesso a recursos públicos e alianças partidárias. O sobrenome funciona como marca — reconhecível pelo eleitor e associada a uma tradição de serviço público (ou de poder, dependendo da perspectiva).

Casos emblemáticos ilustram a permanência:

  • Londres Machado acumula 13 mandatos desde os anos 1970 e atravessa diferentes ciclos políticos mantendo influência central no Legislativo.
  • Zé Teixeira soma oito mandatos consecutivos desde 1994, com base consolidada no interior.
  • Renato Câmara é herdeiro político de Nelito Câmara, reproduzindo o padrão de transmissão familiar do mandato.
  • Lídio Lopes, marido da prefeita Adriane Lopes, articula poder legislativo e executivo municipal em uma rede que conecta Assembleia e Prefeitura de Campo Grande.

Paulo Corrêa, embora não herdeiro direto de uma dinastia clássica, integra o grupo de maior longevidade da Casa e opera dentro da lógica de alianças que sustenta o sistema.

Impacto Para a População

O familismo político tem consequências diretas para o eleitor. Quando o poder se concentra em redes familiares, a renovação política é dificultada, a fiscalização do governo enfraquece e o acesso a cargos públicos tende a seguir critérios de lealdade pessoal em vez de mérito.

Consequência Detalhe
Baixa renovação Mesmas famílias ocupam cargos por décadas
Governismo crônico Deputados dependem do governo para atender bases
Fiscalização fraca Oposição reduzida a minorias na Assembleia
Emendas como moeda R$ 96 milhões anuais em emendas parlamentares reforçam o modelo
Acesso desigual Candidatos sem rede familiar enfrentam barreiras estruturais

As emendas parlamentares da Assembleia Legislativa, que somam R$ 96 milhões por ano, são o combustível do sistema. Deputados usam os recursos para atender demandas de prefeitos e comunidades locais, convertendo repasses em capital eleitoral. Quem tem rede familiar consolidada parte com vantagem nessa disputa.

Para o eleitor que deseja renovação, o cenário é desafiador. Candidatos sem sobrenome político precisam construir visibilidade do zero, sem acesso às redes de apoio e aos recursos que as dinastias acumularam ao longo de décadas.

O Que Dizem os Envolvidos

O pesquisador Filipe Wisley Matos Rosa é cauteloso ao interpretar os dados. Segundo ele, o familismo não é exclusividade de MS — é um padrão nacional. Mas a concentração de redes em um estado jovem, com apenas 79 municípios e uma elite política relativamente pequena, torna o fenômeno mais visível.

"Mais do que sobrenomes tradicionais, trata-se de estruturas que conectam eleições, partidos, cargos e acesso ao Estado, funcionando como eixo de continuidade do poder", explicou.

O cientista político Daniel Miranda, da UFMS, complementa a análise: "As Assembleias Legislativas no Brasil são muito mais fracas perante os governadores do que o Congresso em relação ao presidente." Em MS, esse padrão é amplificado pela dependência dos deputados em relação ao Executivo para atender demandas locais.

Próximos Passos

  • 2026: Publicação completa da pesquisa de doutorado pela UFSCar.
  • Outubro: Eleições gerais — oportunidade de testar se o padrão se mantém ou se há sinais de renovação.
  • Monitoramento: Acompanhar a composição das chapas proporcionais e a presença de sobrenomes tradicionais.

Fechamento

A pesquisa da UFSCar coloca números e método científico em algo que o eleitor de MS percebe intuitivamente: os mesmos sobrenomes se repetem, mandato após mandato, em diferentes cargos e partidos. A democracia não eliminou as oligarquias — deu a elas um mecanismo legítimo de reprodução. Para quem acredita em renovação política, o dado é incômodo. Para quem estuda poder, é previsível. O familismo em MS não é um defeito do sistema. É o sistema.


Fontes e Referências

  • Campo Grande News (campograndenews.com.br) — "Redes familiares reorganizam poder desde 1982 e moldam a Assembleia Legislativa", 10 de abril de 2026
  • Pesquisa de doutorado de Filipe Wisley Matos Rosa, UFSCar
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Publicado em 11 de abril de 2026 às 00:00
Fonte: Campo Grande News (campograndenews.com.br)
RB
Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.

@bastidorpublicoE-mail

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