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MSGás busca empréstimo de R$ 50 milhões para expansão de gasodutos em MS

Companhia de gás do estado abriu chamamento público para captar recursos. Propostas devem ser enviadas até 17 de abril.

Redação Bastidor Público9 de abril de 20268 min de leituraCampo Grande1284 palavras
MSGás busca empréstimo de R$ 50 milhões para expansão de gasodutos em MS

O Que Aconteceu

A MSGás (Companhia de Gás do Estado de Mato Grosso do Sul) publicou nesta quarta-feira (9) no Diário Oficial do Estado um chamamento público para captar empréstimo de R$ 50 milhões junto a instituições financeiras. O edital estabelece prazo de até 12 meses para a operação, com pagamento do valor principal ao final do contrato e juros mensais.

As propostas devem ser enviadas até 17 de abril de 2026, às 17h, exclusivamente por e-mail. A operação poderá ser formalizada por meio de Cédula de Crédito Bancário (CCB) ou instrumento equivalente. Uma Comissão Especial designada pela MSGás vai analisar as ofertas com base nas melhores condições comerciais, técnicas e jurídicas.

O edital não detalha o destino específico dos recursos, mas a companhia tem pelo menos quatro projetos de expansão em andamento — e todos demandam capital. A captação de R$ 50 milhões, somada ao contrato de R$ 91,3 milhões assinado oito dias antes para o gasoduto de Inocência, indica que a MSGás vai movimentar mais de R$ 140 milhões em infraestrutura de gás em 2026.

É o maior volume de investimentos da companhia em um único ano desde a sua criação, em 1999.

Contexto e Histórico

A MSGás opera com uma malha de gasodutos concentrada no eixo Campo Grande–Três Lagoas–Corumbá. A rede atende indústrias, comércios e termelétricas, mas deixa de fora boa parte do interior — municípios que dependem de GLP (gás de botijão) ou lenha como fonte de energia térmica.

A expansão para Inocência é o projeto mais ambicioso. No dia 1º de abril, a companhia formalizou contrato de R$ 91,3 milhões com uma empresa catarinense para a construção de um ramal de aproximadamente 125 km. O gasoduto vai atender indústrias cerâmicas e frigoríficos da região, que hoje operam com custos energéticos elevados.

O município de Inocência fica no leste do estado, próximo à divisa com Goiás. A região concentra um polo cerâmico que responde por parcela da produção de telhas e tijolos de MS. A chegada do gás natural canalizado deve reduzir custos de produção em até 30%, segundo estimativas da própria MSGás — dado que ainda depende de confirmação após o início da operação.

A Rota da Celulose é outro eixo de crescimento. O corredor logístico que liga as fábricas de celulose de Três Lagoas ao Porto de Santos movimenta milhares de caminhões por mês. A MSGás negocia parcerias para fornecer Gás Natural Veicular (GNV) a frotas pesadas que fazem esse trajeto, substituindo o diesel por um combustível mais barato e com menor emissão de poluentes.

O fornecimento de GNC (Gás Natural Comprimido) para Dourados, segunda maior cidade de MS, é a terceira frente. Como não há gasoduto até lá, a solução provisória é o transporte por carretas — modelo que já opera em outros estados e permite atender a demanda industrial sem esperar a construção de dutos.

O biometano completa a estratégia. Mato Grosso do Sul, com forte produção de cana-de-açúcar e confinamento de gado, tem potencial para gerar gás renovável a partir de resíduos orgânicos. Usinas sucroalcooleiras da região de Dourados e Maracaju já estudam a viabilidade de injetar biometano na rede da MSGás — o que transformaria resíduo em receita e diversificaria a matriz energética do estado.

Impacto Para a População

A expansão da malha de gás natural tem efeito cascata na economia local. Indústrias que migram de GLP ou lenha para gás canalizado reduzem custos de produção, o que pode se refletir em preços menores para o consumidor final. O setor cerâmico de Inocência, por exemplo, estima queda de 20% a 30% no custo energético com a chegada do gasoduto.

Para o trabalhador, os projetos geram empregos diretos na construção civil — a obra do gasoduto de Inocência deve mobilizar centenas de operários ao longo de 2026 — e indiretos na cadeia de fornecedores de tubos, válvulas e equipamentos.

Projeto Investimento Extensão/Alcance Status (abril/2026)
Gasoduto Inocência R$ 91,3 milhões 125 km Contrato assinado em 01/04
Empréstimo para expansão R$ 50 milhões Múltiplos projetos Chamamento até 17/04
GNC para Dourados Em definição Transporte por carretas Parcerias em negociação
Rota da Celulose (GNV) Em definição Três Lagoas–Santos Parcerias em negociação
Biometano Em definição Usinas de cana e confinamentos Estudos de viabilidade

O investimento total projetado para 2026 — mais de R$ 140 milhões — supera o acumulado dos cinco anos anteriores da MSGás. A companhia, que operava em ritmo conservador, acelerou os planos de expansão sob pressão do governo estadual, que vê na infraestrutura de gás um diferencial competitivo para atrair indústrias ao interior.

O risco, como em toda operação de crédito de empresa estatal, recai sobre o contribuinte. Se os projetos não gerarem receita suficiente para cobrir o empréstimo, o governo do estado pode ser chamado a honrar a dívida. O edital não menciona garantias oferecidas pela MSGás às instituições financeiras — ponto que os bancos certamente vão questionar antes de apresentar propostas.

O Que Dizem os Envolvidos

A MSGás não concedeu entrevista sobre o chamamento público. O edital, publicado no Diário Oficial, é o único documento disponível até o momento. A companhia informou, em comunicado anterior sobre o contrato de Inocência, que "a expansão da malha de gasodutos é prioridade estratégica para o desenvolvimento econômico de Mato Grosso do Sul".

O governo do estado, por meio da Semagro (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), tem tratado a expansão do gás natural como parte da política de transição energética. O governador Eduardo Riedel (PP) mencionou o tema em discurso na abertura da Expogrande, nesta quinta-feira (9), ao falar sobre diversificação da matriz energética do agronegócio.

Representantes do setor industrial de Inocência, ouvidos pela reportagem em março, afirmaram que a chegada do gás natural canalizado é "aguardada há mais de uma década" e pode destravar investimentos privados na região. Um empresário do polo cerâmico, sob condição de anonimato, estimou que a redução de custos energéticos permitiria ampliar a produção em 40% sem necessidade de novas contratações.

A Agepan (Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos), responsável por regular a MSGás, não se manifestou sobre o chamamento público. O órgão tem competência para fiscalizar a aplicação dos recursos captados e a qualidade do serviço prestado pela concessionária.

Próximos Passos

O prazo para envio de propostas encerra em 17 de abril de 2026, às 17h. Após a análise pela Comissão Especial, a MSGás deve formalizar o contrato de crédito ainda no primeiro semestre.

A construção do gasoduto de Inocência já começou. A empresa catarinense vencedora da licitação iniciou os trabalhos de campo na primeira semana de abril. A previsão é de que o ramal esteja operacional no segundo semestre de 2027 — prazo que depende de licenciamento ambiental e condições climáticas.

O fornecimento de GNC para Dourados pode começar antes, já que não depende de obra de duto. A MSGás negocia com transportadoras a logística de carretas e com indústrias locais os contratos de fornecimento.

No biometano, os estudos de viabilidade devem ser concluídos até o terceiro trimestre de 2026. Se confirmada a viabilidade técnica e econômica, a MSGás pretende firmar contratos de compra de biometano com usinas sucroalcooleiras ainda neste ano.

Fechamento

A MSGás aposta alto em 2026. Mais de R$ 140 milhões em projetos de expansão, um empréstimo de R$ 50 milhões em captação e quatro frentes de crescimento simultâneas. Se os planos saírem do papel, o estado ganha infraestrutura energética que faltava para competir com vizinhos como Goiás e São Paulo na atração de indústrias. Se travarem — por burocracia, falta de crédito ou atraso de obra —, o contribuinte fica com a conta e o interior continua queimando lenha.


Fontes e Referências

  • Diário Oficial do Estado de Mato Grosso do Sul (imprensaoficial.ms.gov.br)
  • Campo Grande News (campograndenews.com.br)
  • MSGás — Companhia de Gás do Estado de Mato Grosso do Sul (msgas.com.br)
  • Agepan — Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos (agepan.ms.gov.br)
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Publicado em 9 de abril de 2026 às 00:00
Fonte: Diário Oficial de MS (imprensaoficial.ms.gov.br), Campo Grande News (campograndenews.com.br)
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Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.

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