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Advogada Carla Bernal assume MDB Mulher de Campo Grande e mira formação de lideranças para 2026

Posse ocorreu em solenidade na quarta-feira. Núcleo feminino do MDB quer ampliar participação de mulheres na política de MS.

Redação Bastidor Público16 de abril de 20268 min de leituraCampo Grande1628 palavras
Advogada Carla Bernal assume MDB Mulher de Campo Grande e mira formação de lideranças para 2026

O Que Aconteceu

A advogada Carla Bernal tomou posse como presidente do MDB Mulher de Campo Grande em solenidade realizada na quarta-feira (15 de abril). A vice-presidência ficou com Maritza Cogo. O evento reuniu dirigentes partidários, filiadas e representantes de movimentos de mulheres na capital.

A missão declarada da nova diretoria é ampliar a participação feminina na política de Mato Grosso do Sul, com foco em dois eixos: formação de lideranças e articulação de candidaturas competitivas para as eleições de 2026. O MDB Mulher pretende funcionar como espaço de debate sobre políticas públicas para mulheres e como porta de entrada para novas filiadas ao partido.

A posse ocorre em um momento de reorganização do MDB em MS. A saída da senadora Simone Tebet do partido, em 2025, encerrou um ciclo de décadas da família Tebet na política sul-mato-grossense pelo MDB. O vazio deixado pela ex-senadora — que foi candidata à Presidência da República em 2022 e ministra do Planejamento no governo Lula — ainda não foi preenchido.

Contexto e Histórico

O MDB de Mato Grosso do Sul foi, durante três décadas, sinônimo da família Tebet. Ramez Tebet governou o estado e presidiu o Senado Federal. Simone Tebet herdou o capital político do pai e construiu trajetória própria: foi vereadora em Três Lagoas, deputada estadual, senadora e candidata à Presidência. Sua saída do MDB, descrita por interlocutores como motivada por mágoa com a direção nacional do partido, representou uma ruptura que o diretório estadual ainda tenta absorver.

Sem Simone, o MDB em MS perdeu sua principal liderança feminina e uma das figuras de maior projeção nacional. O partido mantém estrutura nos 79 municípios do estado, mas carece de nomes com visibilidade para disputar cargos majoritários em 2026. A reorganização do MDB Mulher em Campo Grande é parte de uma estratégia mais ampla de reconstrução da base partidária.

A participação feminina na política brasileira avançou em termos legais, mas os números continuam baixos. A legislação eleitoral exige que partidos destinem ao menos 30% das candidaturas e 30% do fundo eleitoral a mulheres. Na prática, muitas candidaturas femininas são lançadas apenas para cumprir a cota, sem investimento real de campanha. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) endureceu a fiscalização nos últimos ciclos eleitorais, cassando chapas que usaram candidaturas fictícias de mulheres — as chamadas "candidatas laranjas".

Em Mato Grosso do Sul, o cenário reflete a média nacional. Na Assembleia Legislativa, mulheres ocupam menos de 15% das 24 cadeiras. Na Câmara Municipal de Campo Grande, a proporção é semelhante. Entre os 79 municípios do estado, menos de dez têm prefeitas. A sub-representação feminina não é exclusividade de um partido — atinge todas as legendas, da esquerda à direita.

O movimento nacional por mais mulheres em cargos de influência ganhou força após as eleições de 2024, quando o número de vereadoras eleitas no país cresceu 12% em relação a 2020. Organizações como a ONU Mulheres e o Instituto Alziras passaram a pressionar partidos por compromissos concretos de inclusão feminina, indo além da cota legal.

O MDB Mulher existe como órgão partidário previsto no estatuto do MDB. Cada diretório municipal pode constituir seu núcleo feminino, com presidente, vice e secretaria próprias. O núcleo tem voz nas convenções e pode indicar nomes para composição de chapas proporcionais. Na prática, o peso político do MDB Mulher varia conforme a liderança local — em alguns municípios, é atuante; em outros, existe apenas no papel.

Impacto Para a População

A reorganização do MDB Mulher em Campo Grande tem impacto indireto, mas mensurável, na qualidade da representação política. Quando mulheres ocupam cargos eletivos, pautas como saúde da mulher, combate à violência doméstica, creches, licença-maternidade e igualdade salarial ganham espaço na agenda legislativa. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que câmaras municipais com maior proporção de vereadoras aprovam mais projetos voltados a políticas de gênero.

Para a eleitora de Campo Grande, a existência de um núcleo feminino ativo no MDB significa mais opções de candidatas com formação política e propostas estruturadas. A alternativa — candidaturas lançadas apenas para cumprir cota — não representa avanço real.

O MDB Mulher pretende atuar em três frentes: formação política (cursos e oficinas para potenciais candidatas), articulação institucional (diálogo com o Executivo e o Legislativo sobre políticas para mulheres) e captação de filiadas (ampliação da base feminina do partido em Campo Grande).

Indicador Situação atual em MS Meta do MDB Mulher
Mulheres na ALMS Menos de 15% das cadeiras Ampliar candidaturas competitivas
Vereadoras em Campo Grande Proporção similar à ALMS Formar lideranças para 2028
Prefeitas no estado Menos de 10 em 79 municípios Articular candidaturas no interior
Candidaturas femininas reais Muitas apenas para cota Eliminar candidaturas fictícias no MDB
Fundo eleitoral para mulheres 30% obrigatório por lei Garantir aplicação efetiva no MDB-MS
Filiadas ativas no MDB-CG Dado não divulgado Ampliar base feminina do partido

A formação de lideranças femininas tem efeito cascata. Mulheres que passam por programas de capacitação política tendem a se engajar em conselhos municipais, associações de bairro e movimentos sociais, mesmo que não disputem eleições. O fortalecimento da participação feminina na base do partido pode, no médio prazo, alterar a composição das chapas proporcionais e a dinâmica interna das convenções.

Para o eleitor em geral, a diversidade de representação melhora a qualidade das decisões legislativas. Câmaras e assembleias compostas majoritariamente por homens tendem a negligenciar pautas que afetam desproporcionalmente mulheres — como a rede de proteção contra violência doméstica, que em Campo Grande opera com déficit de vagas em casas-abrigo e demora no atendimento de medidas protetivas.

O Que Dizem os Envolvidos

Carla Bernal discursou na posse com tom pragmático. Evitou promessas grandiosas e focou no trabalho de base:

"Não estamos aqui para fazer discurso bonito. Estamos aqui para formar mulheres que saibam disputar eleição de verdade — com proposta, com estrutura, com dinheiro de campanha. A cota de 30% não pode ser preenchida com nomes que não têm chance."

Maritza Cogo, vice-presidente, reforçou a necessidade de articulação com outros partidos:

"A pauta da mulher na política não é do MDB. É de todas as siglas. Vamos dialogar com outros núcleos femininos para construir agenda comum. Sozinhas, não mudamos a estatística."

Dirigentes do MDB estadual presentes na solenidade evitaram mencionar Simone Tebet. A ausência do nome da ex-senadora nos discursos foi notada por jornalistas e filiados. A leitura é de que o partido tenta virar a página sem reabrir feridas — a saída de Simone ainda gera desconforto entre militantes que a acompanharam por anos.

A reportagem procurou a assessoria de Simone Tebet para comentar a reorganização do MDB Mulher em Campo Grande. Não houve resposta até o fechamento desta publicação. Desde que deixou o partido, a ex-senadora tem evitado declarações sobre o MDB e concentrado suas manifestações públicas em temas do Ministério do Planejamento.

Representantes de movimentos de mulheres que compareceram à posse elogiaram a iniciativa, mas cobraram resultados concretos. Uma das presentes, que pediu para não ser identificada, resumiu a expectativa: "Já vimos muita posse de núcleo feminino que não deu em nada. Queremos ver candidatas eleitas, não fotos de evento."

Próximos Passos

O MDB Mulher de Campo Grande deve realizar seu primeiro evento de formação política até junho de 2026. O formato previsto é uma oficina de dois dias, com temas como legislação eleitoral, prestação de contas de campanha, comunicação política e uso de redes sociais. A ideia é preparar mulheres que pretendem disputar as eleições de 2026 como candidatas a deputada estadual ou federal.

A captação de novas filiadas é prioridade imediata. Carla Bernal pretende visitar bairros periféricos de Campo Grande para apresentar o MDB Mulher a lideranças comunitárias que ainda não têm vínculo partidário. A estratégia é identificar mulheres com atuação em associações de moradores, conselhos de saúde e educação, e movimentos religiosos — perfis que têm base eleitoral própria e podem se tornar candidatas viáveis.

A convenção municipal do MDB em Campo Grande, prevista para o segundo semestre de 2026, será o primeiro teste de força do núcleo feminino. Se Carla Bernal conseguir emplacar nomes de mulheres em posições competitivas na chapa proporcional, o MDB Mulher terá demonstrado capacidade de influência real. Se as vagas forem preenchidas por indicações de caciques masculinos, o núcleo terá sido apenas decorativo.

No plano estadual, o MDB enfrenta o desafio de definir posição para as eleições de 2026 sem sua principal liderança. A ausência de Simone Tebet obriga o partido a buscar novos nomes para cargos majoritários — e a reorganização do MDB Mulher pode ser o caminho para revelar candidatas que ainda não estão no radar da imprensa e dos analistas políticos.

A pressão nacional por mais mulheres na política tende a se intensificar à medida que o calendário eleitoral avança. O TSE já sinalizou que a fiscalização sobre candidaturas fictícias será ainda mais rigorosa em 2026. Partidos que não investirem de verdade em candidaturas femininas correm o risco de ter chapas impugnadas — o que transforma a pauta de gênero de questão ideológica em questão de sobrevivência eleitoral.

Fechamento

A posse de Carla Bernal no MDB Mulher de Campo Grande é um passo organizacional, não uma transformação. O partido perdeu Simone Tebet e precisa reconstruir sua presença feminina em MS. O núcleo feminino pode ser o instrumento dessa reconstrução — ou pode se tornar mais um órgão partidário que existe no estatuto e desaparece no cotidiano.

O que diferencia um cenário do outro é execução. Formar lideranças exige investimento de tempo, dinheiro e capital político. Lançar candidatas competitivas exige enfrentar resistências internas de dirigentes que preferem reservar as vagas mais disputadas para aliados homens. Carla Bernal terá de provar que o MDB Mulher de Campo Grande é mais do que uma solenidade de posse com fotos para redes sociais. O prazo é curto: as convenções de 2026 estão a menos de quatro meses.


Fontes e Referências

  • Campo Grande News (campograndenews.com.br)
  • TSE — Tribunal Superior Eleitoral (tse.jus.br)
  • Ipea — Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (ipea.gov.br)
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Publicado em 16 de abril de 2026 às 00:00
Fonte: Campo Grande News (campograndenews.com.br)
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Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.

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