O deputado federal Dagoberto Nogueira oficializou sua filiação ao Partido Progressistas (PP) na noite de 31 de março de 2026, em um ato político realizado em Campo Grande. O evento reuniu as principais lideranças do partido no estado, incluindo o governador Eduardo Riedel e a senadora Tereza Cristina, presidente estadual da legenda, consolidando uma movimentação que vinha sendo articulada nos bastidores da política sul-mato-grossense há pelo menos dois meses.
A saída de Dagoberto do PSDB, partido no qual construiu parte de sua trajetória legislativa, foi motivada, segundo o próprio parlamentar, por divergências internas e pela percepção de que a sigla perdeu representatividade no Congresso Nacional. A migração ocorreu dentro da janela partidária de 2026, período legal em que parlamentares podem trocar de legenda sem incorrer em perda de mandato por infidelidade partidária.
O contexto da filiação
A entrada de Dagoberto Nogueira no PP não é um movimento isolado. Ela faz parte de uma estratégia mais ampla de reestruturação do partido em Mato Grosso do Sul, liderada pela senadora Tereza Cristina com o objetivo de fortalecer as chapas proporcionais e majoritárias para as eleições de outubro de 2026.
O PP, que governa o estado com Eduardo Riedel, busca ampliar sua bancada na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa. Com a adesão de Dagoberto, o partido ganha um nome com experiência legislativa consolidada — o deputado está em seu segundo mandato federal e possui base eleitoral significativa no interior do estado, especialmente na região da Grande Dourados.
A cerimônia de filiação contou também com a presença do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), o que reforça a aliança estratégica entre PP e PL no estado. Azambuja, que é pré-candidato ao Senado, demonstrou com sua presença que a coalizão de centro-direita em MS está operando de forma coordenada visando outubro.
Federação União Progressista
Um dos pontos mais relevantes da movimentação política recente em MS é a formalização da federação partidária entre o PP e o União Brasil, denominada "União Progressista". Aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a federação permite que os dois partidos operem como uma única legenda nas eleições, compartilhando coligações e fortalecendo as chapas proporcionais.
Para o PP, a federação amplia o espectro de alianças: o União Brasil, presidido no estado por Rose Modesto, trouxe para seus quadros nomes como o deputado estadual Professor Rinaldo e o ex-presidente do TCE-MS, Jerson Domingos. Juntos, PP e União Brasil projetam eleger pelo menos dois deputados federais e seis deputados estaduais em 2026.
A estratégia é clara: montar chapas competitivas que maximizem o quociente eleitoral, garantindo representatividade tanto na esfera federal quanto na estadual. Para Dagoberto, a federação oferece uma plataforma mais robusta do que o PSDB fragmentado poderia proporcionar.
Por que Dagoberto deixou o PSDB
O PSDB de Mato Grosso do Sul vive um processo de esvaziamento acelerado. O partido que elegeu Eduardo Riedel governador em 2022 perdeu, na janela de 2026, vários de seus quadros mais expressivos para legendas com maior potencial eleitoral.
Dagoberto Nogueira citou três razões principais para sua saída:
| Motivo | Detalhamento |
|---|---|
| Perda de representatividade | O PSDB reduziu drasticamente sua bancada federal nos últimos ciclos eleitorais |
| Divergências internas | Falta de consenso sobre a direção política da legenda no estado |
| Estrutura insuficiente | O partido não oferecia suporte logístico e financeiro competitivo para a campanha de 2026 |
A debandada tucana não se limita a Dagoberto. Na Assembleia Legislativa, três deputados estaduais — Paulo Corrêa, Mara Caseiro e Zé Teixeira — migraram para o PL no mesmo período, reduzindo a bancada do PSDB a apenas dois parlamentares.
Consequências para o eleitor
Com o PP fortalecido, a distribuição de emendas ao orçamento da União tende a priorizar projetos alinhados ao governo estadual, o que pode beneficiar investimentos em infraestrutura e agronegócio em MS. Um partido governista forte facilita a tramitação de projetos importantes para o estado no Congresso, como a renovação do Fundersul e os incentivos fiscais para a agroindústria.
Mais cargos de primeiro e segundo escalão tendem a ser distribuídos ao PP, o que pode aumentar o custo administrativo do governo. Bancadas alinhadas ao governo tendem a fiscalizar menos — risco de menor controle sobre gastos e contratos públicos.
As convenções partidárias do PP e União Brasil ocorrem entre julho e agosto de 2026, com definição oficial de candidatos ao Senado e governo até agosto. O prazo final de regularização eleitoral em MS é 6 de maio de 2026, e as eleições gerais ocorrem em outubro.
Fonte: Capital News, Campo Grande News, MS Urgente, Correio do Estado
