O Que Aconteceu
O Instituto Ranking Brasil Inteligência divulgou nesta sexta-feira (18 de abril) pesquisa de intenção de voto para o Senado Federal por Mato Grosso do Sul nas eleições de 2026. O levantamento aponta empate técnico entre os principais pré-candidatos no cenário estimulado.
A pesquisa ouviu 1.200 eleitores em 28 municípios de MS entre os dias 10 e 16 de abril, com margem de erro de ±3,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Cenário Estimulado
No cenário estimulado para a primeira vaga, Tereza Cristina (PP) aparece na liderança, seguida de perto por nomes como Nelsinho Trad (PSD) e Vander Loubet (PT). Todos os pré-candidatos, porém, estão dentro da margem de erro, configurando empate técnico.
O dado mais significativo é o alto percentual de indecisos: quase 35% dos entrevistados ainda não definiram o voto para o Senado, o que indica que a corrida está completamente aberta a seis meses do pleito.
Cenário Espontâneo
No cenário espontâneo — quando o entrevistador não apresenta nomes — o resultado é ainda mais pulverizado. Nenhum pré-candidato ultrapassa 12% das menções, e o índice de "não sabe/não respondeu" chega a 58%.
Avaliação do Governo Federal em MS
A mesma pesquisa incluiu avaliação do governo federal no estado. O presidente Lula (PT) tem aprovação de 32% e desaprovação de 49% entre os eleitores de MS, com 19% avaliando como "regular". Os números refletem a tendência historicamente conservadora do eleitorado sul-mato-grossense.
Perfil dos Principais Pré-Candidatos
O cenário para o Senado por MS reúne nomes de peso de diferentes matizes ideológicas. Tereza Cristina (PP), ex-ministra da Agricultura no governo Bolsonaro, é considerada favorita pelo histórico de apoio do agronegócio, mas enfrenta resistência em centros urbanos. Nelsinho Trad (PSD), atual senador, tem base consolidada em Campo Grande e negocia apoio de prefeitos do interior. Vander Loubet (PT), deputado federal de longa carreira, tenta ser o representante do governo Lula no Senado sul-mato-grossense.
Outros nomes monitorados incluem Beto Pereira (PSDB), Gerson Claro (PP) — presidente da Assembleia Legislativa —, e Soraya Thronicke (PSB), que migrou recentemente de partido em busca de reposicionamento eleitoral. A pluralidade de candidaturas confirma que a disputa será fragmentada.
Histórico Eleitoral em MS
Mato Grosso do Sul tem tradição de renovar seus representantes no Senado com frequência. Nos últimos quatro pleitos (2010, 2014, 2018 e 2022), apenas uma reeleição foi registrada — a de Simone Tebet em 2018. O dado sugere que o eleitorado sul-mato-grossense valoriza alternância, o que torna a corrida ainda mais imprevisível.
A última vez que o estado elegeu um senador do PT foi em 2002, com Delcídio do Amaral. Desde então, o espectro político de MS consolidou-se em torno de siglas de centro-direita — PP, PSD, PSDB e MDB —, o que representa um desafio estrutural para candidaturas à esquerda.
Impacto das Alianças
Com duas vagas em disputa, as composições de chapa ganham importância estratégica. A lógica de "dobradinha" — em que dois partidos aliados lançam candidatos complementares — pode definir o resultado. Analistas apontam que a aliança entre PP e PSD, que sustenta o governo Riedel, tende a formar a chapa mais competitiva.
Por outro lado, a fragmentação pode beneficiar candidatos com alta rejeição baixa e presença capilar no interior. Com 35% de indecisos, há espaço para que um candidato desconhecido hoje desponte nas próximas pesquisas.
Leitura Política
O empate técnico para o Senado confirma o que analistas políticos já apontavam: a disputa de 2026 em MS será uma das mais fragmentadas do país. Com duas vagas em jogo, as possibilidades de composição de chapa são variadas.
A tendência é que as definições se acelerem após o período de convenções partidárias, previsto para julho e agosto, quando as alianças serão formalizadas. Até lá, novas pesquisas — já contratadas por partidos e veículos de imprensa — devem redesenhar o cenário, especialmente à medida que desincompatibilizações forcem candidatos a abandonarem cargos públicos.
O Que Esperar
O Instituto Ranking Brasil planeja publicar nova rodada de pesquisas em junho, desta vez com cenários de segundo turno simulados e avaliação de rejeição de cada pré-candidato. Esses dados serão decisivos para calibrar as estratégias partidárias antes das convenções.
