O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, deputado Gerson Claro, usou a tribuna da Expogrande 2026 para defender a tese de que o agronegócio não apenas sustenta o PIB estadual, mas atravessa uma transformação que o aproxima cada vez mais da indústria. A declaração, registrada pelo Campo Grande News em 10 de abril de 2026, foi feita durante evento que reuniu parlamentares estaduais, federais e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Para Gerson Claro, a produção primária de MS deixou de ser sinônimo de commodity bruta exportada sem processamento. Etanol de milho, celulose e citricultura são, segundo o deputado, exemplos de cadeias produtivas que combinam campo e fábrica, gerando empregos qualificados e atraindo investimentos de grande porte para o interior do estado.
O Que Aconteceu
Durante a Expogrande 2026, em Campo Grande, Gerson Claro discursou sobre o papel do agronegócio na economia de Mato Grosso do Sul. O deputado, que preside a ALEMS e tem base eleitoral ligada ao setor rural, apresentou um diagnóstico otimista: o agro sul-mato-grossense estaria em processo de sofisticação, superando a fase de exportação de grãos e carne in natura para se integrar a cadeias industriais de maior valor agregado.
O evento contou com a presença dos deputados estaduais Lídio Lopes, Paulo Corrêa, coronel Davi, Roberto Hashioka e Márcio Fernandes. No palanque, o senador Flávio Bolsonaro (PL) reforçou a articulação entre a bancada federal e os interesses do agronegócio de MS.
Gerson Claro destacou três vetores de transformação:
O etanol de milho como produto que converte excedente de grãos em combustível, criando uma cadeia industrial que inclui usinas, logística e empregos diretos. MS se consolidou como um dos maiores produtores de etanol de milho do país, com usinas instaladas em municípios do interior que antes dependiam exclusivamente da pecuária.
A celulose, com fábricas de grande porte operando em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo, transformou a geografia econômica do estado. A indústria de papel e celulose atraiu investimentos bilionários e criou milhares de postos de trabalho, diretos e indiretos.
A citricultura, ainda em fase de expansão, representa uma nova fronteira produtiva. O cultivo de laranja e limão em MS começa a ganhar escala, diversificando a matriz agrícola do estado para além da soja, do milho e da pecuária.
Contexto e Histórico
Mato Grosso do Sul construiu sua identidade econômica sobre o agronegócio. Desde a criação do estado, em 1977, a pecuária extensiva e a agricultura de grãos foram os pilares da economia local. Nas décadas de 1980 e 1990, a soja se expandiu pelo Cerrado sul-mato-grossense, e o estado se tornou um dos maiores produtores do país.
A virada para a industrialização do agro começou nos anos 2000, com a instalação das primeiras fábricas de celulose em Três Lagoas. O município, que era conhecido como polo energético por causa das usinas hidrelétricas do rio Paraná, ganhou o apelido de "capital mundial da celulose" após receber investimentos da Suzano e da Eldorado.
O etanol de milho surgiu como alternativa econômica na segunda metade da década de 2010. Usinas flex — capazes de processar tanto cana-de-açúcar quanto milho — se multiplicaram pelo estado, aproveitando a segunda safra de milho (safrinha) que antes tinha destino limitado. MS se posicionou como líder nacional nesse segmento.
A citricultura é o capítulo mais recente dessa diversificação. Produtores que buscavam alternativas à soja e ao milho começaram a investir em pomares de laranja, atraídos por condições climáticas favoráveis e pela proximidade com o mercado consumidor do Sudeste.
Gerson Claro, ao destacar esses três vetores na Expogrande, articula um discurso que interessa tanto ao setor produtivo quanto ao governo estadual: o agro de MS não é apenas commodity — é indústria, tecnologia e emprego.
Impacto Para a População
A industrialização do agronegócio produz efeitos que vão além dos números do PIB. Para o cidadão sul-mato-grossense, a transformação do setor significa mais empregos, maior arrecadação tributária e diversificação da economia local.
| Cadeia produtiva | Região beneficiada | Tipo de impacto |
|---|---|---|
| Etanol de milho | Interior (Maracaju, Chapadão do Sul, Sonora) | Empregos industriais, renda para produtores rurais |
| Celulose | Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo | Investimentos bilionários, empregos diretos e indiretos |
| Citricultura | Região sul e sudeste do estado | Diversificação agrícola, nova fonte de renda |
| Soja e milho (base) | Todo o estado | Sustentação do PIB, exportações |
| Pecuária | Pantanal, Cerrado | Emprego rural, cadeia de frigoríficos |
A geração de empregos industriais no interior reduz a pressão migratória sobre Campo Grande. Municípios que recebem usinas de etanol ou fábricas de celulose experimentam crescimento populacional, aumento da demanda por serviços e aquecimento do comércio local. Esse efeito multiplicador beneficia desde o trabalhador da linha de produção até o comerciante que vende alimentos e roupas.
A arrecadação tributária gerada pela industrialização do agro amplia a capacidade de investimento do governo estadual em saúde, educação e infraestrutura. Quando o estado processa a matéria-prima internamente, em vez de exportá-la bruta, o ICMS incide sobre um produto de maior valor, o que eleva a receita pública.
Por outro lado, a expansão do agro industrializado traz desafios ambientais. O avanço da celulose sobre áreas de Cerrado, o uso intensivo de água pelas usinas de etanol e os impactos da monocultura sobre a biodiversidade são questões que o discurso de Gerson Claro não abordou na Expogrande, mas que afetam diretamente a qualidade de vida da população.
O Que Dizem os Envolvidos
Gerson Claro foi direto em sua avaliação sobre o papel do agro na economia estadual:
"O agronegócio sustenta o PIB de Mato Grosso do Sul e contribui com o PIB nacional. A produção primária hoje dialoga com processos industriais."
O presidente da ALEMS enfatizou que a modernização do setor com tecnologia e inovação não é tendência futura — já está em curso. Segundo ele, a diversificação das cadeias produtivas é o caminho para que MS reduza sua vulnerabilidade a oscilações de preço de commodities no mercado internacional.
A presença de Flávio Bolsonaro no evento reforça a dimensão federal da pauta. O senador, pré-candidato à Presidência da República pelo PL, tem no agronegócio uma de suas principais bases de apoio. Sua participação na Expogrande sinaliza que a agenda do setor terá peso na campanha presidencial de 2026.
Os deputados presentes — Lídio Lopes, Paulo Corrêa, coronel Davi, Roberto Hashioka e Márcio Fernandes — compõem a bancada ruralista da ALEMS, grupo que historicamente atua como bloco coeso na defesa de incentivos fiscais, infraestrutura logística e flexibilização de normas ambientais para o setor agropecuário.
Próximos Passos
A Expogrande 2026 segue com programação até o encerramento da feira, com painéis sobre tecnologia agrícola, leilões de gado e rodadas de negócios. O evento é considerado o principal vitrine do agronegócio de MS e costuma gerar negócios na casa dos bilhões de reais.
No Legislativo estadual, projetos relacionados ao agro devem tramitar com prioridade no segundo semestre. A ALEMS tem em pauta propostas de incentivo fiscal para usinas de etanol, regulamentação da citricultura e ampliação do Fundersul — fundo estadual que financia infraestrutura de transporte para escoamento da produção.
A 60ª Expoagro de Dourados, marcada para 8 a 17 de maio, será o próximo grande evento do setor no estado. Flávio Bolsonaro confirmou presença, o que deve ampliar a visibilidade política da pauta agro em MS.
O governo Riedel prepara um plano de desenvolvimento para o agronegócio elaborado em parceria com a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de MS) e a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), com foco em infraestrutura, crédito e sustentabilidade.
Fechamento
O discurso de Gerson Claro na Expogrande traduz uma realidade econômica que os números confirmam: o agronegócio é, de fato, o motor da economia de Mato Grosso do Sul. A novidade está na sofisticação do setor, que deixou de ser apenas fazenda para se tornar também fábrica.
O desafio que o presidente da ALEMS não mencionou — mas que o estado terá de enfrentar — é conciliar essa expansão industrial com a preservação ambiental do Cerrado e do Pantanal. Crescimento econômico sem governança ambiental é receita para crises futuras que podem custar mais caro do que os ganhos de curto prazo.
Fontes e Referências
- Campo Grande News — Reportagem sobre declarações de Gerson Claro na Expogrande (campograndenews.com.br), 10 de abril de 2026
- Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul — Informações institucionais (al.ms.gov.br)
- Famasul — Federação da Agricultura e Pecuária de MS
