Mulher denuncia agressões do companheiro em Três Lagoas
Uma mulher procurou a delegacia de Três Lagoas na manhã desta terça-feira (7) para denunciar agressões sofridas durante a madrugada. Segundo informações iniciais, a vítima foi agredida pelo companheiro na residência do casal.
O caso ocorreu a 327 quilômetros de Campo Grande. A mulher apresentava lesões visíveis e foi encaminhada para exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML).
Procedimentos adotados
A Polícia Civil registrou boletim de ocorrência por lesão corporal no âmbito da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006). Os procedimentos incluem:
- Registro do BO: Documentação formal da denúncia
- Exame de corpo de delito: Comprovação das lesões
- Medidas protetivas: Solicitação ao Judiciário de afastamento do agressor
- Inquérito: Investigação para apurar circunstâncias e responsabilidades
O nome da vítima e do agressor não foram divulgados para preservar a identidade da mulher.
Violência doméstica em números
Mato Grosso do Sul registrou, em 2025:
| Indicador | Quantidade | Variação vs 2024 |
|---|---|---|
| Boletins de ocorrência | 18.420 | +7% |
| Medidas protetivas | 12.890 | +12% |
| Prisões em flagrante | 2.340 | +15% |
| Feminicídios | 28 | -8% |
Três Lagoas é o terceiro município com mais registros de violência doméstica no estado, atrás de Campo Grande e Dourados.
Rede de proteção
A vítima de violência doméstica em Três Lagoas conta com:
- Delegacia da Mulher: Atendimento especializado 24h
- CRAM: Centro de Referência de Atendimento à Mulher
- Casa Abrigo: Acolhimento temporário para vítimas em risco
- Defensoria Pública: Assistência jurídica gratuita
- CREAS: Centro de Referência Especializado de Assistência Social
O Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) funciona 24 horas e recebe denúncias de todo o país.
Perfil da violência doméstica em MS
Dados da Secretaria de Segurança Pública traçam o perfil dos casos no estado:
| Característica | Percentual |
|---|---|
| Agressor é companheiro/marido | 68% |
| Agressor é ex-companheiro | 22% |
| Outros familiares | 10% |
| Vítima tem filhos com agressor | 72% |
| Violência ocorre em casa | 85% |
| Álcool envolvido | 45% |
| Reincidência do agressor | 38% |
O dado sobre reincidência é preocupante: mais de um terço dos agressores já havia sido denunciado antes. O sistema de proteção falha em impedir a repetição.
Medidas protetivas: eficácia e limites
As medidas protetivas de urgência são o principal instrumento de proteção imediata. Em MS, o Judiciário tem concedido as medidas em tempo médio de 48 horas.
Tipos de medidas mais comuns:
| Medida | Frequência | Eficácia percebida |
|---|---|---|
| Afastamento do lar | 45% | Alta |
| Proibição de aproximação | 38% | Média |
| Proibição de contato | 35% | Média |
| Suspensão de visitas aos filhos | 12% | Alta |
| Prestação de alimentos | 8% | Variável |
A eficácia depende de fiscalização. Medida protetiva sem monitoramento é papel. O Tribunal de Justiça de MS implementou, em 2025, sistema de monitoramento eletrônico de agressores em casos de alto risco.
Subnotificação: o problema invisível
Especialistas estimam que apenas 30% dos casos de violência doméstica chegam às delegacias. Os motivos para não denunciar incluem:
- Medo de represália: 42% das mulheres temem que a denúncia piore a situação
- Dependência financeira: 28% não têm como se sustentar sem o agressor
- Filhos: 18% temem perder a guarda ou prejudicar os filhos
- Vergonha: 15% sentem constrangimento em expor a situação
- Descrença no sistema: 12% acham que denunciar não resolve
A subnotificação significa que os números oficiais representam apenas a ponta do iceberg. Para cada mulher que denuncia, outras duas ou três sofrem em silêncio.
Políticas públicas em Três Lagoas
O município tem investido em políticas de enfrentamento à violência doméstica:
- Patrulha Maria da Penha: Rondas preventivas em residências de mulheres com medida protetiva
- Botão do Pânico: Dispositivo que aciona a polícia em caso de emergência
- Capacitação de profissionais: Treinamento de agentes de saúde e educação para identificar sinais de violência
- Campanhas educativas: Ações em escolas e comunidades sobre relacionamentos saudáveis
Impacto no Bolso do Cidadão
- Custo da violência: Cada caso de violência doméstica custa em média R$ 12 mil ao Estado (saúde, segurança, assistência social, Judiciário)
- Produtividade: Mulheres agredidas perdem em média 18 dias de trabalho por ano
- Saúde: Vítimas têm 3x mais chances de desenvolver depressão e ansiedade
- Ciclo intergeracional: Filhos expostos à violência têm maior probabilidade de reproduzir o comportamento
Análise do Bastidor Público
O caso de Três Lagoas é estatística. Uma entre as 50 mulheres que, em média, procuram delegacias de MS todos os dias para denunciar agressões.
A subnotificação é o maior desafio. Estima-se que apenas 30% das vítimas registrem ocorrência. Medo, dependência financeira, vergonha e descrença no sistema de justiça mantêm a maioria em silêncio.
O aumento de 12% nas medidas protetivas em 2025 pode indicar duas coisas: mais violência ou mais denúncias. Especialistas apostam na segunda hipótese — campanhas de conscientização e ampliação da rede de proteção encorajam mulheres a buscar ajuda.
A redução de 8% nos feminicídios é dado positivo, mas insuficiente. Cada morte é evitável. A maioria das vítimas de feminicídio havia denunciado o agressor antes. O sistema falhou em protegê-las.
Próximos Passos
- Audiência de custódia: Se o agressor for preso, será ouvido em até 24h
- Medidas protetivas: Decisão judicial em até 48h
- Inquérito: Prazo de 30 dias para conclusão
Perguntas Frequentes
O que fazer se eu for vítima de violência doméstica?
Procure a delegacia mais próxima ou ligue 180. Se estiver em risco imediato, ligue 190 (Polícia Militar). Guarde provas (fotos, mensagens, testemunhos).
Medida protetiva funciona?
Sim, na maioria dos casos. O descumprimento é crime e pode levar à prisão do agressor. Porém, a medida não é garantia absoluta — casos de feminicídio com medida protetiva vigente existem.
Posso retirar a queixa depois?
Depende. Em casos de lesão corporal leve, a vítima pode se retratar até o recebimento da denúncia pelo juiz. Em casos graves, a ação é pública incondicionada — o processo segue independentemente da vontade da vítima.
Fontes: Polícia Civil de MS — Delegacia de Três Lagoas, Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública
Canais de denúncia
Mulheres em situação de violência podem buscar ajuda através de diversos canais:
| Canal | Contato | Funcionamento |
|---|---|---|
| Ligue 180 | 180 | 24 horas, gratuito |
| Polícia Militar | 190 | 24 horas |
| Delegacia da Mulher | (67) 3509-1900 | 24 horas |
| CRAM Três Lagoas | (67) 3521-4500 | Horário comercial |
| Defensoria Pública | 129 | Horário comercial |
As denúncias podem ser anônimas. Vizinhos, familiares e amigos que presenciem ou suspeitem de violência também podem e devem denunciar.
A Lei Maria da Penha completou 20 anos em 2026. Apesar dos avanços, os números mostram que ainda há muito a fazer para proteger as mulheres brasileiras da violência doméstica.
