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🗳️ Eleições

Pesquisa Datafolha aponta rejeição recorde de 58% à classe política no Brasil e MS lidera Centro-Oeste

Levantamento nacional mostra que insatisfação com políticos atinge maior patamar desde 2013. Em MS, rejeição chega a 63% e pode definir eleições municipais de outubro.

Redação Bastidor Público25 de março de 20269 min de leituraSão Paulo1307 palavras
Eleitores em fila para votação em seção eleitoral — Foto: TSE/Divulgação
Eleitores em fila para votação em seção eleitoral — Foto: TSE/Divulgação

Rejeição à classe política atinge recorde de 58% no Brasil

Pesquisa Datafolha divulgada na segunda-feira (24) mostra que 58% dos brasileiros rejeitam a classe política como um todo — o maior índice desde as manifestações de junho de 2013, quando a rejeição atingiu 55%. O levantamento, realizado entre 18 e 22 de março com 12.480 entrevistas em 198 municípios, tem margem de erro de 2 pontos percentuais.

O dado mais relevante para MS: o estado lidera a rejeição no Centro-Oeste com 63% — 5 pontos acima da média nacional e o maior índice entre todos os estados da região. O número confirma pesquisas locais que já apontavam rejeição de 44% a políticos tradicionais em municípios do interior.

A pesquisa perguntou: "De modo geral, você confia ou não confia nos políticos brasileiros?" As respostas revelam um eleitorado profundamente descrente:

Os Números Nacionais e Regionais

Região Não confia (rejeição) Confia parcialmente Confia Não sabe
Norte 54% 28% 12% 6%
Nordeste 52% 30% 14% 4%
Centro-Oeste 61% 24% 10% 5%
Sudeste 59% 26% 11% 4%
Sul 57% 27% 12% 4%
Brasil 58% 27% 11% 4%

No Centro-Oeste, MS lidera com 63%, seguido por Goiás (60%), Mato Grosso (59%) e Distrito Federal (56%). A rejeição mais alta em MS é atribuída por analistas à combinação de crises recentes — dengue, incêndios no Pantanal, crise hídrica — que expuseram falhas de gestão pública.

A evolução histórica mostra aceleração da desconfiança:

Ano Rejeição nacional Rejeição MS Evento marcante
2013 55% 52% Manifestações de junho
2016 48% 45% Impeachment Dilma
2018 42% 40% Eleição Bolsonaro (esperança de mudança)
2020 45% 48% Pandemia Covid-19
2022 50% 53% Polarização eleitoral
2024 54% 58% Crise fiscal + escândalos
2026 58% 63% Crises múltiplas em MS

O Que Alimenta a Rejeição em MS

A pesquisa Datafolha incluiu perguntas sobre motivos da desconfiança. Em MS, os cinco fatores mais citados:

Motivo % dos que rejeitam Exemplo concreto em MS
Corrupção e desvio de recursos 78% Empresas fantasma na saúde, Fundeb de Três Lagoas
Promessas não cumpridas 72% Reservatório de Dourados, hospital de Naviraí
Falta de transparência 65% Portal desatualizado, publicidade sem detalhamento
Privilégios da classe política 61% Nepotismo em câmaras, cargos comissionados
Desconexão com problemas reais 58% Dengue, crise hídrica, transporte de CG

Os dados de MS são consistentes com as reportagens publicadas pelo Bastidor Público nos últimos meses. Cada crise não resolvida — Dourados sem água, CG sem transporte, Pantanal em chamas — alimenta a percepção de que a classe política é incapaz ou desinteressada em resolver problemas concretos.

Contexto

A rejeição recorde ocorre a sete meses das eleições municipais, o que pode ter efeitos profundos na composição das câmaras e prefeituras. Historicamente, ondas de rejeição à classe política beneficiam candidatos outsiders e partidos de protesto — padrão que já se observa em MS com a estratégia do PL e do PSD de lançar candidatos sem histórico político.

A pesquisa também mediu a confiança em instituições específicas. O Judiciário tem 32% de confiança, as Forças Armadas 48%, a imprensa 28% e as igrejas 52%. Partidos políticos ficam em último lugar com 8% de confiança — o menor índice entre todas as instituições avaliadas.

O cientista político da USP que coordenou a análise dos dados avaliou que "estamos diante de uma crise de representação sem precedentes. O eleitor não se sente representado por nenhum partido, nenhum político, nenhuma ideologia. É um vazio que pode ser preenchido por renovação genuína ou por populismo oportunista".

Nos bastidores, os partidos de MS estão recalibrando suas estratégias. O PSD acelerou a renovação de quadros (40% de estreantes). O PL aposta em outsiders do agronegócio. O PT tenta se diferenciar com candidatos de movimentos sociais. Todos respondem ao mesmo dado: 63% dos eleitores de MS não confiam em políticos.

Impacto no Bolso do Cidadão

A desconfiança na classe política tem custos econômicos mensuráveis:

  • Abstenção eleitoral: a rejeição está correlacionada com abstenção. Em 2024, MS teve abstenção de 22% — acima da média nacional de 19%. Cada ponto de abstenção reduz a legitimidade do eleito e enfraquece a governabilidade
  • Custo da desconfiança: governos com baixa confiança popular têm custo de captação de crédito 12% maior, segundo estudo do Banco Mundial. Para MS, isso representa R$ 15 milhões/ano a mais em juros sobre a dívida pública
  • Investimento privado: estados com alta rejeição política atraem 18% menos investimento estrangeiro direto, segundo a FGV. Para MS, a diferença pode chegar a R$ 400 milhões/ano em investimentos não realizados
  • Qualidade dos candidatos: paradoxalmente, a rejeição afasta profissionais qualificados da política. Pesquisa do IBAM mostra que 72% dos profissionais liberais consideram "indigno" disputar eleição — reduzindo o pool de candidatos competentes

O Que Dizem as Partes

O presidente do TSE declarou que "a pesquisa é um alerta para toda a classe política. A democracia depende de confiança, e confiança se constrói com transparência, ética e resultados concretos".

O presidente do PSD-MS avaliou que "o dado confirma nossa estratégia de renovação. O eleitor quer caras novas e propostas concretas. Quem insistir no modelo antigo vai perder".

O presidente do PT-MS interpretou diferente. "A rejeição não é à política — é à política que não entrega. O povo quer saúde, educação e emprego. Quem oferecer isso com credibilidade vai vencer".

O cientista político da UFMS alertou que "63% de rejeição é terreno fértil para populismo. Candidatos que prometem 'acabar com a política' podem vencer eleições, mas raramente governam bem. O eleitor precisa distinguir renovação de aventureirismo".

Análise do Bastidor Público

A rejeição de 63% em MS não é abstrata — tem nome e endereço. Cada crise não resolvida, cada obra atrasada, cada contrato suspeito, cada portal desatualizado alimenta a percepção de que a classe política é parte do problema, não da solução.

O risco é que a rejeição se transforme em apatia. Quando o eleitor desiste de acreditar que seu voto faz diferença, a democracia perde seu mecanismo de correção. A abstenção de 22% em MS já é sinal de alerta.

A saída não é rejeitar a política — é exigir política melhor. Cobrar transparência, fiscalizar gastos, comparar propostas, votar com informação. O Bastidor Público existe para fornecer essa informação. O voto é do cidadão.

Próximos Passos

  • Próxima rodada Datafolha: junho de 2026 (pós-convenções)
  • Registro de candidaturas: agosto de 2026
  • Debates eleitorais: setembro de 2026
  • Eleições municipais: outubro de 2026

Perguntas Frequentes

Qual o nível de rejeição à classe política no Brasil em 2026?

A pesquisa Datafolha de março de 2026 mostra que 58% dos brasileiros não confiam nos políticos — recorde desde 2013. No Centro-Oeste, a rejeição é de 61%, e MS lidera a região com 63%. Partidos políticos têm apenas 8% de confiança, o menor índice entre todas as instituições avaliadas. A pesquisa ouviu 12.480 pessoas em 198 municípios, com margem de erro de 2 pontos.

Por que a rejeição é mais alta em MS que no resto do Brasil?

Analistas atribuem os 63% de rejeição em MS à combinação de crises recentes: epidemia de dengue com 45 mil casos, incêndios no Pantanal com 85 mil hectares queimados, crise hídrica em Dourados e Aquidauana, transporte coletivo precário em Campo Grande e escândalos de corrupção em licitações. Cada crise não resolvida reforça a percepção de incompetência ou desinteresse da classe política.

Como a rejeição afeta as eleições municipais de 2026 em MS?

A rejeição de 63% beneficia candidatos outsiders e prejudica políticos tradicionais. O PSD e o PL já substituíram parte de seus candidatos por estreantes sem mandato anterior. A abstenção tende a aumentar (22% em 2024, projeção de 25% em 2026). Prefeitos eleitos com base frágil enfrentam maior dificuldade de governabilidade. O risco é que a rejeição abra espaço para populismo oportunista em vez de renovação genuína.


Fontes: Instituto Datafolha (Pesquisa Nacional de Confiança Política mar/2026), TSE, Banco Mundial (Estudo sobre Confiança e Custo de Crédito), FGV (Investimento e Ambiente Político), UFMS (Laboratório de Estudos Políticos), IBAM

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Atualizado em 26 de março de 2026 às 00:00
Fonte: Instituto Datafolha
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Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.

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