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Riedel assina empréstimo de US$ 200 milhões com o BIRD ao lado de Lula

Governador de MS firma contrato de mais de R$ 1 bilhão no Planalto para financiar o programa Rodar MS, que prevê obras em 1,8 mil km de estradas.

Redação Bastidor Público14 de abril de 20269 min de leituraBrasília1735 palavras
Riedel assina empréstimo de US$ 200 milhões com o BIRD ao lado de Lula

O governador Eduardo Riedel (PP) viajou a Brasília na terça-feira (14) para assinar o contrato de empréstimo de US$ 200 milhões — mais de R$ 1 bilhão — com o BIRD (Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento), braço financeiro do Banco Mundial. A cerimônia aconteceu às 16h30 no Palácio do Planalto, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e contou com a presença da ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, do ministro do Planejamento, Bruno Moretti, do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e do secretário da Segov de MS, Rodrigo Perez.

O recurso será destinado integralmente ao programa Rodar MS, que prevê manutenção, resiliência climática e segurança viária em 1,8 mil km de estradas estaduais. As obras terão foco na região do Vale do Ivinhema, no sudeste do estado, e alcançarão 28 municípios de Mato Grosso do Sul.

O Que Aconteceu

A assinatura no Planalto encerra um processo que se arrastou por 17 meses. O governo de MS iniciou as tratativas com o BIRD em outubro de 2024, quando a proposta de operação de crédito foi encaminhada à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS). Os deputados estaduais aprovaram o empréstimo em novembro de 2024, com placar de 18 votos a favor e dois contrários.

Após a aprovação legislativa, o projeto entrou na fila de tramitação do governo federal — etapa que envolve análise da Secretaria do Tesouro Nacional, parecer do Senado Federal e negociação direta com o Banco Mundial. A demora nessa fase levou Riedel a cobrar pessoalmente o presidente Lula durante a COP15, conferência da ONU sobre desertificação realizada em março de 2026. O governador aproveitou o encontro para pressionar pela liberação do contrato, argumentando que o atraso comprometia o cronograma de obras do Rodar MS.

A cerimônia no Planalto reuniu representantes dos dois governos — federal e estadual — em um ato que carrega peso político. Riedel, do PP, e Lula, do PT, estão em campos opostos no espectro partidário, mas a assinatura conjunta demonstra que a relação institucional entre Brasília e Campo Grande opera em registro pragmático quando o assunto é captação de recursos internacionais. O governador já havia sinalizado, em entrevistas recentes, que mantém canal aberto com o Planalto para projetos de infraestrutura, independentemente de alinhamento eleitoral.

A presença de três ministros na cerimônia — Miriam Belchior (Casa Civil), Bruno Moretti (Planejamento) e José Guimarães (Relações Institucionais) — indica que o governo federal tratou a assinatura como evento de primeira linha. Para Lula, o ato serve como vitrine de investimento em infraestrutura nos estados, pauta que o Planalto tenta capitalizar a 18 meses das eleições presidenciais de 2026.

Contexto e Histórico

O programa Rodar MS foi lançado pelo governo Riedel como a principal iniciativa de infraestrutura rodoviária do estado. O desenho combina R$ 340 milhões em recursos próprios do tesouro estadual com o financiamento internacional do BIRD, totalizando um investimento que ultrapassa R$ 1,3 bilhão quando somadas as duas fontes.

A malha rodoviária de Mato Grosso do Sul tem cerca de 48 mil km de estradas, dos quais aproximadamente 10 mil km são pavimentados. O estado depende da logística rodoviária para escoar a produção agropecuária — MS é o terceiro maior produtor de soja do Brasil e o maior exportador de celulose — e a condição das estradas afeta diretamente o custo do frete e a competitividade do agronegócio.

O BIRD já financiou projetos de infraestrutura em outros estados brasileiros. Minas Gerais, Ceará e Bahia contrataram operações semelhantes nos últimos cinco anos, com valores entre US$ 150 milhões e US$ 350 milhões. Para MS, o empréstimo de US$ 200 milhões é a maior operação de crédito internacional da história do estado voltada exclusivamente para rodovias.

A escolha do BIRD como financiador não é casual. O Banco Mundial oferece taxas de juros inferiores às praticadas pelo mercado doméstico — a taxa do BIRD para países de renda média gira em torno de 4% ao ano, contra 10% a 14% de linhas de crédito internas. O prazo de amortização também é mais longo: contratos com o BIRD costumam ter carência de cinco anos e prazo total de 25 a 30 anos, o que dilui o impacto no orçamento estadual.

O processo de aprovação na ALEMS, em novembro de 2024, gerou debate entre os deputados. A maioria governista aprovou a operação com folga, mas dois parlamentares votaram contra, argumentando que o endividamento externo em dólar expõe o estado ao risco cambial. Se o real se desvalorizar frente ao dólar durante o período de amortização, o custo efetivo do empréstimo pode superar as projeções iniciais.

A região do Vale do Ivinhema, no sudeste de MS, foi definida como área prioritária para as primeiras obras. A escolha se justifica pela concentração de municípios com estradas em condições precárias e pela importância logística da região para o escoamento de grãos e celulose rumo aos portos de Santos e Paranaguá.

Impacto Para a População

O empréstimo de US$ 200 milhões terá reflexo direto na vida dos moradores dos 28 municípios contemplados pelo Rodar MS. Estradas em melhor estado reduzem o tempo de deslocamento, diminuem o custo de manutenção de veículos e melhoram o acesso a serviços de saúde e educação nas áreas rurais.

Indicador Dado
Valor do empréstimo US$ 200 milhões (R$ 1 bilhão+)
Recursos próprios do estado R$ 340 milhões
Extensão de estradas beneficiadas 1,8 mil km
Municípios atendidos 28
Aprovação na ALEMS 18 a 2
Início das tratativas Outubro de 2024
Prazo típico de amortização BIRD 25 a 30 anos
Taxa de juros estimada ~4% ao ano

Para o produtor rural, a melhoria das estradas significa frete mais barato. O custo logístico responde por 12% a 18% do preço final da soja produzida em MS, e estradas esburacadas ou sem pavimentação elevam esse percentual. Caminhões que trafegam por vias em más condições consomem mais combustível, sofrem mais avarias mecânicas e levam mais tempo para completar o trajeto — custos que são repassados ao produtor e, na ponta, ao consumidor.

A resiliência climática prevista no programa é outro ponto que afeta diretamente a população. MS enfrenta eventos climáticos extremos com frequência crescente — chuvas intensas que destroem pontes e atolam estradas de terra, secas prolongadas que comprometem a trafegabilidade de trechos não pavimentados. O Rodar MS inclui obras de drenagem, reforço de pontes e pavimentação com materiais resistentes a intempéries, medidas que reduzem o isolamento de comunidades rurais durante o período chuvoso.

A segurança viária, terceiro eixo do programa, responde a uma demanda concreta. Mato Grosso do Sul registrou 1.247 mortes no trânsito em 2025, segundo dados do Detran-MS. Parte dessas mortes ocorreu em rodovias estaduais sem acostamento, sinalização deficiente ou pavimento irregular. O Rodar MS prevê instalação de sinalização horizontal e vertical, construção de acostamentos e correção de curvas perigosas nos trechos contemplados.

Os 28 municípios beneficiados incluem cidades de diferentes portes e regiões: Água Clara, Alcinópolis, Amambai, Anastácio, Angélica, Antônio João, Aquidauana, Aral Moreira, Bela Vista, Brasilândia, Campo Grande, Corguinho, Coronel Sapucaia, Coxim, Iguatemi, Inocência, Laguna Carapã, Maracaju, Miranda, Nioaque, Paranaíba, Pedro Gomes, Porto Murtinho, Ribas do Rio Pardo, Rio Verde de Mato Grosso do Sul, São Gabriel do Oeste, Terenos e Três Lagoas. A distribuição geográfica abrange desde a fronteira com o Paraguai (Coronel Sapucaia, Antônio João) até o leste do estado (Três Lagoas, Paranaíba), passando pelo Pantanal (Miranda, Aquidauana).

O Que Dizem os Envolvidos

O governador Riedel tratou a assinatura como marco de sua gestão na área de infraestrutura. Em declarações à imprensa antes da cerimônia, o governador afirmou que o empréstimo permitirá ao estado executar obras que seriam inviáveis apenas com recursos do tesouro estadual.

"Esse financiamento muda o patamar da infraestrutura rodoviária de Mato Grosso do Sul. São 1,8 mil km de estradas que vão receber manutenção, pavimentação e obras de segurança. O produtor rural, o caminhoneiro, a família que mora no interior — todos vão sentir a diferença", declarou Riedel.

O secretário da Segov, Rodrigo Perez, que acompanhou o governador a Brasília, destacou que a cobrança feita a Lula durante a COP15 acelerou a tramitação do contrato no governo federal.

"O governador foi direto ao presidente e disse que o estado precisava dessa assinatura. O processo estava parado há meses na burocracia federal. Após a COP15, as coisas andaram", afirmou Perez.

Do lado federal, o Ministério do Planejamento informou que a operação de crédito com o BIRD foi aprovada após análise técnica que atestou a capacidade de endividamento do estado e a viabilidade do programa Rodar MS. O ministro Bruno Moretti classificou o empréstimo como "investimento estratégico em logística para um dos estados mais produtivos do país".

Próximos Passos

Com a assinatura do contrato, o governo de MS inicia a fase de desembolso dos recursos. O BIRD libera os valores em parcelas, condicionadas ao cumprimento de metas físicas e financeiras estabelecidas no acordo. A primeira parcela deve ser liberada ainda no primeiro semestre de 2026, permitindo o início das licitações para as obras prioritárias na região do Vale do Ivinhema.

O governo estadual precisará publicar editais de licitação para contratar as empresas que executarão as obras. O modelo adotado pelo Rodar MS prevê licitações por lotes regionais, o que permite a contratação simultânea de diferentes trechos e acelera o cronograma de execução.

A Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) será responsável pela fiscalização das obras e pelo acompanhamento dos indicadores exigidos pelo BIRD. O Banco Mundial costuma enviar missões de supervisão semestrais para verificar o andamento dos projetos financiados, o que adiciona uma camada de controle externo à execução do programa.

O prazo estimado para conclusão de todas as obras do Rodar MS é de cinco anos, com entregas parciais ao longo do período. Os primeiros trechos a receberem intervenção devem ser aqueles em pior estado de conservação, priorizados por critérios técnicos de trafegabilidade e volume de tráfego.

Fechamento

A assinatura do empréstimo de US$ 200 milhões com o BIRD coloca Mato Grosso do Sul em outro patamar de investimento rodoviário. O Rodar MS, com seus 1,8 mil km de estradas e 28 municípios contemplados, é a maior operação de crédito internacional já contratada pelo estado para infraestrutura viária. O desafio agora é transformar o contrato em asfalto — e o histórico de obras públicas no Brasil mostra que a distância entre a caneta e a máquina costuma ser maior do que o previsto nos cronogramas oficiais.


Fontes e Referências

  • Campo Grande News (campograndenews.com.br)
  • Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (al.ms.gov.br)
  • Banco Mundial — BIRD (worldbank.org)
  • Agesul — Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (agesul.ms.gov.br)
  • Governo de Mato Grosso do Sul (ms.gov.br)
Eduardo RiedelLulaBIRDempréstimoRodar MSinfraestruturaestradasMato Grosso do Sul
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Publicado em 14 de abril de 2026 às 00:00
Fonte: Campo Grande News (campograndenews.com.br)
RB
Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.

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