O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, deputado Gerson Claro, formalizou em 1º de abril de 2026 um pedido à Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) para a ampliação do efetivo das polícias Civil e Militar na cidade de Ponta Porã. A solicitação foi motivada pelo aumento da criminalidade na região de fronteira e pela preocupação crescente da população local com a segurança.
Ponta Porã faz fronteira seca com Pedro Juan Caballero, no Paraguai, e é um dos pontos mais críticos da faixa de fronteira brasileira para operações de tráfico de drogas, armas e contrabando. A cidade, com cerca de 95 mil habitantes, convive historicamente com índices de violência superiores à média estadual.
Contexto da fronteira
A faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul é uma das maiores do Brasil: são aproximadamente 1.498 km de divisa com Paraguai e Bolívia. Nessa extensão, o estado concentra cidades como Ponta Porã, Corumbá, Mundo Novo, Naviraí e Bela Vista, todas com desafios significativos de segurança pública.
As operações realizadas nas últimas semanas demonstram a dimensão do problema:
| Operação | Data | Resultado |
|---|---|---|
| Operação integrada 4ª Brigada/PF/PRF/DOF | Março 2026 | R$ 23 milhões de prejuízo ao crime organizado |
| Operação Dupla Face (PF) | Março 2026 | Desarticulação de rede de tráfico de armas com envolvimento de ex-PM |
| Operação Polícia Civil em Bela Vista | 31 de março 2026 | Combate ao tráfico doméstico na região fronteiriça |
| Operação Mão Dupla (GAECO/MPMS) | 31 de março 2026 | 23 mandados em Coronel Sapucaia por corrupção na prefeitura |
A operação integrada realizada na segunda quinzena de março, que reuniu o Exército Brasileiro (4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada), Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal e o Departamento de Operações de Fronteira (DOF), resultou em um prejuízo superior a R$ 23 milhões ao crime organizado. A ação faz parte do Programa de Proteção Integrada de Fronteiras (PPIF).
A crise em Ponta Porã
O pedido de Gerson Claro reflete uma demanda antiga da sociedade ponta-poranense. A cidade enfrenta um ciclo de violência que inclui disputas entre organizações criminosas transnacionais pelo controle de rotas de tráfico, execuções com características de crime organizado, tráfico de armas de fogo procedentes do Paraguai e contrabando que afeta o comércio local formal.
A Polícia Federal deflagrou em março a "Operação Dupla Face", que desarticulou um esquema de tráfico internacional de armas sediado em Ponta Porã. O esquema contava com a participação de um ex-policial militar, o que agrava a percepção de infiltração do crime organizado nas instituições de segurança.
O deficit de efetivo policial na região é um problema crônico. Delegacias da Polícia Civil operam com menos da metade do quadro ideal de investigadores, enquanto batalhões da Polícia Militar cobrem extensas áreas rurais com poucas viaturas. O DOF, força especializada em operações de fronteira, também solicita reforço há anos.
Força Nacional até abril
Um dado relevante é que a permanência da Força Nacional de Segurança Pública em MS, atuando em apoio à Polícia Federal, tinha prazo estipulado até 13 de abril de 2026. A saída da Força Nacional, sem reposição do efetivo, agravaria significativamente a situação de segurança na fronteira.
O governo estadual, por meio do contrato de gestão da Sejusp assinado em fevereiro de 2026, estabeleceu metas que incluem aumento do número de viaturas para policiamento preventivo e manutenção da colaboração com forças federais. No entanto, a implementação dessas metas depende de recursos orçamentários que ainda estão em fase de liberação.
Consequências para a população
Moradores de cidades de fronteira convivem com risco elevado de violência, o que afeta a qualidade de vida e reduz o valor dos imóveis. O contrabando prejudica o comércio formal, que paga impostos e gera empregos — estima-se que o contrabando represente até 30% do comércio em cidades de fronteira.
O reforço policial solicitado implica em mais gastos com efetivo, viaturas e equipamentos, financiados pelo contribuinte. A violência também gera demanda adicional no sistema de saúde, com atendimentos de emergência e traumas. A imagem de insegurança afasta investimentos e turistas de uma região com potencial para o comércio bilateral.
A resposta da Sejusp ao pedido de reforço ainda está pendente. O cidadão sul-mato-grossense deve cobrar do governo federal a manutenção do efetivo da Força Nacional e do governo estadual o cumprimento das metas de segurança previstas no contrato de gestão da Sejusp.
Fonte: A Crítica, MS Todo Dia, Fronteira News, gov.br/pf, Campo Grande News
