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Chikungunya em MS já soma 12 mortes e mais de 5 mil casos em 2026

Boletim epidemiológico da SES aponta crescimento de 40% nos casos prováveis na última semana. Dourados concentra 60% dos óbitos. Governo amplia fumacê em 15 municípios.

Redação Bastidor Público18 de abril de 20268 min de leituraCampo Grande732 palavras
Chikungunya em MS já soma 12 mortes e mais de 5 mil casos em 2026

O Que Aconteceu

O boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS) neste sábado (18 de abril) confirma que Mato Grosso do Sul acumula 5.352 casos prováveis e 12 óbitos por chikungunya em 2026. Os números representam um aumento de 40% nos casos prováveis em relação à semana anterior.

Dourados segue como o epicentro da crise, concentrando 7 dos 12 óbitos confirmados — o equivalente a 60% das mortes no estado. O município já ultrapassa a marca de 2 mil notificações, o maior número proporcional à população entre os municípios de MS.

Perfil das Vítimas

A maioria dos óbitos envolve pacientes acima de 60 anos com comorbidades prévias — especialmente hipertensão, diabetes e doenças renais. A chikungunya, diferente da dengue, tem potencial de causar dores articulares crônicas que podem persistir por meses após a infecção.

"A chikungunya não é uma doença benigna. Em idosos com comorbidades, o risco de complicações é real e a evolução pode ser rápida."

A declaração é de infectologista da SES-MS.

Ações do Governo

O governo estadual anunciou a ampliação das operações de fumacê para 15 municípios, incluindo Dourados, Campo Grande, Ponta Porã, Naviraí e Maracaju. As equipes de agentes de endemias foram reforçadas com a contratação emergencial de 120 profissionais temporários.

A SES também mantém campanha de vacinação contra dengue para o público de 10 a 14 anos, com 223 mil doses aplicadas até o momento — embora não exista vacina disponível para chikungunya.

Dengue sob Controle Relativo

Enquanto a chikungunya avança, a dengue apresenta números menores em 2026: 3.266 casos prováveis e 469 confirmados, sem óbitos registrados. A SES atribui a menor incidência à vacinação e às campanhas de eliminação de criadouros realizadas no início do ano.

O Que Esperar

A previsão do Cemtec de chuvas irregulares nas próximas semanas pode favorecer novos focos do mosquito Aedes aegypti. A SES recomenda que a população mantenha a eliminação de água parada e procure unidades de saúde ao apresentar febre alta, dores articulares e manchas vermelhas na pele.

Comparação com Anos Anteriores

Os números de 2026 representam um salto expressivo em relação ao histórico recente. Em 2025, o estado inteiro registrou 1.870 casos de chikungunya e 3 óbitos ao longo de todo o ano. O crescimento de quase 186% nos casos em apenas quatro meses indica uma mudança no padrão epidemiológico, com a chikungunya substituindo a dengue como principal arbovirose em MS.

Especialistas atribuem a escalada a dois fatores: a circulação de um novo genótipo do vírus (ECSA — East-Central-South-African), mais agressivo e com maior potencial de causar formas graves, e a baixa imunidade coletiva da população sul-mato-grossense, que historicamente enfrentou surtos predominantemente de dengue.

Impacto Econômico nos Municípios

A epidemia de chikungunya tem impacto direto nos cofres municipais e na economia local. A SES estima que o custo médio de atendimento por paciente grave de chikungunya é de R$ 4.200, considerando internação, exames e acompanhamento ambulatorial. Com mais de 5 mil casos prováveis, o gasto estimado no sistema de saúde pública já ultrapassa R$ 22 milhões em 2026.

Em Dourados, o epicentro da crise, o impacto vai além da saúde. Comerciantes relatam queda no movimento em áreas centrais, e a prefeitura precisou remanejar R$ 3,8 milhões de outras áreas do orçamento para reforçar o combate à epidemia. O absenteísmo no trabalho por causa das dores articulares crônicas — sintoma característico da chikungunya — também preocupa o setor produtivo.

Orientações de Tratamento

A SES reforça que não existe tratamento antiviral específico para chikungunya. O manejo é sintomático, baseado em hidratação, repouso e uso de analgésicos. A orientação é categórica: não usar anti-inflamatórios (como ibuprofeno e aspirina) nos primeiros 14 dias de sintomas, pois podem agravar o quadro em caso de coinfecção com dengue.

Para pacientes com dores articulares persistentes — condição que pode durar de 3 meses a 2 anos após a infecção —, a SES recomenda acompanhamento com reumatologista e fisioterapia. O estado ampliou em 40% as vagas de fisioterapia pelo SUS em Dourados e Campo Grande para atender a demanda crescente.

Cenário Nacional

O Brasil registra em 2026 o maior surto de chikungunya desde a chegada do vírus ao país em 2014. O Ministério da Saúde contabiliza mais de 380 mil casos prováveis e 245 óbitos em todo o território nacional até abril. Os estados mais afetados são Minas Gerais, Bahia e Mato Grosso do Sul, com a região Centro-Oeste apresentando o maior crescimento percentual de casos.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) incluiu o Brasil na lista de países com alerta epidemiológico ativo para chikungunya, recomendando vigilância reforçada em aeroportos e fronteiras.

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Publicado em 18 de abril de 2026 às 00:00
Fonte: Rádio Caçula (radiocacula.com.br)
RB
Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.

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