A Polícia Civil do Estado de Mato Grosso do Sul desencadeou, nas primeiras horas desta segunda-feira, 5 de outubro de 2026, a Operação Alvo Digital, uma ostensiva ação integrada entre a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo (DECON) e o Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO). O objetivo central da ofensiva foi desarticular uma estruturada organização criminosa especializada em estelionato eletrônico, invasão de dispositivos informáticos e lavagem de dinheiro que causou um prejuízo estimado em R$ 3,8 milhões a moradores e comerciantes dos municípios de Campo Grande, Dourados, Três Lagoas e Ponta Porã.
Durante o cumprimento de 14 mandados de prisão preventiva e 22 mandados de busca e apreensão expedidos pelas varas criminais especializadas da Capital, os policiais civis apreenderam dezenas de smartphones de última geração, computadores, cartões bancários em nome de terceiros, livros-caixa com anotações de contabilidade clandestina e cinco veículos de luxo adquiridos com recursos oriundos das fraudes. A operação mobilizou mais de 70 policiais civis e contou com o suporte técnico do Laboratório de Tecnologia contra a Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) da Sejusp-MS.
A Dinâmica Operacional e a Estrutura do Crime Cibernético
As investigações, que tiveram início há sete meses após uma escalada no registro de ocorrências de fraudes virtuais em Campo Grande e Dourados, revelaram uma divisão de tarefas extremamente sofisticada no interior do grupo criminoso. A quadrilha dividia-se em quatro núcleos operacionais bem definidos: engenharia social, suporte tecnológico, arregimentação de contas de laranjas e lavagem de ativos.
O núcleo de engenharia social utilizava bancos de dados vazados para mapear a rotina financeira e as redes de relacionamentos de vítimas de alto poder aquisitivo no estado. A partir dessas informações, os criminosos efetuavam a clonagem ou a criação de perfis falsos no aplicativo WhatsApp, utilizando fotos reais e nomes das vítimas para solicitar transferências bancárias de caráter urgente a parentes, sob a falsa alegação de problemas mecânicos em veículos, pagamentos de boletos vencidos ou oportunidades imperdíveis de investimento.
Paralelamente, o núcleo de arregimentação aliciava pessoas físicas em bairros periféricos de Campo Grande e Dourados para cederem suas contas bancárias mediante o pagamento de comissões que variavam entre 5% e 10% do valor movimentado. Essas contas de passagem eram utilizadas para pulverizar os recursos extorquidos em pouquíssimos minutos, dificultando o rastreamento imediato pelas instituições financeiras e pelos órgãos de fiscalização do Banco Central.
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| ESTRUTURA DA OPERAÇÃO ALVO DIGITAL - POLÍCIA CIVIL MS |
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| Mapeamento de Vítimas | Bancos de dados vazados e engenharia social direcionada|
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| Modalidades de Fraude | Golpe do Falso Parente (WhatsApp) e Leilões Fictícios |
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| Prejuízo Total Apurado | R$ 3,8 milhões em movimentações ilícitas comprovadas |
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| Cidades Atingidas em MS | Campo Grande, Dourados, Três Lagoas e Ponta Porã |
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| Efectivo Mobilizado | 70 Policiais Civis, DECON, DRACCO e LAB-LD/Sejusp |
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Declarações Oficiais e Ações de Ressarcimento
Em coletiva de imprensa realizada no auditório da Delegacia-Geral da Polícia Civil, em Campo Grande, as autoridades policiais destacaram a relevância de sufocar o braço financeiro das organizações criminosas que atuam no ambiente virtual.
"O crime cibernético não respeita limites geográficos, mas a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul tem investido pesadamente em tecnologia, inteligência e capacitação técnica para alcançar os operadores desses esquemas. O bloqueio dos bens e das contas bancárias dos envolvidos é a resposta mais efetiva para desmantelar a estrutura e garantir que o patrimônio dos cidadãos sul-mato-grossenses seja preservado", afirmou o delegado responsável pela condução da operação.
Além das prisões e apreensões materiais, a Justiça determinou o bloqueio imediato de contas bancárias, aplicações financeiras e chaves PIX de 35 pessoas físicas e jurídicas investigadas, acumulando o montante de R$ 3,8 milhões. Os valores bloqueados ficarão à disposição do Poder Judiciário para que, após o devido processo legal e o julgamento definitivo das ações penais, sejam destinados ao ressarcimento proporcional das vítimas que registraram ocorrência.
Balanço das Apreensões e Detalhamento Técnico
Os materiais recolhidos durante os cumprimentos de busca foram encaminhados para a perícia técnica do Instituto de Criminalística de Mato Grosso do Sul, onde passarão por extração de dados e análise forense minuciosa. O objetivo é identificar outros integrantes do esquema que atuavam como fornecedores de chips pré-pagos cadastrados em nomes de terceiros e operadores de softwares de mascaramento de IP (Internet Protocol).
| Categoria de Item Apreendido | Quantidade Registrada | Destino / Utilização no Inquérito |
|---|---|---|
| Smartphones e Tablets | 48 unidades | Perícia Forense Computacional (Dracco) |
| Computadores e Notebooks | 12 equipamentos | Análise de Logs e Bancos de Dados |
| Cartões Bancários de Terceiros | 85 unidades | Rastreamento de Contas de Laranjas |
| Veículos de Alto Valor | 5 automóveis | Sequestro de Bens e Avaliação Judicial |
| Documentos e Cadernos de Anotações | 30 volumes | Mapeamento de Contabilidade Paralela |
Orientações de Prevenção e Canais de Denúncia em MS
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul reitera a importância de a população adotar condutas preventivas rigorosas no ambiente digital. Entre as principais medidas recomendadas estão:
- Nunca realizar transferências sob pressão: Em caso de mensagem de parente solicitando dinheiro com urgência, desligue o aplicativo de mensagem e ligue diretamente para o número cadastrado na sua agenda telefônica tradicional.
- Ativação de Senhas Fortes: Utilize autenticação em dois fatores em todas as redes sociais e aplicativos bancários, evitando senhas óbvias associadas a datas de nascimento ou sequências numéricas simples.
- Desconfie de Vendas com Preços Muito Abaixo do Mercado: Páginas de leilões e redes sociais que oferecem veículos, eletrônicos ou eletrodomésticos com valores desproporcionais costumam ser iscas para captura de depósitos via PIX.
- Registro Rápido de Ocorrências: Ao identificar qualquer movimentação suspeita ou perda de acesso a contas pessoais, procure imediatamente a Delegacia de Polícia Civil mais próxima ou acesse o portal da Delegacia Virtual de MS (
devir.pc.ms.gov.br).
A Operação Alvo Digital prossegue com a análise dos documentos e equipamentos apreendidos, e novos desdobramentos não estão descartados nas próximas semanas, à medida que os laudos periciais confirmarem as conexões financeiras entre os operadores dos golpes em Mato Grosso do Sul.




