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Câmara de Campo Grande aprova 16 projetos de lei em sessão única — destaque para proteção à gestante

Pacote legislativo inclui programa de segurança hospitalar para gestantes (Lei Antônio Gabriel Fontoura), comunicação escolar obrigatória e semana do ciclista. Regularização de ambulantes da Afonso Pena segue em debate.

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Por Redação Bastidor Público
Publicado em 31 de março de 2026 às 00:00
Campo Grande8 min de leitura
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Plenário da Câmara Municipal de Campo Grande durante sessão de votação — Foto: Câmara CG/Divulgação
Plenário da Câmara Municipal de Campo Grande durante sessão de votação — Foto: Câmara CG/Divulgação

Câmara de Campo Grande aprova 16 projetos em sessão única

A Câmara Municipal de Campo Grande aprovou em sessão realizada no dia 19 de março de 2026 um pacote de 16 projetos de lei que abrangem desde proteção à gestante até segurança escolar e conscientização sobre acidentes com ciclistas. Entre as propostas mais relevantes está o Projeto de Lei 12.190/25, de autoria dos vereadores André Salineiro e Luiza Ribeiro, que institui o "Programa Municipal de Segurança e Proteção à Gestante, Parturiente, Puérpera e ao Recém-Nascido" — batizado de Lei Antônio Gabriel Fontoura.

A sessão produtiva contrasta com a avaliação negativa que a população tem feito do trabalho legislativo: pesquisa do Instituto Ranking Brasil Inteligência, realizada entre 16 e 20 de março, indica insatisfação da maioria dos campo-grandenses com o desempenho da Casa de Leis.

Os Principais Projetos Aprovados

Lei Antônio Gabriel Fontoura (PL 12.190/25)

O projeto de maior impacto social aprovado na sessão institui um programa municipal que visa assegurar assistência humanizada e segurança nos estabelecimentos de saúde para gestantes, parturientes, puérperas e recém-nascidos. A lei prevê:

  • Protocolos de segurança: obrigatoriedade de identificação de mãe e bebê por pulseira com código de barras em todas as maternidades e hospitais do município
  • Acompanhamento pós-parto: monitoramento obrigatório por 48 horas após o parto, com registro detalhado de sinais vitais da mãe e do recém-nascido
  • Canal de denúncia: criação de linha direta para denúncias de violência obstétrica e negligência em estabelecimentos de saúde
  • Capacitação: programa de formação continuada para profissionais de saúde em parto humanizado

O nome da lei homenageia o bebê Antônio Gabriel Fontoura, que faleceu em Campo Grande em circunstâncias que motivaram mobilização da sociedade civil por mais segurança nas maternidades.

Comunicação Escolar Obrigatória (PL 12.325/26)

De autoria do vereador Rafael Tavares, o projeto estabelece a obrigatoriedade de comunicação prévia aos pais ou responsáveis sobre a realização de atividades extracurriculares na Rede Municipal de Ensino. A medida busca garantir que famílias estejam informadas sobre:

  • Passeios e excursões
  • Palestras de convidados externos
  • Atividades que envolvam deslocamento dos alunos
  • Eventos culturais ou esportivos fora do horário regular

Semana do Ciclista

Outro projeto aprovado institui a Semana Municipal de Conscientização e Prevenção de Sinistros contra o Ciclista, a ser realizada anualmente. Campo Grande registrou 847 acidentes envolvendo ciclistas em 2025, com 12 óbitos — números que justificam a iniciativa educativa.

O Debate dos Ambulantes da Afonso Pena

Paralelamente à sessão de aprovação dos 16 projetos, a Câmara se debruça sobre uma das questões mais polêmicas do início de 2026: a regularização dos ambulantes e trailers instalados nos altos da Avenida Afonso Pena, principal via comercial da capital.

O vereador Ronilço Guerreiro (Podemos) apresentou projeto de lei que propõe prazo de 120 dias para regularização dos vendedores, em resposta a uma notificação de desocupação emitida pela Prefeitura. A proposta divide a Casa:

Posição Argumento principal Vereadores
Pró-regularização Ambulantes são microempreendedores que geram renda e emprego Ronilço Guerreiro, André Salineiro
Pró-desocupação Ocupação irregular prejudica comércio formal e gera insegurança Rafael Tavares, Carlão
Meio-termo Relocação para espaço organizado, com infraestrutura Luiza Ribeiro, Ana Portela

A questão envolve cerca de 200 ambulantes que ocupam a região há mais de uma década, muitos deles sem alvará de funcionamento. A Prefeitura argumenta que a ocupação irregular compromete a segurança sanitária e a acessibilidade da via. Os ambulantes, por sua vez, alegam que a atividade é sua única fonte de renda.

Impacto no Bolso do Cidadão

Os projetos aprovados pela Câmara têm custos e benefícios diretos:

  • Lei Antônio Gabriel Fontoura: custo estimado de R$ 2,4 milhões/ano para implementação dos protocolos de segurança nas 12 maternidades e UPAs com leitos obstétricos — benefício potencial: redução de mortalidade neonatal (CG registrou 9,2 óbitos por mil nascidos vivos em 2025, acima da média nacional de 8,1)
  • Comunicação escolar: custo operacional mínimo (uso de aplicativos de mensagem institucional e plataformas já existentes) — benefício: maior segurança jurídica para escolas e famílias
  • Semana do ciclista: custo estimado de R$ 180 mil/ano em campanhas educativas — benefício potencial: se reduzir em 10% os acidentes, economia de R$ 2,3 milhões em atendimento do SUS e DPVAT

Vetos do Executivo em Análise

A Câmara também começou a analisar vetos do prefeito a emendas orçamentárias da LOA 2026 e ao Plano Plurianual (PPA 2026-2029). As emendas vetadas previam investimentos em pavimentação, drenagem, revitalização de praças e equipamentos de saúde — áreas que os vereadores consideram prioritárias, mas que o Executivo alegou não terem dotação orçamentária compatível.

A análise dos vetos é um momento importante de equilíbrio de poder entre Legislativo e Executivo: se a Câmara derrubar os vetos por maioria absoluta (15 dos 29 vereadores), os investimentos voltam ao orçamento independentemente da posição do prefeito.

Análise do Bastidor Público

A sessão que aprovou 16 projetos de uma vez ilustra uma prática comum nas câmaras municipais brasileiras: a votação em bloco de projetos acumulados, muitos deles de baixo impacto (como denominação de ruas e datas comemorativas), entremeados por propostas substantivas como a Lei Antônio Gabriel Fontoura.

A aprovação unânime — sem nenhum voto contrário — levanta a questão da qualidade do debate legislativo. Projetos que criam obrigações para o poder público (como a lei da gestante) mereciam discussão aprofundada sobre viabilidade orçamentária e capacidade de fiscalização. A votação em bloco os trata como rotina.

A pesquisa de insatisfação popular com a Câmara, divulgada na mesma semana, reforça a percepção de que há um descompasso entre o que os vereadores entregam e o que a população espera. O cidadão quer resultados em áreas como saúde, educação, segurança e infraestrutura — não apenas leis simbólicas, mas políticas públicas executadas.

Próximos Passos

  • Regulamentação da Lei Antônio Gabriel Fontoura: 90 dias após publicação
  • Análise de vetos do Executivo: sessões de abril/2026
  • Projeto dos ambulantes da Afonso Pena: em comissão, sem previsão de votação

Perguntas Frequentes

O que é a Lei Antônio Gabriel Fontoura?

É o Programa Municipal de Segurança e Proteção à Gestante, Parturiente, Puérpera e ao Recém-Nascido, aprovado pela Câmara de CG. Prevê protocolos de segurança hospitalar, monitoramento pós-parto e canal de denúncia para violência obstétrica.

Quantos vereadores tem Campo Grande?

A Câmara Municipal de Campo Grande tem 29 vereadores na legislatura 2025-2028, sendo 27 homens e 2 mulheres (Luiza Ribeiro e Ana Portela).

O que acontece com os ambulantes da Afonso Pena?

Há disputa entre regularização (prazo de 120 dias proposto por Ronilço Guerreiro) e desocupação (posição da Prefeitura). Cerca de 200 ambulantes são afetados. O projeto está em comissão e não tem data de votação definida.


Fontes: Câmara Municipal de Campo Grande, Via Morena, Capital News, Instituto Ranking Brasil Inteligência, Secretaria Municipal de Saúde de CG

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Fonte: Câmara Municipal de Campo Grande, Via Morena, Capital News
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