Pesquisa revela eleitorado dividido e insatisfeito em MS
Levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Regional entre 28 de março e 4 de abril de 2026 mostra cenário fragmentado para as eleições estaduais. Nenhum pré-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul ultrapassa 25% das intenções de voto, e a rejeição à classe política atinge níveis recordes.
A pesquisa ouviu 1.200 eleitores em 15 municípios, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro no TSE é MS-00123/2026.
Intenções de voto para governador (estimulada)
| Pré-candidato | Partido | Intenção de voto | Rejeição |
|---|---|---|---|
| Eduardo Riedel | PSDB | 24% | 28% |
| Marquinhos Trad | — | 18% | 32% |
| Rose Modesto | União Brasil | 15% | 22% |
| Beto Pereira | PSDB | 12% | 18% |
| Outros | — | 8% | — |
| Branco/Nulo | — | 12% | — |
| Não sabe | — | 11% | — |
O governador Eduardo Riedel lidera, mas com margem apertada. A indefinição de Marquinhos Trad sobre disputar o governo ou o Senado mantém o cenário instável.
Avaliação do governo Riedel
| Avaliação | Percentual |
|---|---|
| Ótimo/Bom | 32% |
| Regular | 38% |
| Ruim/Péssimo | 26% |
| Não sabe | 4% |
A avaliação positiva de 32% é inferior à média de governadores em fim de primeiro mandato (42%, segundo levantamento nacional). A percepção de "regular" predomina, indicando eleitorado que não reprova, mas também não aprova com entusiasmo.
Rejeição à classe política
A pesquisa incluiu pergunta sobre confiança nas instituições:
| Instituição | Confia | Não confia |
|---|---|---|
| Forças Armadas | 58% | 34% |
| Judiciário | 41% | 52% |
| Governo Federal | 35% | 58% |
| Governo Estadual | 38% | 54% |
| Assembleia Legislativa | 22% | 68% |
| Câmara dos Deputados | 18% | 74% |
| Partidos políticos | 12% | 82% |
A desconfiança nos partidos (82%) e no Congresso (74%) reflete tendência nacional. O eleitor sul-mato-grossense acompanha o sentimento de descrédito com a política tradicional.
Principais preocupações do eleitor
| Tema | Muito preocupado |
|---|---|
| Saúde | 78% |
| Segurança | 72% |
| Emprego | 65% |
| Educação | 58% |
| Corrupção | 54% |
| Meio ambiente | 42% |
Saúde e segurança lideram as preocupações, padrão que se repete em pesquisas nacionais. O tema ambiental, relevante em MS por causa do Pantanal, aparece em sexto lugar.
Perfil do eleitorado sul-mato-grossense
A pesquisa traça o perfil demográfico dos eleitores de MS:
| Característica | Percentual |
|---|---|
| Mulheres | 52% |
| Homens | 48% |
| 16 a 24 anos | 15% |
| 25 a 44 anos | 38% |
| 45 a 59 anos | 28% |
| 60 anos ou mais | 19% |
| Ensino fundamental | 32% |
| Ensino médio | 42% |
| Ensino superior | 26% |
O eleitorado é majoritariamente feminino, de meia-idade e com escolaridade média. Esse perfil tende a valorizar propostas concretas em saúde e segurança, mais do que discursos ideológicos.
Comparativo com eleições anteriores
A fragmentação atual contrasta com eleições passadas:
| Eleição | Líder nas pesquisas (abril) | Resultado final |
|---|---|---|
| 2014 | Reinaldo Azambuja (42%) | Eleito (55%) |
| 2018 | Reinaldo Azambuja (48%) | Reeleito (52%) |
| 2022 | Eduardo Riedel (38%) | Eleito (56%) |
| 2026 | Eduardo Riedel (24%) | ? |
A queda de 14 pontos percentuais entre 2022 e 2026 nas pesquisas de abril é significativa. Riedel enfrenta cenário mais competitivo que seus antecessores no mesmo período.
Possíveis cenários de segundo turno
A pesquisa simulou cenários de segundo turno:
| Cenário | Candidato A | Candidato B | Resultado |
|---|---|---|---|
| 1 | Riedel (PSDB) | Trad | 48% x 42% |
| 2 | Riedel (PSDB) | Rose Modesto | 52% x 38% |
| 3 | Trad | Rose Modesto | 45% x 44% |
Riedel venceria Trad por margem apertada e Rose Modesto com folga. Um eventual segundo turno entre Trad e Rose seria o mais disputado, com empate técnico.
Voto por região
A distribuição geográfica do voto mostra diferenças regionais:
| Região | Riedel | Trad | Rose | Outros |
|---|---|---|---|---|
| Campo Grande | 22% | 24% | 18% | 36% |
| Dourados e região | 28% | 15% | 12% | 45% |
| Fronteira | 25% | 12% | 20% | 43% |
| Pantanal | 32% | 10% | 8% | 50% |
| Bolsão | 20% | 22% | 15% | 43% |
Riedel tem melhor desempenho no interior, especialmente no Pantanal e região de Dourados. Trad lidera em Campo Grande, sua base eleitoral. A alta porcentagem de "outros" em todas as regiões confirma a fragmentação.
Impacto no Bolso do Cidadão
- Custo das eleições: MS gastará cerca de R$ 180 milhões com o processo eleitoral em 2026
- Fundo Eleitoral: Partidos receberão R$ 4,9 bilhões nacionalmente para campanhas
- Propaganda: Eleitor será exposto a milhares de inserções de TV, rádio e internet
- Decisão: O voto definirá quem administrará orçamento de R$ 22 bilhões (orçamento estadual 2026)
Análise do Bastidor Público
O cenário fragmentado é sintoma de crise de representação. Nenhum nome consegue agregar mais de um quarto do eleitorado, e a soma de brancos, nulos e indecisos (23%) supera qualquer candidato individualmente.
Riedel tem a vantagem da máquina, mas a avaliação mediana do governo limita seu potencial de crescimento. A estratégia de se apresentar como gestor técnico, distante da política tradicional, encontra resistência em um eleitorado que cobra mais presença e carisma.
Marquinhos Trad é incógnita. Ex-prefeito de Campo Grande com alta rejeição na capital, tenta se reinventar como alternativa ao governismo. A indefinição sobre qual cargo disputar prejudica sua consolidação.
Rose Modesto e Beto Pereira disputam o mesmo eleitorado de centro-direita. A fragmentação beneficia Riedel, que pode vencer no primeiro turno se a oposição não se unificar.
O dado mais preocupante é a rejeição aos partidos (82%). Indica eleitorado disponível para candidaturas antissistema, fenômeno que já produziu surpresas em eleições recentes no Brasil.
Próximos Passos
- Convenções: Partidos definirão candidaturas entre 20 de julho e 5 de agosto
- Campanha: Início oficial em 16 de agosto
- Primeiro turno: 4 de outubro de 2026
- Segundo turno: 25 de outubro (se necessário)
Perguntas Frequentes
A pesquisa pode mudar até a eleição?
Sim. Pesquisas capturam o momento. Eventos, alianças e campanhas podem alterar significativamente o cenário nos próximos meses.
Por que a rejeição é importante?
Candidato com alta rejeição tem "teto" de votos. Mesmo que cresça, parte do eleitorado não votará nele em hipótese alguma. Isso limita chances em segundo turno.
Quem financia as pesquisas?
Esta pesquisa foi financiada pelo próprio instituto, com fins de divulgação jornalística. Pesquisas encomendadas por partidos ou candidatos devem declarar o contratante no registro do TSE.
Fontes: Instituto de Pesquisa Regional — Registro TSE MS-00123/2026
