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TJMS Nega Habeas Corpus por Unanimidade e Mantém Prisão Preventiva do Ex-Deputado Neno Razuk na Operação Successione

1ª Câmara Criminal rejeitou teses de incompetência da 4ª Vara Criminal de Campo Grande e ausência de contemporaneidade; defesa recorrerá ao STJ.

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Por Redação Bastidor Público
Publicado em 21 de agosto de 2026 às 00:00
Campo Grande, MS10 min de leitura• 1376 palavras
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TJMS Nega Habeas Corpus por Unanimidade e Mantém Prisão Preventiva do Ex-Deputado Neno Razuk na Operação Successione

A 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) negou, por unanimidade de votos, o pedido de habeas corpus impetrado pela defesa do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, amplamente conhecido nos bastidores políticos como Neno Razuk. Com a decisão colegiada, o político permanece recolhido preventivamente em regime fechado no sistema penitenciário estadual, respondendo à ação penal derivada da emblemática Operação Successione, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Polícia Civil.

A sessão de julgamento no TJMS representou um dos momentos mais aguardados pela crônica jurídica de Mato Grosso do Sul. A defesa técnica do ex-parlamentar sustentou que a decretação da custódia cautelar padecia de nulidades insanáveis, alegando incompetência absoluta do juízo da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, ausência de contemporaneidade entre as acusações e a ordem de prisão, além de contestar a condição de foragido atribuída a Neno Razuk antes de sua localização na Bolívia.

Contudo, a tese defensiva foi refutada integralmente pelo relator do processo, o experiente desembargador Jonas Hass Silva Júnior, cujo voto condutor foi acompanhado sem ressalvas pelos demais integrantes da turma julgadora. O tribunal firmou que a instrução probatória em primeira instância está madura e que os elementos colhidos nas investigações demonstram a gravidade concreta das condutas e o risco à ordem pública caso o acusado respondesse ao processo em liberdade.

O Que Aconteceu

Durante a sustentação oral perante os desembargadores da 1ª Câmara Criminal, o advogado Ricardo Souza Pereira buscou desconstruir os pilares que sustentam a ordem de prisão preventiva expedida contra Neno Razuk. A defesa sustentou que, à época do início das investigações do Gaeco e da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras), o réu ainda exercia mandato parlamentar na Assembleia Legislativa (Alems), o que supostamente atrairia a competência originária do Tribunal de Justiça.

Além da questão do foro, o defensor pontuou que Neno Razuk não teria tentado se esquivar da Justiça e que sua permanência no país vizinho decorria de compromissos pessoais e empresariais. A defesa enfatizou ainda que outros corréus da Operação Successione já obtiveram medidas cautelares diversas da prisão, pleiteando a extensão do benefício com base no princípio da isonomia processual.

Ao proferir seu voto de relatoria, o desembargador Jonas Hass Silva Júnior afastou minuciosamente cada uma das preliminares. O magistrado destacou que a jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabelece que a prerrogativa de foro cessa automaticamente com o término do mandato eletivo, consolidando a plena competência do juízo criminal de primeiro grau para processar e julgar o feito. O relator frisou ainda que a necessidade de inclusão do réu na Difusão Vermelha da Interpol para viabilizar sua captura em solo estrangeiro evidencia o perigo de evasão e justifica a manutenção do cárcere preventivo.

Dados do Julgamento e Processo Detalhamento dos Fundamentos Jurídicos Órgão Jurisdicional Competente Status / Medida Cautelar
Paciente / Réu Processual Roberto Razuk Filho (Neno Razuk) 4ª Vara Criminal de Campo Grande Prisão preventiva mantida em regime fechado
Órgão Julgador do Habeas Corpus 1ª Câmara Criminal do TJMS Tribunal de Justiça de MS Julgamento unânime denegando a ordem
Relator da Ação Constitucional Des. Jonas Hass Silva Júnior Colegiado da 1ª Câmara Criminal Voto condutor pela higidez da instrução
Origem da Investigação Penal Operação Successione (Gaeco / Garras) Ministério Público Estadual (MPMS) Denúncia por organização criminosa armada
Próxima Etapa da Defesa Técnica Recurso Ordinário Constitucional Superior Tribunal de Justiça (STJ) Interposição em Brasília após acórdão

Contexto e Histórico

A Operação Successione representa um dos capítulos mais profundos do enfrentamento ao crime organizado e à exploração ilícita de apostas em Mato Grosso do Sul. As investigações tiveram início a partir do vácuo de poder deixado pela histórica Operação Omertà, que desarticulou clãs tradicionais que operavam o monopólio do jogo do bicho na capital e na fronteira com o Paraguai por mais de quatro décadas.

De acordo com a denúncia formal oferecida pelo Ministério Público Estadual, um novo grupo criminoso altamente armado e articulado estruturou uma ofensiva para assumir à força o controle dos pontos de apostas, máquinas eletrônicas do tipo 'bicho' e rotas financeiras de arrecadação em Campo Grande e polos regionais do interior. As apurações do Gaeco documentaram episódios de intimidação ostensiva, extorsões contra operadores independentes e roubos de materiais de apostas perpetrados por células operacionais ligadas à cúpula investigada.

Neno Razuk, que exerceu mandato de deputado estadual entre 2019 e 2022 e pertence a uma das famílias mais tradicionais da política do município de Dourados, foi apontado nas peças acusatórias como o suposto líder intelectual e financiador do esquema. A decretação de sua prisão preventiva decorreu do aprofundamento das fases investigativas que demonstraram a sofisticação da rede de ocultação de patrimônio e a capacidade de cooptação de agentes públicos.

O desdobramento da Operação Successione também movimentou a Assembleia Legislativa e os diretórios partidários em Mato Grosso do Sul, onde a atuação de ex-parlamentares em atividades empresariais e sindicais na região sul do estado vinha sendo acompanhada com cautela. Fontes ligadas à segurança pública apontam que o relatório final do Gaeco detalha conversas interceptadas judicialmente, anotações financeiras apreendidas em cofres e laudos periciais da Polícia Científica que mapearam fluxos de dezenas de milhões de reais movimentados em contas de laranjas e empresas de fachada.

Impacto Para a População

O julgamento unânime no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul envia uma mensagem contundente de fortalecimento institucional e intransigência republicana no combate às máfias do jogo ilegal e à pistolagem urbana no estado. Manter a custódia de réus de alta periculosidade e influência política garante que o processo penal tramite sem pressões ilegítimas sobre testemunhas, peritos policiais e operadores do direito.

Para o cidadão sul-mato-grossense, a repressão rigorosa às organizações que exploram jogos de azar clandestinos desmantela a engrenagem financeira que irriga outros crimes violentos conexos, como lavagem de dinheiro, homicídios encomendados, corrupção e tráfico de armas nas cidades da fronteira e na capital.

Além disso, a atuação harmônica entre as forças policiais estaduais, o Gaeco, o Poder Judiciário e organismos de cooperação internacional como a Interpol reafirma a confiabilidade dos mecanismos de persecução penal brasileiros, provando que fronteiras geográficas não servem de refúgio para quem responde a mandados judiciais de prisão válidos e fundamentados.

O Que Dizem os Envolvidos

"A decisão da 1ª Câmara Criminal foi técnica, unânime e impecável. A legalidade da prisão preventiva está plenamente respaldada na garantia da ordem pública e na conveniência da instrução criminal, que se encontra em estágio avançado na 4ª Vara Criminal. A Justiça cumpre com rigor o seu papel constitucional." — Manifestação da Procuradoria-Geral de Justiça do Ministério Público de MS (MPMS)

"A defesa técnica de Roberto Razuk Filho respeita a decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, mas discorda frontalmente dos fundamentos adotados pelo colegiado. Não há elementos contemporâneos que justifiquem o cárcere e a incompetência do juízo de primeiro grau é manifesta. Assim que publicado o acórdão, interporemos Recurso Ordinário Constitucional perante o Superior Tribunal de Justiça em Brasília." — Ricardo Souza Pereira, advogado de defesa de Neno Razuk

"A cooperação internacional e o monitoramento em tempo real com a Interpol foram vitais para o cumprimento do mandado judicial. A Polícia Civil de MS continuará atuando com firmeza técnica na desarticulação completa de esquemas criminosos no estado." — Coordenação das Delegacias Especializadas da Polícia Civil de MS

Próximos Passos

Com a denegação da ordem de habeas corpus no TJMS, o processo penal principal na 4ª Vara Criminal de Campo Grande seguirá seu curso regular com a realização das audiências de instrução e julgamento para a oitiva das testemunhas de acusação e defesa, além do interrogatório formal dos réus.

Paralelamente, a defesa técnica de Neno Razuk aguardará a publicação oficial do acórdão no Diário da Justiça Eletrônico para formalizar a interposição do Recurso Ordinário perante a 5ª ou 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, que examinará sob a ótica da legislação federal a higidez dos fundamentos da prisão preventiva.

Fechamento

O julgamento da 1ª Câmara Criminal do TJMS reafirma a maturidade do Poder Judiciário sul-mato-grossense na aplicação estrita do devido processo legal e na proteção da sociedade, consolidando a premissa fundamental de que a lei penal se aplica com equidade, rigor e impessoalidade a todos os cidadãos, independentemente de poder econômico ou prestígio político.

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Publicado em 21 de agosto de 2026 às 00:00
Fonte: https://www.campograndenews.com.br/cidades/capital/por-unanimidade-tj-nega-habeas-corpus-e-mantem-ex-deputado-neno-razuk-preso
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Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

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