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Portal da Transparência de MS opera com dados desatualizados há 90 dias

Levantamento do Bastidor Público revela que informações sobre contratos, despesas e folha de pagamento não são atualizadas desde dezembro de 2025. Situação configura descumprimento da LAI.

Redação Bastidor Público23 de março de 20268 min de leituraCampo Grande1100 palavras
Tela de dashboard de dados governamentais com lupa de investigação — Foto: Bastidor Público/Reprodução
Tela de dashboard de dados governamentais com lupa de investigação — Foto: Bastidor Público/Reprodução

Portal da Transparência de MS está desatualizado há 90 dias

Levantamento realizado pelo Bastidor Público entre os dias 15 e 20 de março de 2026 revela que o Portal da Transparência do Governo de Mato Grosso do Sul opera com dados desatualizados há aproximadamente 90 dias. Informações sobre contratos vigentes, despesas realizadas e folha de pagamento do funcionalismo não são atualizadas desde dezembro de 2025.

A Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/2011) e a Lei Complementar 131/2009 determinam que dados de execução orçamentária e financeira devem ser atualizados em tempo real ou, no máximo, mensalmente. A desatualização de 90 dias configura descumprimento da legislação federal e pode resultar em sanções ao gestor responsável.

O Que Está Desatualizado

A análise detalhada do portal identificou atrasos significativos em múltiplas seções críticas:

Seção do Portal Última Atualização Atraso Exigência Legal
Contratos vigentes 15/dez/2025 95 dias Tempo real
Despesas realizadas 30/nov/2025 110 dias Tempo real
Folha de pagamento 31/out/2025 140 dias Mensal
Licitações em andamento 15/jan/2026 65 dias Tempo real
Receitas arrecadadas 28/fev/2026 20 dias Mensal
Transferências federais 28/fev/2026 20 dias Mensal
Convênios 30/nov/2025 110 dias Mensal

Das sete seções analisadas, cinco apresentam atraso superior a 60 dias. A folha de pagamento, com 140 dias de defasagem, é o caso mais grave: os dados disponíveis se referem a outubro de 2025, quatro meses atrás.

Comparativo com Outros Estados

A situação de MS destoa significativamente de outros estados da região Centro-Oeste:

Estado Despesas (atraso) Folha (atraso) Contratos (atraso) Nota CGU (2025)
MS 110 dias 140 dias 95 dias 5,8/10
Goiás 5 dias 15 dias Tempo real 8,2/10
Mato Grosso 12 dias 20 dias 8 dias 7,6/10
Distrito Federal Tempo real 10 dias Tempo real 9,1/10

MS ocupa a última posição na região e está entre os 10 piores estados do país no ranking de transparência da Controladoria-Geral da União, com nota 5,8 em 10.

Contexto

A Controladoria-Geral do Estado informou que a desatualização se deve a uma "migração de sistemas" iniciada em janeiro de 2026. Segundo a CGE, o novo sistema deveria estar operacional em fevereiro, mas enfrentou "problemas técnicos" que atrasaram a implementação. A previsão atual é de normalização até abril de 2026.

Servidores da CGE, ouvidos pela reportagem sob condição de anonimato, contestam a versão oficial. Segundo eles, a migração foi planejada sem cronograma de contingência e a equipe técnica é insuficiente — apenas três servidores são responsáveis por manter o portal que deveria exibir dados de mais de 30 órgãos estaduais.

O problema não é novo. Em 2023, o portal ficou fora do ar por 45 dias durante uma atualização anterior, e em 2024 a seção de contratos ficou desatualizada por 60 dias.

Impacto no Bolso do Cidadão

A opacidade do portal tem custos concretos que afetam diretamente o contribuinte:

  • Sem dados de contratos por 95 dias, a sociedade civil não pode monitorar R$ 1,8 bilhão em contratos estaduais vigentes — o equivalente a R$ 640 por habitante de MS que estão sendo gastos sem fiscalização pública
  • Sem folha de pagamento por 140 dias, não é possível verificar se os R$ 890 milhões mensais pagos a servidores — R$ 316 por habitante/mês — estão sendo executados corretamente
  • Sem dados de despesas por 110 dias, organizações de controle social ficam impedidas de identificar sobrepreço e irregularidades em tempo hábil, quando a correção ainda é possível
  • Historicamente, portais com atrasos superiores a 60 dias apresentam 3x mais irregularidades identificadas em auditorias do TCE, segundo levantamento do próprio tribunal

O Que Dizem as Partes

A Controladoria-Geral do Estado, em nota oficial, afirmou que "a migração de sistemas está em fase final e a normalização do portal está prevista para o mês de abril de 2026. A CGE reitera seu compromisso com a transparência pública".

O Ministério Público Estadual foi notificado pelo Bastidor Público sobre a situação e informou que "está analisando a denúncia e tomará as providências cabíveis, incluindo a possível instauração de inquérito civil".

O vereador presidente da Comissão de Fiscalização da Câmara de Campo Grande declarou que "a desatualização do portal é gravíssima e será objeto de audiência pública na Câmara".

Análise do Bastidor Público

A justificativa de "migração de sistemas" é recorrente e insuficiente. Um governo estadual que administra um orçamento anual de R$ 22 bilhões tem a obrigação de planejar migrações tecnológicas sem interromper o acesso público aos dados. A continuidade da transparência deveria ser requisito inegociável de qualquer projeto de TI governamental.

A comparação com outros estados da região mostra que o problema não é técnico — é de prioridade. Goiás e Mato Grosso, com orçamentos proporcionais, mantêm seus portais atualizados em tempo real ou com atrasos mínimos.

O padrão de desatualizações recorrentes (2023, 2024, 2026) sugere um problema sistêmico que vai além de falhas pontuais e aponta para a necessidade de reformulação completa da política de transparência do estado.

Próximos Passos

  • Normalização prometida pela CGE: abril de 2026
  • Possível instauração de inquérito civil pelo MP-MS: em análise
  • Audiência pública na Câmara de Campo Grande: a ser agendada
  • Publicação do ranking de transparência da CGU 2026: maio de 2026

Perguntas Frequentes

Por que o Portal da Transparência de MS está desatualizado?

A Controladoria-Geral do Estado informou que a desatualização se deve a uma "migração de sistemas" iniciada em janeiro de 2026. Segundo a CGE, o novo sistema deveria estar operacional em fevereiro, mas enfrentou "problemas técnicos" que atrasaram a implementação. Servidores da CGE contestam a versão, afirmando que a mistura foi planejada sem cronograma de contingência e com equipe técnica insuficiente — apenas três servidores mantêm o portal de mais de 30 órgãos.

Quais dados estão desatualizados no portal?

As seções mais afetadas são: folha de pagamento (dados de outubro/2025, 140 dias de atraso), despesas realizadas (novembro/2025, 110 dias), contratos vigentes (dezembro/2025, 95 dias), convênios (novembro/2025, 110 dias) e licitações (janeiro/2026, 65 dias). Receitas e transferências federais têm atrasos menores (20 dias). No total, R$ 1,8 bilhão em contratos e R$ 890 milhões mensais em folha de pagamento estão sem monitoramento público.

A desatualização do portal é ilegal?

Sim. A Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/2011) e a Lei Complementar 131/2009 determinam que dados de execução orçamentária e financeira devem ser disponibilizados em tempo real. A desatualização de 90 a 140 dias configura descumprimento da legislação federal e pode resultar em sanções ao gestor responsável, incluindo suspensão de transferências voluntárias da União e responsabilização administrativa individual.

Como MS se compara com outros estados em transparência?

Na região Centro-Oeste, MS ocupa a última posição. Enquanto o DF mantém dados em tempo real (nota 9,1/10 na CGU), Goiás com atraso máximo de 5 dias (8,2/10) e MT com 12 dias (7,6/10), MS apresenta atrasos de até 140 dias e nota 5,8/10. Nacionalmente, MS está entre os 10 estados com pior avaliação em transparência pública.


Fontes: Portal da Transparência do Governo de MS (acessado em 20/03/2026), Controladoria-Geral do Estado de MS (Nota Oficial), Controladoria-Geral da União (Ranking de Transparência 2025), Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/2011), Lei Complementar 131/2009

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Atualizado em 24 de março de 2026 às 00:00
Fonte: Apuração Bastidor Público
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Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.

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