A trágica morte da ex-deputada estadual e ex-vereadora Grazielle Machado, ocorrida em junho de 2026, deu início a uma complexa batalha jurídica de repercussão política na capital sul-mato-grossense. O deputado estadual e decano da Assembleia Legislativa (Alems), Londres Machado, junto com sua esposa, Ilda Salgado Machado, travam uma disputa judicial contra o genro e viúvo, Daniel de Oliveira Azevedo. O litígio envolve a posse e a permanência no apartamento de alto padrão onde o casal residia, no Edifício Lyon, em Campo Grande.
O viúvo recorreu ao Poder Judiciário solicitando uma liminar de manutenção de posse para assegurar sua moradia no imóvel de 400 metros quadrados, após ser notificado extrajudicialmente pelos sogros para desocupar o local em um prazo de dez dias. O caso expõe divergências familiares e patrimoniais em meio ao andamento do processo de inventário da ex-parlamentar.
O Que Aconteceu
Conforme dados que constam na petição inicial do processo de manutenção de posse, o apartamento de 400 m² no Edifício Lyon está registrado em nome de Londres Machado e de Ilda Salgado Machado, tendo sido adquirido em 1998 e registrado no ano 2000. Daniel de Oliveira Azevedo alega que viveu no apartamento com Grazielle Machado nos últimos 25 anos, período em que constituíram família e criaram seus filhos, sem nunca terem pago aluguel ou sofrido qualquer tipo de cobrança de aluguéis ou taxas por parte dos proprietários formais.
Após o falecimento de Grazielle em junho, os sogros enviaram uma notificação extrajudicial estipulando o prazo de dez dias para que Daniel desocupasse voluntariamente o apartamento. Diante disso, o viúvo ingressou com ação judicial de urgência, pedindo que a Justiça garanta sua permanência no local e fixe uma multa diária caso haja tentativa de expulsão forçada, corte de serviços ou troca de fechaduras do condomínio de alto padrão.
Por outro lado, a defesa de Londres e Ilda Machado argumenta que a notificação extrajudicial constitui um procedimento legal padrão de retomada de imóvel próprio e que nunca houve atos de coação física ou expulsão forçada. Os sogros alegam que o apartamento pertencia ao patrimônio pessoal do casal e havia sido cedido à filha apenas sob comodato verbal gratuito para moradia temporária familiar, não compondo o espólio oficial de bens herdados de Grazielle Machado.
Contexto e Histórico
Grazielle Machado foi uma das figuras proeminentes da política de Mato Grosso do Sul, exercendo mandatos como vereadora em Campo Grande e deputada estadual na Assembleia Legislativa de MS. Ela era filha de Londres Machado, político recordista de mandatos eletivos no Brasil, cuja influência na articulação do governo de MS estende-se por décadas.
O cenário judicial de Mato Grosso do Sul e as disputas de inventário integram a cobertura diária. Os leitores podem aprofundar-se nos bastidores judiciais do estado acessando a matéria sobre a extinção de ação popular contra o ex-prefeito Alcides Bernal pelo TJMS, ou ler sobre as investigações do MPMS a respeito de fraudes imobiliárias e omissão em Coxim. Da mesma forma, ações policiais em áreas nobres e no trânsito urbano fazem parte das notícias constantes, como as operações em que o Choque apreendeu arsenal no Jardim Centro-Oeste e a ocorrência onde um idoso foi baleado por vingança no Jardim Noroeste, mostrando o dinamismo da segurança e do judiciário.
Com a autorização de abertura do inventário, o Tribunal de Justiça nomeou o deputado Londres Machado como inventariante oficial dos bens de Grazielle. A decisão judicial levou em conta a concordância prévia do genro e viúvo quanto à guarda provisória dos filhos menores de idade, que ficou sob a responsabilidade dos avós maternos devido à transição familiar pós-óbito.
Impacto Para a População
O embate patrimonial no Edifício Lyon atrai a atenção de analistas políticos e juristas de Mato Grosso do Sul devido à projeção pública da família Machado. A ação discute limites do direito de propriedade, as regras contratuais de comodato familiar gratuito e os direitos sucessórios do cônjuge sobrevivente em imóveis registrados sob a titularidade de terceiros.
A tabela a seguir apresenta os principais dados e a estrutura patrimonial envolvidos na ação possessória em trâmite no TJMS:
| Detalhes do Imóvel e Ação Possessória | Especificação Técnica | Situação Processual no TJMS |
|---|---|---|
| Localização do Imóvel | Edifício Lyon (Região Nobre de Campo Grande) | Objeto de disputa de posse |
| Área Útil do Apartamento | 400 m² de alto padrão | Registrado em nome de Londres Machado |
| Tempo de Ocupação Familiar | Aproximadamente 25 anos | Sem cobrança de aluguéis prévios |
| Prazo de Desocupação Exigido | 10 dias úteis | Notificação extrajudicial efetuada |
| Pedido Judicial do Viúvo | Liminar de Manutenção de Posse | Sob análise da Vara Cível de Campo Grande |
| Inventariante Oficial Nomeado | Deputado Estadual Londres Machado | Determinado com anuência familiar |
O Que Dizem os Envolvidos
Os advogados de Daniel de Oliveira Azevedo sustentam que a retirada abrupta do viúvo prejudicaria a estabilidade emocional dos filhos e o andamento regular da partilha de bens.
"Nosso cliente residiu no apartamento por mais de duas décadas de forma mansa e pacífica. O imóvel abrigou a família construída por Grazielle e Daniel. A discussão sobre a quem pertence o apartamento e se ele deve ou não ser integrado ao espólio da falecida deve transcorrer sem medidas drásticas de desocupação, aguardando as decisões das varas de órfãos e sucessões que conduzem o inventário." — Defesa do Viúvo.
A assessoria jurídica do casal Londres e Ilda Machado enfatizou a legalidade da propriedade e o direito de posse dos proprietários legítimos registrados no cartório.
"O apartamento no Edifício Lyon pertence a Londres Machado e Ilda Machado, conforme certidão de registro de imóveis incontestável. Nunca houve doação formalizada para a falecida filha. O comodato verbal extingue-se com a notificação do proprietário. Daniel foi notificado de maneira civilizada e dentro dos prazos legais para buscar outra moradia de sua escolha. Não há agressão possessória ou assédio, apenas o exercício regular do direito de propriedade." — Defesa dos Sogros.
Próximos Passos
O juiz da Vara Cível de Campo Grande intimou as partes para que apresentem provas adicionais e manifestações escritas nas próximas duas semanas. O pedido de concessão da liminar de manutenção de posse do viúvo aguarda a juntada de manifestações da defesa do deputado Londres Machado antes de receber a decisão interlocutória definitiva de primeira instância.
Em paralelo, a tramitação do inventário corre sob segredo de Justiça para preservar o interesse dos filhos menores de idade e a privacidade patrimonial da família.
Fechamento
O portal Bastidor Público continuará monitorando as principais decisões do Tribunal de Justiça de MS e os bastidores políticos que cercam os grandes nomes do estado. A disputa civil pelo luxuoso apartamento no Edifício Lyon exemplifica como questões de herança familiar e direitos reais de posse exigem análise minuciosa por parte das cortes judiciais do estado.
A busca por soluções equilibradas nas disputas sucessórias é indispensável para assegurar a harmonia familiar e a legalidade das transações de bens imóveis no estado de Mato Grosso do Sul.




