MS Registra 13ª Morte por Chikungunya com Epidemia Atingindo 7,5 Mil Casos
Mato Grosso do Sul confirmou nesta quinta-feira, 24 de abril, a 13ª morte por chikungunya no estado em 2026, enquanto o total de casos no mês ultrapassa 7.500 confirmações — número que coloca MS como um dos estados com maior incidência da doença no país neste período.
A vítima mais recente é um homem de 54 anos, residente em Dourados, que deu entrada no hospital local no último fim de semana com quadro grave de chikungunya hemorrágica e não resistiu. A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS) confirmou o óbito após análise laboratorial.

O Que Aconteceu
O boletim epidemiológico desta quinta-feira da SES-MS revela um quadro preocupante:
- 7.547 casos de chikungunya confirmados em abril (até 23/04)
- 13 mortes associadas à doença no mês
- 47 municípios em situação de alerta epidemiológico
- Dourados concentra 2.300 casos — quase 30% do total estadual
- Taxa de letalidade: 0,17% — acima da média histórica nacional (0,08%)
A curva epidêmica ainda não atingiu o pico, segundo especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que monitora a situação em MS. A projeção é de que o estado possa chegar a 15.000 casos até o fim de abril.
Contexto
O surto de 2026 é o mais grave já registrado em Mato Grosso do Sul. O estado não tinha histórico de mortalidade expressiva por chikungunya — as epidemias anteriores (2016 e 2020) resultaram em, respectivamente, 2 e 4 mortes.
A hipótese dos epidemiologistas é que o vírus circulante em 2026 seja uma cepa mais virulenta do tipo ECSA (East/Central/South African), que tem maior associação com formas graves da doença, incluindo manifestações cardíacas e neurológicas. O sequenciamento genômico dos casos fatais está sendo realizado pelo Lacen-MS.
Impacto na Gestão Pública
| Aspecto | Dado |
|---|---|
| Casos confirmados em abril/2026 | 7.547 |
| Mortes por chikungunya | 13 |
| Municípios em alerta | 47 de 79 |
| Dourados — incidência | 1.045/100 mil hab. |
| Profissionais de saúde adoecidos | +180 |
| UBSs em sobrecarga no estado | 34 |
O Que Dizem as Partes
A SES-MS confirmou que vai solicitar ao Ministério da Saúde a declaração de situação de emergência em saúde pública para Mato Grosso do Sul — o que abriria acesso a recursos federais de contingência e permitiria contratações emergenciais sem licitação.
O Ministério da Saúde enviará uma equipe do CIEVS (Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde) a Campo Grande na próxima semana para avaliação in loco.
O Conselho Regional de Medicina de MS (CRM-MS) emitiu nota de alerta para médicos sobre o perfil diferente do surto atual: "Estamos vendo formas atípicas, com comprometimento cardíaco e neurológico. Todos os casos graves devem ser internados e monitorados."
Análise do Bastidor Público
O apurou o Bastidor Público que a 13ª vítima não tinha comorbidades registradas — um dado que rompe o padrão dos óbitos anteriores e sugere que a cepa circulante pode ser mais agressiva do que o habitual.
Nos bastidores do governo estadual, há preocupação crescente com o impacto da epidemia na rede de saúde. A Associação Matogrossense dos Hospitais (AMH) alertou que hospitais de média complexidade no interior estão operando 40% acima da capacidade nos setores de emergência.
A situação também tem implicações políticas: a epidemia de chikungunya se tornou um dos principais temas de crítica da oposição ao governo Riedel, que é cobrado pela demora na resposta estadual.
Próximos Passos
A SES-MS deve formalmente solicitar a emergência sanitária federal ainda nesta semana. O governo estadual vai realizar fumacê aéreo em bairros de Dourados a partir de segunda-feira, em parceria com o Ministério da Defesa.
A população de Campo Grande e Dourados é orientada a eliminar qualquer recipiente com água parada, usar repelente e procurar atendimento médico imediato ao surgir os primeiros sintomas.
Fontes: Campo Grande News · SES-MS (boletim epidemiológico 24/04) · CRM-MS · Fiocruz
