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Marcos Pollon enfrenta segunda representação no Conselho de Ética e pode perder mandato por 120 dias

Deputado federal do PL-MS é alvo de novo processo por declarações contra o presidente da Câmara durante manifestação em Campo Grande. Votação foi adiada para 20 de maio.

Redação Bastidor Público20 de maio de 20268 min de leituraBrasília963 palavras
Marcos Pollon enfrenta segunda representação no Conselho de Ética e pode perder mandato por 120 dias

O deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) enfrentará nesta terça-feira, 20 de maio de 2026, a votação da segunda representação contra ele no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados. A sessão, originalmente prevista para o dia 19, foi adiada para o dia seguinte por conta do início da Ordem do Dia no Plenário, que tomou precedência sobre os trabalhos do colegiado.

Caso as duas punições sejam confirmadas pelo Plenário, Pollon poderá ficar afastado de seu mandato por até 120 dias — o equivalente a quatro meses sem exercer as funções parlamentares, em um período crítico de articulação pré-eleitoral para as eleições de 2026.

O Que Aconteceu

O Conselho de Ética analisa duas representações distintas contra o deputado sul-mato-grossense. A primeira, aprovada no início de maio de 2026, resultou na recomendação de suspensão de 60 dias e está relacionada à ocupação da Mesa Diretora da Câmara em agosto de 2025.

Na ocasião, Pollon, ao lado dos deputados Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC), obstruiu os trabalhos legislativos ao ocupar a Mesa Diretora durante sessão que votava matérias contrárias ao projeto de anistia aos presos pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

A segunda representação, cuja votação está prevista para o dia 20, refere-se a declarações feitas por Pollon durante uma manifestação em Campo Grande (MS), também em agosto de 2025. Na ocasião, o deputado teria proferido palavras consideradas ofensivas ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), criticando sua condução dos trabalhos legislativos.

O relator da segunda representação, deputado Ricardo Maia (MDB-BA), ajustou seu parecer durante as discussões, reduzindo a recomendação de suspensão de 90 para 60 dias.

Contexto e Histórico

Marcos Pollon é uma das figuras mais polarizadoras da bancada de Mato Grosso do Sul na Câmara dos Deputados. Ex-presidente da Associação Nacional de Proprietários e Comerciantes de Armas (Anpca), ele foi eleito em 2022 com forte apoio do eleitorado bolsonarista e se tornou um dos deputados mais atuantes na defesa da flexibilização do porte de armas e da anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos.

Cronologia dos processos Data Evento
Agosto de 2025 Ocupação da Mesa Diretora e discurso em CG
Outubro de 2025 Abertura das representações no Conselho de Ética
Maio de 2026 (início) Aprovação da 1ª suspensão (60 dias) pelo Conselho
19 de maio de 2026 Sessão da 2ª representação — adiada
20 de maio de 2026 Nova data para votação da 2ª representação

Os parlamentares punidos na primeira representação — Pollon, Van Hattem e Zé Trovão — recorreram à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, alegando que houve irregularidades processuais na tramitação do caso no Conselho de Ética. A CCJ ainda não se pronunciou sobre o recurso.

Impacto Para a População

A eventual suspensão de Marcos Pollon teria consequências diretas para a representação política de Mato Grosso do Sul na Câmara dos Deputados, especialmente em um momento de intensa articulação para as eleições de 2026.

Área afetada Consequência
Representação parlamentar MS perderia um voto ativo na Câmara por até 4 meses
Emendas parlamentares Pollon não poderia destinar ou negociar emendas durante a suspensão
Articulação partidária PL-MS ficaria sem uma de suas principais vozes em Brasília
Pauta armamentista Projetos de flexibilização de armas perderiam um de seus principais defensores
Campanha pré-eleitoral Pollon ficaria impedido de usar a estrutura parlamentar para articulações políticas

O PL de MS, que se consolidou como a maior bancada na Assembleia Legislativa após a janela partidária de 2026, veria sua influência federal temporariamente reduzida. O partido elegeu cinco deputados federais por MS em 2022 e tem articulado candidaturas competitivas para 2026.

O Que Dizem os Envolvidos

Em declarações à imprensa, Marcos Pollon classificou os processos como "perseguição política" e afirmou que sua atuação em defesa da anistia e do mandato parlamentar está sendo alvo de "medidas desproporcionais". O deputado argumenta que o exercício de suas funções parlamentares, incluindo manifestações públicas e discursos, é protegido pela imunidade constitucional.

A defesa de Pollon sustenta que as declarações feitas em Campo Grande constituem exercício legítimo de liberdade de expressão e que a tipificação como quebra de decoro é uma interpretação excessiva do regimento interno.

Por outro lado, líderes da base governista na Câmara defendem que as punições são proporcionais à gravidade dos atos praticados. A ocupação da Mesa Diretora, argumentam, configurou obstrução física dos trabalhos legislativos — uma conduta que vai além do debate político legítimo.

Próximos Passos

A votação da segunda representação está prevista para o dia 20 de maio de 2026 no Conselho de Ética. Se aprovada, a recomendação de suspensão de 60 dias seguirá para o Plenário da Câmara, assim como a primeira.

Para que as suspensões entrem em vigor, é necessário que o Plenário as confirme por maioria simples dos presentes. A data de votação no Plenário ainda não foi definida, mas a expectativa é que ocorra nas próximas semanas.

Caso as duas suspensões sejam confirmadas, Pollon ficará impedido de exercer o mandato por 120 dias, perdendo temporariamente o direito a voto, a presença em comissões e a destinação de emendas parlamentares. Durante o período de suspensão, o suplente assumiria a vaga.

Fechamento

O caso de Marcos Pollon ilustra a crescente polarização dentro do Congresso Nacional e seus reflexos diretos na representação de Mato Grosso do Sul. Em ano pré-eleitoral, a eventual suspensão do deputado pode alterar o equilíbrio de forças dentro do PL no estado e impactar as estratégias de articulação para 2026.

Para o eleitor sul-mato-grossense, o desfecho do caso no Plenário da Câmara determinará se o estado manterá sua representação parlamentar completa nos próximos meses — justamente no período em que as negociações por emendas e projetos de interesse regional se intensificam.


Fontes e Referências

  • Congresso em Foco — Processos no Conselho de Ética da Câmara
  • JD1 Notícias — Cobertura da sessão de 19/05/2026
  • Dourados News — Representação contra Pollon por discurso em CG
  • EBC Agência Brasil — Aprovação da 1ª suspensão
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Publicado em 20 de maio de 2026 às 00:00
Fonte: Congresso em Foco, JD1 Notícias, Dourados News
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Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.

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