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Janela partidária redesenha Assembleia de MS: PL conquista maior bancada com 7 deputados

Encerramento do prazo para trocas de partido provocou migração de 13 dos 24 deputados estaduais. PL saltou de 3 para 7 cadeiras e assumiu protagonismo que era do PSDB.

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Por Redação Bastidor Público
Publicado em 6 de abril de 2026 às 00:00
Campo Grande9 min de leitura
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Plenário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul — Foto: Ilustrativa/Bastidor Público
Plenário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul — Foto: Ilustrativa/Bastidor Público

Janela partidária redesenha Assembleia de MS: PL conquista maior bancada com 7 deputados

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) emergiu do período de janela partidária — encerrado em 3 de abril de 2026 — com um novo mapa de forças. O Partido Liberal (PL) conquistou a maior bancada da Casa, passando de 3 para 7 deputados estaduais, consolidando a legenda como principal força legislativa do estado.

A movimentação envolveu 13 dos 24 parlamentares da Assembleia, que trocaram de sigla no intervalo previsto pela legislação eleitoral — entre 5 de março e 3 de abril de 2026. O resultado é uma redistribuição completa do poder legislativo estadual, com consequências diretas para as articulações eleitorais de outubro.

O Que Aconteceu

O PL, sob a liderança estadual do ex-governador Reinaldo Azambuja, atraiu parlamentares de diferentes origens partidárias e montou a maior bancada da Assembleia. A composição ficou da seguinte forma:

Deputado Situação Partido anterior
Coronel David Permaneceu no PL —
Neno Razuk Permaneceu no PL —
Mara Caseiro Migrou para o PL PSDB
Paulo Corrêa Migrou para o PL PSDB
Zé Teixeira Migrou para o PL PSDB
Márcio Fernandes Migrou para o PL MDB
Lucas de Lima Retornou ao PL —

Em contrapartida, o deputado João Henrique Catan deixou o PL para filiar-se ao Partido Novo, sinalizando sua pretensão de disputar o governo do estado com um perfil independente.

Contexto

A janela partidária é o período definido pela legislação eleitoral brasileira que permite a troca de legenda sem perda de mandato. Em 2026, o prazo coincidiu com o momento mais intenso das articulações para as eleições de outubro — quando serão disputados cargos de governador, senador, deputado federal e deputado estadual.

O PSDB, que até então detinha protagonismo na Assembleia de MS, foi o partido mais afetado. Três de seus deputados mais experientes — Mara Caseiro, Paulo Corrêa e Zé Teixeira — migraram para o PL. A saída enfraqueceu a sigla tucana no estado, embora o partido busque compensar com novas filiações.

Outros partidos também sofreram esvaziamento. PSB, PSD, PDT e Podemos ficaram sem nenhum representante na Casa, um fenômeno que evidencia a concentração de forças em siglas com maior capacidade de atração eleitoral.

O Republicanos também ampliou significativamente sua representação durante o período, embora em proporção menor que o PL.

Impacto na Gestão Pública

A reconfiguração da Assembleia tem efeitos diretos no funcionamento legislativo e na relação entre os Poderes:

  • Base governista fortalecida: O PL integra a coalizão do governador Eduardo Riedel (PP). Com 7 deputados, a legenda passa a ter peso decisivo em votações de projetos do Executivo
  • Comissões parlamentares: A redistribuição de cadeiras obriga a recomposição das comissões técnicas da Assembleia, o que pode atrasar a tramitação de projetos em pauta
  • Negociação de emendas: O PL, como maior bancada, terá maior poder de barganha na distribuição de emendas parlamentares e indicações para cargos de segundo escalão
  • Oposição fragmentada: A dispersão de partidos menores enfraquece a capacidade de fiscalização e contraposição ao governo
Indicador Antes da janela Após a janela
Deputados do PL 3 7
Deputados que trocaram de partido — 13 de 24
Partidos sem representação 0 4 (PSB, PSD, PDT, Podemos)
Maior bancada PSDB PL

Análise do Bastidor Público

A ascensão do PL na Assembleia de MS não é acidental. Sob a condução de Reinaldo Azambuja, o partido se posicionou como a principal alternativa para parlamentares que buscam abrigo eleitoral em uma legenda com estrutura nacional forte e identificação com o eleitorado conservador.

O que chama atenção é a velocidade com que o PSDB perdeu relevância no estado. Mato Grosso do Sul foi por décadas um reduto tucano — governado por André Puccinelli e depois pelo próprio Azambuja, ambos sob a sigla. A migração de quadros históricos para o PL representa o capítulo mais recente de um realinhamento que é nacional, mas que em MS ganha contornos particularmente dramáticos.

Para o cidadão sul-mato-grossense, o efeito prático é uma Assembleia com menor pluralidade partidária. Quando quatro partidos perdem todos os seus representantes numa única janela, o debate legislativo tende a se tornar menos diverso.

Próximos Passos

  • Recomposição formal das comissões permanentes da Assembleia em função da nova configuração
  • Definição das chapas proporcionais do PL para deputados estaduais e federais
  • Acompanhamento da posição dos partidos esvaziados: se buscarão federações ou permanecerão sem representação estadual
  • Convenções partidárias no segundo semestre para oficialização das candidaturas

Perguntas Frequentes

O que é a janela partidária?

A janela partidária é o período previsto pela legislação eleitoral brasileira durante o qual deputados estaduais e federais podem trocar de partido sem risco de perder o mandato. Em 2026, o prazo foi de 5 de março a 3 de abril. Fora desse período, a troca de legenda pode configurar infidelidade partidária, o que permite ao partido de origem solicitar a perda do mandato junto à Justiça Eleitoral.

Por que o PL cresceu tanto em MS?

O PL se beneficiou de três fatores: a liderança estadual de Reinaldo Azambuja, ex-governador com ampla rede política; a identificação da legenda com o eleitorado conservador, forte no estado; e a estrutura nacional do partido, que oferece tempo de televisão e fundo eleitoral superiores aos de siglas menores. A combinação atraiu deputados que buscam competitividade nas urnas em outubro.

Quais partidos ficaram sem representação na Assembleia?

PSB, PSD, PDT e Podemos perderam todos os seus deputados estaduais durante a janela partidária e ficaram sem representação na ALEMS. Isso não significa que os partidos deixaram de existir em MS — eles mantêm diretórios e podem lançar candidatos —, mas a ausência na Assembleia reduz drasticamente sua capacidade de influência legislativa e visibilidade política no estado.


Fontes: Campo Grande News, Capital News, MS Conecta, Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

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Fonte: Campo Grande News, Capital News, MS Conecta, ALEMS
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