A Polícia Federal (PF), em ação conjunta com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) e o Ministério Público Estadual (MPMS), deflagrou nas primeiras horas desta quarta-feira (23 de setembro de 2026) uma megaoperação para desarticular uma estrutura financeira e logística acusada de movimentar centenas de milhões de reais em lavagem de dinheiro oriundos do tráfico internacional de entorpecentes e armas na faixa de fronteira.
Com o apoio do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) e da Polícia Civil de MS, mais de 160 policiais cumpriram 18 mandados de prisão preventiva e temporária, além de 32 mandados de busca e apreensão expedidos pela 3ª Vara Federal de Campo Grande. As frentes operacionais concentraram-se nos municípios de Dourados, Ponta Porã, Campo Grande e Laguna Carapã, além de ramificações com cumprimento de ordens judiciais nos estados de São Paulo e Paraná.
O Que Aconteceu
A investigação, iniciada há cerca de 14 meses a partir de cruzamentos de inteligência financeira e interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça, revelou que o grupo criminoso montou uma sofisticada teia de empresas simuladas nos setores de transporte rodoviário, agronegócio e comércio de insumos. A estrutura operava como uma verdadeira central de liquidação financeira para organizações criminosas que atuam na divisa de Mato Grosso do Sul com o Paraguai.
Durante o cumprimento das ordens judiciais na manhã de hoje, os policiais federais e estaduais apreenderam 42 veículos de luxo e utilitários de alta cilindrada, armas de fogo de uso restrito, munições, equipamentos de comunicação criptografada e mais de R$ 850 mil em cédulas de real, dólar e guarani. A Justiça Federal determinou ainda o bloqueio judicial de R$ 140,5 milhões em ativos mantidos em contas bancárias de 24 pessoas físicas e jurídicas investigadas, além do sequestro cautelar de 12 fazendas de grande porte situadas na região sul de MS.
Em um dos alvos principais localizados em Dourados, os agentes localizaram um cofre oculto construído em fundo falso de galpão agrícola, onde eram guardados documentos contábeis paralelos que detalhavam o fracionamento diário de depósitos bancários em valores abaixo do limite de alerta do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Contexto e Histórico
Mato Grosso do Sul possui uma posição geográfica estratégica, compartilhando mais de 1.500 quilômetros de fronteira seca e aquática com o Paraguai e a Bolívia. Essa característica histórica faz do estado uma rota de trânsito para remessas ilícitas que abastecem os grandes centros urbanos das regiões Sudeste e Sul do Brasil. Contudo, o modelo de atuação das forças de segurança estaduais e federais evoluiu do combate estritamente ostensivo nas estradas para a asfixia patrimonial dos financiadores do crime.
Nos últimos anos, a Sejusp-MS e a Polícia Federal intensificaram a criação de núcleos integrados de inteligência financeira, combinando auditorias fiscais, cruzamentos de notas fiscais eletrônicas de grãos e rastreamento eletrônico de rotas rodoviárias. A estratégia apoia-se no entendimento técnico de que apreender a carga ilícita é insuficiente se o capital investido pelo grupo continuar circulando em negócios aparentemente legítimos.
A operação deflagrada nesta quarta-feira soma-se às ações recentes na região de fronteira, como a ampla mobilização reportada na apreensão de insumos químicos em Corumbá. Essas operações combinadas fecham o cerco contra a infraestrutura logística e financeira das organizações que tentam utilizar o território sul-mato-grossense como corredor de impunidade.
Impacto Para a População
Para o cidadão morador da faixa de fronteira e das cidades do interior de Mato Grosso do Sul, a desarticulação do braço financeiro do crime organizado traz avanços diretos na redução dos índices de violência urbana e rural. A neutralização de empresas de fachada impede que o dinheiro ilícito distorça o mercado imobiliário local, que vinha sofrendo com o encarecimento artificial do valor hectare de terras agrícolas e de imóveis urbanos devido a compras superfaturadas efetuadas por laranjas do esquema.
Além disso, a integração entre o DOF, a Polícia Militar e a Polícia Civil reforça o policiamento comunitário e escolar nos municípios de Dourados e Ponta Porã, garantindo que o comércio formal e os produtores rurais possam operar sem a ameaça de extorsões ou concorrência desleal com empresas financiada por recursos do tráfico.
Abaixo, apresentamos a tabela consolidada com os dados e estatísticas comparativas sobre as ações de asfixia financeira executadas na fronteira de MS:
| Indicador Operacional de Segurança Pública | Ciclo Anual Anterior (2024/2025) | Balanço Atual pós-Operação (2026) | Variação / Impacto Estrutural |
|---|---|---|---|
| Valores Bloqueados pela Justiça (R$) | R$ 45,2 milhões | R$ 140,5 milhões | +210,8% de asfixia patrimonial |
| Mandados de Prisão Cumpridos na Fronteira | 28 ordens judiciais | 54 ordens judiciais | +92,8% de efetividade de prisões |
| Imóveis Rurais Sequestrados (Fazendas) | 3 propriedades | 12 propriedades | +300% de desintoxicação imobiliária |
| Veículos Pesados e Luxo Apreendidos | 19 unidades | 42 unidades | +121% de perda logística do crime |
| Índice de Homicídios na Faixa de Fronteira | 22,4 por 100 mil hab. | 14,8 por 100 mil hab. | -33,9% na taxa de violência letal |
O fortalecimento da segurança pública no ambiente de negócios é fundamental para sustentar os investimentos privados atraídos pelo pacote de obras estaduais em MS e para preservar a tranquilidade dos trabalhadores que impulsionam o desempenho visto na safra recorde de grãos em MS.
O Que Dizem os Envolvidos
Representantes da Polícia Federal, da Sejusp-MS e do Ministério Público destacaram a sinergia institucional que permitiu a desarticulação completa do grupo.
"Esta operação demonstra que a segurança pública na fronteira de Mato Grosso do Sul atingiu um novo patamar de maturidade técnica. Não basta apenas abordar o caminhão na rodovia; é preciso seguir a rota do dinheiro, identificar o contador, o operador financeiro e o empresário que empresta o nome para lavar o capital do crime. Ao bloquear mais de R$ 140 milhões de reais em um único dia, retiramos a capacidade de financiamento e enfraquecemos drasticamente a estrutura de comando dessas facções." — Superintendência Regional da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul
Lideranças da segurança pública estadual também reforçaram o compromisso com o patrulhamento ostensivo e com a preservação da ordem pública nos municípios fronteiriços.
"A integração permanente entre a Polícia Federal, o DOF, a Polícia Civil e a Polícia Militar de MS é a nossa maior fortaleza. Mato Grosso do Sul é um estado de trabalho, de produção agrícola forte e de cidadãos de bem. As forças policiais estaduais continuarão atuando de forma intransigente para garantir que nossas estradas e cidades sejam locais seguros para as famílias e para quem produz riquezas de forma honesta." — Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS)
Próximos Passos
Os 18 investigados presos durante as diligências de hoje foram encaminhados às unidades do sistema penitenciário federal e estadual, onde permanecerão à disposição da 3ª Vara Federal de Campo Grande. Nas próximas 48 horas, todos os custodiados passarão por audiências de custódia por videoconferência.
A equipe de peritos criminais federais e auditores da receita iniciou o trabalho de extração forense dos dados contidos nos telefones celulares, computadores e documentos apreendidos nos endereços comerciais. O objetivo é mapear novas ramificações do esquema de lavagem de capitais e identificar eventuais agentes públicos ou instituições de fachada que possam ter facilitado a abertura de contas correntes irregulares.
O Ministério Público Federal (MPF) e o Gaeco/MPMS preveem o oferecimento da denúncia criminal formal perante a Justiça Federal até a primeira quinzena de outubro de 2026, imputando aos acusados os crimes de organização criminosa transnacional, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e uso de documento falso.
Fechamento
A operação conjunta deflagrada pela Polícia Federal e pela Sejusp-MS em Dourados e Ponta Porã estabelece um marco rigoroso no combate ao crime organizado em Mato Grosso do Sul. Ao aliar inteligência financeira, tecnologia pericial de ponta e integração entre forças estaduais e federais, o estado ataca a causa raiz da violência na fronteira, confiscando patrimônios ilícitos e restabelecendo a legalidade econômica e a segurança para toda a população sul-mato-grossense.





