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Gerson Claro defende industrialização do agro como motor do PIB de MS na Expogrande

Presidente da ALEMS destaca etanol de milho, celulose e citricultura como exemplos de diversificação. Evento reuniu deputados e senador Flávio Bolsonaro.

Redação Bastidor Público12 de abril de 20268 min de leituraCampo Grande1359 palavras
Gerson Claro defende industrialização do agro como motor do PIB de MS na Expogrande

O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, deputado Gerson Claro, usou a tribuna da Expogrande 2026 para defender a tese de que o agronegócio não apenas sustenta o PIB estadual, mas atravessa uma transformação que o aproxima cada vez mais da indústria. A declaração, registrada pelo Campo Grande News em 10 de abril de 2026, foi feita durante evento que reuniu parlamentares estaduais, federais e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Para Gerson Claro, a produção primária de MS deixou de ser sinônimo de commodity bruta exportada sem processamento. Etanol de milho, celulose e citricultura são, segundo o deputado, exemplos de cadeias produtivas que combinam campo e fábrica, gerando empregos qualificados e atraindo investimentos de grande porte para o interior do estado.

O Que Aconteceu

Durante a Expogrande 2026, em Campo Grande, Gerson Claro discursou sobre o papel do agronegócio na economia de Mato Grosso do Sul. O deputado, que preside a ALEMS e tem base eleitoral ligada ao setor rural, apresentou um diagnóstico otimista: o agro sul-mato-grossense estaria em processo de sofisticação, superando a fase de exportação de grãos e carne in natura para se integrar a cadeias industriais de maior valor agregado.

O evento contou com a presença dos deputados estaduais Lídio Lopes, Paulo Corrêa, coronel Davi, Roberto Hashioka e Márcio Fernandes. No palanque, o senador Flávio Bolsonaro (PL) reforçou a articulação entre a bancada federal e os interesses do agronegócio de MS.

Gerson Claro destacou três vetores de transformação:

O etanol de milho como produto que converte excedente de grãos em combustível, criando uma cadeia industrial que inclui usinas, logística e empregos diretos. MS se consolidou como um dos maiores produtores de etanol de milho do país, com usinas instaladas em municípios do interior que antes dependiam exclusivamente da pecuária.

A celulose, com fábricas de grande porte operando em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo, transformou a geografia econômica do estado. A indústria de papel e celulose atraiu investimentos bilionários e criou milhares de postos de trabalho, diretos e indiretos.

A citricultura, ainda em fase de expansão, representa uma nova fronteira produtiva. O cultivo de laranja e limão em MS começa a ganhar escala, diversificando a matriz agrícola do estado para além da soja, do milho e da pecuária.

Contexto e Histórico

Mato Grosso do Sul construiu sua identidade econômica sobre o agronegócio. Desde a criação do estado, em 1977, a pecuária extensiva e a agricultura de grãos foram os pilares da economia local. Nas décadas de 1980 e 1990, a soja se expandiu pelo Cerrado sul-mato-grossense, e o estado se tornou um dos maiores produtores do país.

A virada para a industrialização do agro começou nos anos 2000, com a instalação das primeiras fábricas de celulose em Três Lagoas. O município, que era conhecido como polo energético por causa das usinas hidrelétricas do rio Paraná, ganhou o apelido de "capital mundial da celulose" após receber investimentos da Suzano e da Eldorado.

O etanol de milho surgiu como alternativa econômica na segunda metade da década de 2010. Usinas flex — capazes de processar tanto cana-de-açúcar quanto milho — se multiplicaram pelo estado, aproveitando a segunda safra de milho (safrinha) que antes tinha destino limitado. MS se posicionou como líder nacional nesse segmento.

A citricultura é o capítulo mais recente dessa diversificação. Produtores que buscavam alternativas à soja e ao milho começaram a investir em pomares de laranja, atraídos por condições climáticas favoráveis e pela proximidade com o mercado consumidor do Sudeste.

Gerson Claro, ao destacar esses três vetores na Expogrande, articula um discurso que interessa tanto ao setor produtivo quanto ao governo estadual: o agro de MS não é apenas commodity — é indústria, tecnologia e emprego.

Impacto Para a População

A industrialização do agronegócio produz efeitos que vão além dos números do PIB. Para o cidadão sul-mato-grossense, a transformação do setor significa mais empregos, maior arrecadação tributária e diversificação da economia local.

Cadeia produtiva Região beneficiada Tipo de impacto
Etanol de milho Interior (Maracaju, Chapadão do Sul, Sonora) Empregos industriais, renda para produtores rurais
Celulose Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo Investimentos bilionários, empregos diretos e indiretos
Citricultura Região sul e sudeste do estado Diversificação agrícola, nova fonte de renda
Soja e milho (base) Todo o estado Sustentação do PIB, exportações
Pecuária Pantanal, Cerrado Emprego rural, cadeia de frigoríficos

A geração de empregos industriais no interior reduz a pressão migratória sobre Campo Grande. Municípios que recebem usinas de etanol ou fábricas de celulose experimentam crescimento populacional, aumento da demanda por serviços e aquecimento do comércio local. Esse efeito multiplicador beneficia desde o trabalhador da linha de produção até o comerciante que vende alimentos e roupas.

A arrecadação tributária gerada pela industrialização do agro amplia a capacidade de investimento do governo estadual em saúde, educação e infraestrutura. Quando o estado processa a matéria-prima internamente, em vez de exportá-la bruta, o ICMS incide sobre um produto de maior valor, o que eleva a receita pública.

Por outro lado, a expansão do agro industrializado traz desafios ambientais. O avanço da celulose sobre áreas de Cerrado, o uso intensivo de água pelas usinas de etanol e os impactos da monocultura sobre a biodiversidade são questões que o discurso de Gerson Claro não abordou na Expogrande, mas que afetam diretamente a qualidade de vida da população.

O Que Dizem os Envolvidos

Gerson Claro foi direto em sua avaliação sobre o papel do agro na economia estadual:

"O agronegócio sustenta o PIB de Mato Grosso do Sul e contribui com o PIB nacional. A produção primária hoje dialoga com processos industriais."

O presidente da ALEMS enfatizou que a modernização do setor com tecnologia e inovação não é tendência futura — já está em curso. Segundo ele, a diversificação das cadeias produtivas é o caminho para que MS reduza sua vulnerabilidade a oscilações de preço de commodities no mercado internacional.

A presença de Flávio Bolsonaro no evento reforça a dimensão federal da pauta. O senador, pré-candidato à Presidência da República pelo PL, tem no agronegócio uma de suas principais bases de apoio. Sua participação na Expogrande sinaliza que a agenda do setor terá peso na campanha presidencial de 2026.

Os deputados presentes — Lídio Lopes, Paulo Corrêa, coronel Davi, Roberto Hashioka e Márcio Fernandes — compõem a bancada ruralista da ALEMS, grupo que historicamente atua como bloco coeso na defesa de incentivos fiscais, infraestrutura logística e flexibilização de normas ambientais para o setor agropecuário.

Próximos Passos

A Expogrande 2026 segue com programação até o encerramento da feira, com painéis sobre tecnologia agrícola, leilões de gado e rodadas de negócios. O evento é considerado o principal vitrine do agronegócio de MS e costuma gerar negócios na casa dos bilhões de reais.

No Legislativo estadual, projetos relacionados ao agro devem tramitar com prioridade no segundo semestre. A ALEMS tem em pauta propostas de incentivo fiscal para usinas de etanol, regulamentação da citricultura e ampliação do Fundersul — fundo estadual que financia infraestrutura de transporte para escoamento da produção.

A 60ª Expoagro de Dourados, marcada para 8 a 17 de maio, será o próximo grande evento do setor no estado. Flávio Bolsonaro confirmou presença, o que deve ampliar a visibilidade política da pauta agro em MS.

O governo Riedel prepara um plano de desenvolvimento para o agronegócio elaborado em parceria com a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de MS) e a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), com foco em infraestrutura, crédito e sustentabilidade.

Fechamento

O discurso de Gerson Claro na Expogrande traduz uma realidade econômica que os números confirmam: o agronegócio é, de fato, o motor da economia de Mato Grosso do Sul. A novidade está na sofisticação do setor, que deixou de ser apenas fazenda para se tornar também fábrica.

O desafio que o presidente da ALEMS não mencionou — mas que o estado terá de enfrentar — é conciliar essa expansão industrial com a preservação ambiental do Cerrado e do Pantanal. Crescimento econômico sem governança ambiental é receita para crises futuras que podem custar mais caro do que os ganhos de curto prazo.


Fontes e Referências

  • Campo Grande News — Reportagem sobre declarações de Gerson Claro na Expogrande (campograndenews.com.br), 10 de abril de 2026
  • Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul — Informações institucionais (al.ms.gov.br)
  • Famasul — Federação da Agricultura e Pecuária de MS
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Publicado em 12 de abril de 2026 às 00:00
Fonte: Campo Grande News (campograndenews.com.br)
RB
Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.

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