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Operação Corte Limpo do Gaeco e Polícia Civil Cumpre Mandados contra Fraudes em Licitações de MS

Ofensiva da Segurança Pública de Mato Grosso do Sul bloqueou R$ 5,2 milhões em bens de grupo acusado de direcionar contratos de suprimentos operacionais em Dourados, Ponta Porã e Naviraí.

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Por Redação Bastidor Público
Publicado em 6 de outubro de 2026 às 00:00
4 min de leitura
WFXT
Promotores do Gaeco e agentes da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul organizam documentos e mídias apreendidas durante o cumprimento de mandados da Operação Corte Limpo.
Promotores do Gaeco e agentes da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul organizam documentos e mídias apreendidas durante o cumprimento de mandados da Operação Corte Limpo.

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), em ação conjunta com a Polícia Civil do Estado de Mato Grosso do Sul e com o suporte técnico da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS), deflagrou na manhã desta terça-feira, 6 de outubro de 2026, a Operação Corte Limpo. A ofensiva cumpriu 18 mandados de busca e apreensão e ordens de sequestro de bens expedidos pelo Poder Judiciário nos municípios de Dourados, Ponta Porã, Naviraí, Maracaju e na Capital, Campo Grande.

O objetivo central da investigação é estancar um fraudulento esquema de direcionamento de procedimentos licitatórios, adulteração de planilhas de custos e lavagem de capitais que atuava na contratação de serviços de manutenção de maquinários pesados, fornecimento de peças de reposição e locação de veículos operacionais. As estimativas da auditoria fiscal apontam que o grupo criminoso movimentou ilegalmente mais de R$ 5,2 milhões em certames públicos realizados nos últimos três anos no interior sul-mato-grossense.

Mapeamento do Modus Operandi e Conluio entre Empresas

As apurações iniciaram-se a partir de relatórios de inteligência financeira encaminhados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e de auditorias cruzadas promovidas pela Controladoria-Geral do Estado (CGE-MS). Ficou demonstrado que um grupo de empresários do setor de autopeças e serviços mecânicos estabeleceu um cartel clandestino para dominar os lotes de licitações públicas na Região da Grande Dourados e Faixa de Fronteira.

O mecanismo utilizado consistia na apresentação de propostas de fachada por empresas vinculadas aos mesmos operadores ou laranjas, simulando uma disputa concorrencial inexistente. Uma das firmas apresentava um valor propositadamente inflacionado para que a empresa previamente escolhida pelo esquema sagrasse-se vencedora com preços no limite máximo do orçamento estimado. Após o recebimento das ordens de pagamento públicas, os recursos eram pulverizados em contas de terceiros e aplicados na aquisição de imóveis rurais e veículos de alto padrão.

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|               ESTRUTURA DA OPERAÇÃO CORTE LIMPO - GAECO & POLÍCIA CIVIL MS         |
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| Objetivo Principal       | Combate a fraudes em licitações e lavagem de dinheiro  |
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| Bloqueio Judicial        | R$ 5,2 milhões em bens, imóveis e contas bancárias     |
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| Cidades Com Mandados     | Dourados, Ponta Porã, Naviraí, Maracaju e Campo Grande |
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| Cautelares Aplicadas     | Proibição de licitar, retenção de passaportes e busca  |
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| Órgãos de Suporte        | Sejusp-MS, CGE-MS, LAB-LD e Perícia Criminal (PCMS)    |
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Declarações das Autoridades e Sequestro de Bens

Em nota oficial conjunta divulgada no final da manhã, os promotores de Justiça integrantes do Gaeco e os delegados encarregados dos cumprimentos operacionais ressaltaram a relevância de erradicar o loteamento ilegal de verbas públicas em serviços essenciais do interior.

"A Operação Corte Limpo demonstra que o Estado de Mato Grosso do Sul não tolera o loteamento de licitações públicas. O bloqueio cautelar de R$ 5,2 milhões assegura que os valores subtraídos da sociedade retornem aos cofres públicos. Não basta identificar os operadores; é indispensável desarticular a estrutura patrimonial consolidada a partir de atos ilícitos", afirmou o coordenador do Gaeco-MS.

Durante as buscas realizadas nas sedes das empresas investigadas e nos endereços residenciais dos sócios administradores, os agentes apreenderam mídias digitais, discos rígidos, livros contábeis com anotações de repasses ilícitos, R$ 145 mil em espécie e quatro veículos comerciais de grande porte utilizados nas operações das firmas de fachada.

Categoria de Material Apreendido Volume Registrado Utilização no Inquérito Policial
Dispositivos Eletrônicos (Smartphones/HDs) 34 unidades Extração forense de mensagens e e-mails
Documentos Contábeis e Licitatórios 28 volumes Cruzamento de orçamentos e planilhas
Dinheiro em Espécie (Moeda Nacional) R$ 145.000,00 Depósito judicial e perícia de origem
Veículos e Maquinários Sequestrados 4 automotores Garantia de ressarcimento aos cofres de MS
Mídias de Câmeras e Servidores 8 equipamentos Mapeamento de reuniões presenciais dos investigados

Medidas de Transparência e Próximos Desdobramentos

As empresas diretamente implicadas no esquema tiveram o registro cadastral suspenso temporariamente no Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores de Mato Grosso do Sul, ficando impedidas de assinar novos aditivos ou participar de disputas licitatórias em todo o território estadual.

O Ministério Público de MS informou que os documentos recolhidos passarão por triagem pericial minuciosa no Laboratório de Tecnologia contra a Lavagem de Dinheiro (LAB-LD). Os investigados responderão pelos crimes de frustração do caráter competitivo de licitação, organização criminosa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, cujas penas somadas podem ultrapassar 18 anos de reclusão. As prefeituras envolvidas instauraram procedimentos administrativos correspectivos para apurar a conduta de servidores públicos eventualmente aliciados pela organização criminosa.

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