Pular para o conteúdo principal
Política, gestão pública e bastidores de MS
InstagramX/TwitterContato
BP
Bastidor PúblicoMS
PolíticaBastidoresPoder PúblicoTransparênciaAnáliseReportagem EspecialCampo Grande
BP
Bastidor Público
MS

Cobertura política investigativa e institucional de Mato Grosso do Sul. Bastidores do poder, gestão pública, transparência e análise política com resp...

FIXYT

Editorias

  • 🏛️ Política
  • 🔍 Bastidores
  • ⚖️ Poder Público
  • 📊 Transparência
  • 📐 Análise
  • 📰 Reportagem Especial
  • 🏙️ Campo Grande
  • 🌾 Interior MS
  • 🗳️ Eleições
  • 💬 Opinião

Institucional

  • Sobre o Bastidor Público
  • Contato
  • Anuncie
  • Todas as Tags
  • Termos de Uso
  • Política de Privacidade

Newsletter

Receba as principais notícias políticas de MS direto no seu e-mail.

© 2026 Bastidor Público MS. Todos os direitos reservados.

Campo Grande, MS · Brasil

  1. Início
  2. Política
  3. ALEMS aprova projeto que detalha créditos de energia solar na conta
🏛️ Política

ALEMS aprova projeto que detalha créditos de energia solar na conta

Proposta de Paulo Duarte e Gerson Claro passou na CCJ. Consumidores com placas solares terão saldo e créditos discriminados na fatura da Energisa.

Redação Bastidor Público16 de abril de 20269 min de leituraCampo Grande1604 palavras
ALEMS aprova projeto que detalha créditos de energia solar na conta

O Que Aconteceu

A Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) aprovou na terça-feira (15 de abril) um projeto de lei que obriga concessionárias de energia a detalhar nas faturas mensais os créditos de energia solar dos consumidores que possuem sistemas de geração distribuída.

O projeto é de autoria dos deputados Paulo Duarte (PSDB) e Gerson Claro (PP). A proposta determina que a fatura de energia elétrica passe a discriminar: a quantidade de energia gerada pelo sistema fotovoltaico do consumidor, a energia consumida da rede, o saldo entre geração e consumo, e os créditos acumulados para compensação futura.

A aprovação na CCJ é a primeira etapa da tramitação. O projeto segue agora para votação em plenário. Se aprovado pelos deputados e sancionado pelo governador Eduardo Riedel, a lei valerá para todas as concessionárias que operam em MS — na prática, a Energisa, que detém a concessão de distribuição de energia no estado.

Contexto e Histórico

Mato Grosso do Sul tem uma das maiores taxas de irradiação solar do Brasil, o que torna o estado terreno fértil para a energia fotovoltaica. Nos últimos cinco anos, o número de instalações de placas solares em residências, comércios e propriedades rurais cresceu de forma acelerada. Segundo dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), MS está entre os dez estados com maior potência instalada em geração distribuída.

O crescimento da energia solar trouxe consigo um problema que o projeto de Paulo Duarte e Gerson Claro tenta resolver: a falta de transparência nas faturas de energia. Consumidores que investiram em sistemas fotovoltaicos — com custo médio entre R$ 15 mil e R$ 40 mil para residências — reclamam que não conseguem verificar na conta de luz se os créditos de energia estão sendo aplicados corretamente.

O sistema de compensação funciona assim: quando as placas solares geram mais energia do que o imóvel consome, o excedente é injetado na rede elétrica da concessionária. Esse excedente vira crédito, que pode ser usado para abater o consumo em meses de menor geração — como no inverno ou em períodos chuvosos prolongados. Os créditos têm validade de 60 meses.

Na prática, porém, a fatura emitida pela Energisa não detalha essas informações de forma acessível. O consumidor recebe um documento com códigos e valores que não permitem identificar quanto foi gerado, quanto foi consumido da rede e qual o saldo de créditos disponível. A reclamação é antiga e recorrente nos canais de atendimento da concessionária e nos Procons do estado.

Paulo Duarte, ao justificar o projeto, foi direto sobre a motivação:

"Muita gente tem placas solares e não havia nada claro do consumo. O cidadão investe R$ 20 mil, R$ 30 mil num sistema e não consegue saber se está recebendo o que é dele de direito."

O deputado também criticou a atuação das agências reguladoras federais, que, segundo ele, falharam em exigir transparência das concessionárias na discriminação dos créditos de energia solar. A Aneel estabelece regras gerais para a geração distribuída, mas não detalha o formato das faturas a ponto de garantir que o consumidor compreenda os dados apresentados.

A conta de luz em MS já é motivo de insatisfação generalizada. A tarifa de energia subiu 12% no estado em período recente, pressionada por reajustes autorizados pela Aneel e pelo custo das bandeiras tarifárias. Para quem investiu em energia solar justamente para reduzir a conta, a falta de transparência na fatura agrava a frustração.

Impacto Para a População

O projeto de lei afeta diretamente os consumidores que possuem sistemas de geração distribuída em Mato Grosso do Sul — estimados em mais de 50 mil unidades consumidoras, entre residências, comércios e propriedades rurais.

Para esse público, a mudança é prática: a fatura passará a funcionar como um extrato bancário da energia. O consumidor saberá exatamente quanto gerou, quanto consumiu, qual o saldo e quantos créditos tem acumulados. Essa informação permite identificar eventuais erros de medição ou de cálculo por parte da concessionária — e contestá-los com base em dados concretos.

Situação Antes do projeto Depois do projeto (se aprovado)
Energia gerada pelas placas Não aparece na fatura Discriminada em kWh
Energia consumida da rede Valor total, sem detalhamento Separada da geração própria
Saldo mensal (geração - consumo) Não informado Exibido na fatura
Créditos acumulados Não visíveis na conta Saldo atualizado mês a mês
Taxa mínima (custo de disponibilidade) Cobrada sem explicação clara Identificada separadamente
Possibilidade de contestação Difícil, sem dados Facilitada com informações detalhadas

Para consumidores que não têm energia solar, o projeto não altera a fatura. A mudança é restrita às unidades consumidoras cadastradas como geradoras distribuídas junto à Energisa.

O impacto indireto, porém, alcança um público maior. A transparência nas faturas de quem tem placas solares pode estimular novos consumidores a investir em geração própria, ao reduzir a desconfiança sobre o sistema de compensação. Hoje, parte da resistência à energia solar vem justamente da percepção de que "a concessionária não dá os créditos direito" — percepção alimentada pela opacidade das faturas.

Para a Energisa, a adequação exigirá investimento em sistemas de faturamento. A concessionária terá de adaptar seus softwares para gerar faturas com as informações exigidas pela lei. O custo dessa adaptação, segundo especialistas do setor elétrico, é relativamente baixo frente ao faturamento da empresa — mas a resistência das concessionárias a mudanças impostas por legislações estaduais é conhecida. A Energisa pode questionar a constitucionalidade da lei, alegando que a regulação do setor elétrico é competência federal.

O argumento jurídico tem precedentes em ambos os sentidos. Há estados que aprovaram leis semelhantes e tiveram a validade confirmada pelo Judiciário, sob o argumento de que a transparência na relação de consumo é matéria de defesa do consumidor — competência concorrente entre União e estados. Há também casos em que leis estaduais sobre energia foram derrubadas por invadir competência regulatória federal.

O Que Dizem os Envolvidos

Paulo Duarte defendeu o projeto como uma questão de direito do consumidor, não de regulação energética:

"Não estamos mexendo na tarifa, não estamos regulando o setor elétrico. Estamos exigindo que a concessionária informe ao consumidor o que ele tem direito de saber. É transparência básica."

Gerson Claro, coautor do projeto e presidente da ALEMS, reforçou que a proposta atende a uma demanda recorrente dos eleitores:

"Recebo essa reclamação em todo canto do estado. O produtor rural que colocou placa solar no barracão, o comerciante que investiu na loja, o morador que financiou o sistema — todo mundo reclama que não entende a conta."

A Energisa não se manifestou publicamente sobre o projeto até o fechamento desta publicação. A concessionária costuma acompanhar a tramitação de projetos de lei que afetam suas operações por meio de sua assessoria jurídica e de relações institucionais, mas raramente se posiciona antes da aprovação definitiva.

A Aneel também não comentou o projeto. A agência reguladora tem posição institucional de que a regulação do setor elétrico é competência federal, mas reconhece que estados podem legislar sobre defesa do consumidor em aspectos que não conflitem com as normas federais.

Entidades de defesa do consumidor em MS, como o Procon Estadual, manifestaram apoio à proposta. O órgão informou que recebe reclamações frequentes de consumidores com energia solar que não conseguem compreender suas faturas e que a discriminação dos créditos na conta facilitaria a mediação de conflitos entre consumidores e concessionária.

Próximos Passos

O projeto segue para votação em plenário da ALEMS. A expectativa dos autores é de que a matéria seja pautada ainda no primeiro semestre de 2026. Como o projeto tem autoria bipartidária — PSDB e PP, partidos da base governista — a tendência é de aprovação sem grandes resistências.

Se aprovado em plenário, o projeto será encaminhado ao governador Eduardo Riedel para sanção ou veto. Riedel, do PP — mesmo partido de Gerson Claro —, dificilmente vetaria uma proposta coautorada pelo presidente da Assembleia. A sanção é considerada provável nos bastidores.

Após a sanção, a lei será publicada no Diário Oficial do Estado e a Energisa terá prazo para adaptar seus sistemas de faturamento. O projeto prevê prazo de 180 dias para adequação, período em que a concessionária deverá reprogramar seus softwares e treinar equipes de atendimento para lidar com as novas informações nas faturas.

A possibilidade de judicialização existe. A Energisa ou a Aneel podem questionar a constitucionalidade da lei no Tribunal de Justiça de MS ou no Supremo Tribunal Federal, alegando invasão de competência regulatória federal. Esse tipo de disputa costuma levar anos para ser resolvido, e a lei pode vigorar enquanto não houver decisão judicial suspendendo seus efeitos.

Para os consumidores, o conselho prático é acompanhar a tramitação e, caso a lei entre em vigor, verificar se a fatura passa a conter as informações exigidas. Qualquer descumprimento pode ser denunciado ao Procon, à ALEMS e ao próprio TCE-MS.

Fechamento

O projeto de Paulo Duarte e Gerson Claro resolve um problema que parece simples, mas que afeta dezenas de milhares de consumidores em MS: saber o que está na própria conta de luz. A energia solar cresce no estado, os investimentos dos consumidores são altos e a contrapartida mínima é a transparência sobre os créditos gerados.

A resistência das concessionárias a esse tipo de mudança é previsível e será testada na prática. Se a Energisa se adaptar sem judicializar, o consumidor ganha. Se a empresa recorrer ao Judiciário, o benefício pode demorar anos para chegar à fatura. O mérito do projeto, porém, é incontestável: quem gera energia tem o direito de saber quanto gerou, quanto consumiu e quanto tem de crédito. Parece óbvio — e é justamente por ser óbvio que levou tanto tempo para virar lei.


Fontes e Referências

  • Campo Grande News (campograndenews.com.br)
  • Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul — ALEMS (al.ms.gov.br)
  • Agência Nacional de Energia Elétrica — Aneel (aneel.gov.br)
ALEMSenergia solarconta de luzPaulo DuarteGerson ClaroEnergisatransparência
Compartilhar:WFXT
Publicado em 16 de abril de 2026 às 00:00
Fonte: Campo Grande News (campograndenews.com.br)
RB
Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.

@bastidorpublicoE-mail

Relacionadas

🏛️

Gerson Claro defende industrialização do agro como motor do PIB de MS na Expogrande

há 6 dias
🏛️

Emendas parlamentares na ALEMS somam R$ 96 milhões e alimentam pirâmide de poder local

há 6 dias
🏛️

Governista e pragmática: como a Assembleia de MS funciona alinhada ao Executivo

há 7 dias
🏛️

Pesquisa mapeia 24 dinastias políticas que moldam a Assembleia de MS desde 1982

há 7 dias

Receba as notícias

Os bastidores da política de MS direto no seu e-mail.

Transparência Pública

Acesse dados oficiais de MS

Portal da Transparência MS

Receitas, despesas, contratos e folha de pagamento do governo estadual.

Diário Oficial de MS

Publicações oficiais, nomeações, licitações e atos normativos.

TCE-MS — Tribunal de Contas

Auditorias, pareceres e julgamentos de contas públicas.

Assembleia Legislativa MS

Projetos de lei, votações, comissões e atividade parlamentar.

Links para portais oficiais do Governo de MS