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Temporal atinge Campo Grande com 80 mm de chuva: Bombeiros mobilizam resgates no Prosa e Segredo

Enxurradas repentinas arrastam veículos na Ricardo Brandão e Rachid Neder; CBMMS resgata motoristas ilhados e prefeitura ativa obras emergenciais em galerias pluviais.

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Por Redação Bastidor Público
Publicado em 25 de outubro de 2026 às 00:00
6 min de leitura
WFXT
Mergulhadores e militares do Corpo de Bombeiros operam bote de salvamento durante alagamento na bacia do Córrego Prosa em Campo Grande — Imagem criada por inteligência artificial.
Mergulhadores e militares do Corpo de Bombeiros operam bote de salvamento durante alagamento na bacia do Córrego Prosa em Campo Grande — Imagem criada por inteligência artificial.

Um temporal violento com características de microexplosão atmosférica castigou Campo Grande nas últimas horas, despejando mais de 82 milímetros de chuva concentrada em menos de duas horas e meia. O volume torrencial — equivalente a quase metade da média climatológica esperada para todo o mês de outubro — sobrecarregou de forma imediata o sistema de micro e macrodrenagem urbana da capital sul-mato-grossense, provocando inundações repentinas, quedas de árvores sobre fiações de alta tensão e cenas de pânico no trânsito das principais avenidas.

Equipes operacionais do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) e agentes da Defesa Civil Municipal permaneceram em regime de prontidão ininterrupta. Foram registrados 47 chamados de emergência pelo telefone 193, a maior parte envolvendo o salvamento aquático de motoristas e passageiros que ficaram presos no interior de veículos arrastados por enxurradas que desceram com força torrencial das áreas altas em direção aos leitos canalizados dos córregos urbanos.


O epicentro da crise: o colapso nas bacias do Prosa e do Segredo

A topografia de Campo Grande, marcada por fundos de vale urbanizados com alta impermeabilização do solo, tornou-se uma armadilha hídrica para quem transitava durante o temporal. Duas bacias hidrográficas urbanas entraram em colapso simultâneo:

  1. A Bacia do Córrego Prosa (Avenida Ricardo Brandão e Lago do Amor): O volume de água que desceu dos bairros Chácara dos Poderes, Jardim dos Estados e Santa Fé ultrapassou a vazão dos bueiros e transformou a Avenida Ricardo Brandão em um rio caudaloso. No Lago do Amor, próximo ao campus da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), o nível subiu mais de 1,60 metro sobre a lâmina normal, cobrindo o vertedouro e ameaçando romper a contenção da pista de rolamento;
  2. A Bacia do Córrego Segredo (Avenida Rachid Neder com Ernesto Geisel): Conhecido historicamente como o ponto mais sensível a inundações da cidade, o cruzamento da Rachid Neder com a Ernesto Geisel viu as águas pluviais romperem o leito do canal de concreto. A enxurrada arrastou caçambas de entulho, pedras e pelo menos quatro automóveis, forçando condutores a subir no capô dos veículos para aguardar o socorro dos bombeiros militares.

A gravidade do episódio climaterio reforça o padrão de eventos extremos que vêm atingindo o estado, conforme detalhado no recente alerta de tempestades severas emitido pelo Inmet e pela Defesa Civil e nas operações complexas de resgate em águas turbulentas já enfrentadas pelo CBMMS na operação de busca no Rio Canguery.


Radiografia dos estragos e dados pluviométricos por região de Campo Grande

O Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec) e as estações automáticas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registraram disparidades pluviométricas severas entre os bairros da capital:

Estação Meteorológica / Bairro Precipitação Acumulada Rajada Máxima de Vento Ocorrências Mais Frequentes Status Operacional da Defesa Civil
Estação Prosa / Chácara dos Poderes 82,4 mm 68,2 km/h Transbordamento de pontilhões e veículos atolados em lamaçais ALERTA VERMELHO / ENXURRADA
Estação Santa Luzia / Rachid Neder 76,8 mm 71,5 km/h Alagamento de pistas, asfalto arrancado e gabiões danificados INTERDIÇÃO CAUTELAR DE TRÂNSITO
Estação Universitário / Lago do Amor 69,2 mm 59,4 km/h Transbordamento do lago e erosão na ciclovia lateral MONITORAMENTO DE BARRAGEM
Estação Centro / Rua Maracaju 54,0 mm 62,1 km/h Queda de árvores de grande porte e fios caídos na rede TRABALHO DE RESCALDO E LIMPEZA
Estação Bandeirantes / Tijuca 41,6 mm 55,8 km/h Acúmulo pontual em cruzamentos e bueiros entupidos SITUAÇÃO NORMALIZADA

A conjunção de rajadas de vento acima de 70 km/h com a intensidade da chuva provocou a queda de 18 árvores e galhos robustos sobre redes de distribuição elétrica, deixando cerca de 23 mil unidades consumidoras temporariamente sem energia nos bairros São Francisco, Monte Castelo e Rita Vieira. Equipes de plantão da concessionária Energisa foram mobilizadas com apoio do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar (BPTran) para sinalizar vias interditadas.


O salvamento aquático dos bombeiros e a ausência de vítimas fatais

A atuação rápida das guarnições do 1º e 6º Grupamentos de Bombeiros Militar evitou tragédias humanas. Na Avenida Ricardo Brandão, mergulhadores e especialistas em resgate aquático utilizaram botes infláveis com motor de popa e linhas de vida estendidas entre postes e guard-rails para retirar seis ocupantes de dois carros que começavam a boiar em direção à calha profunda do Córrego Prosa.

Entre as vítimas resgatadas, uma gestante e uma idosa foram retiradas sem ferimentos e encaminhadas para avaliação na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Coronel Antonino com quadro leve de hipotermia e estresse emocional. Nenhuma vítima grave ou óbito foi registrado no balanço de encerramento das buscas às primeiras horas da manhã.

O comandante de operações do Corpo de Bombeiros reiterou o apelo para que motoristas jamais tentem atravessar poças profundas ou vias com água corrente: "Uma lâmina de água de apenas 20 centímetros com velocidade moderada é capaz de desestabilizar um automóvel de passeio e arrastá-lo para dentro de canais e galerias".


Obras emergenciais e força-tarefa da prefeitura para recuperação das vias

Diante do rastro de lama, placas de asfalto soltas e crateras abertas nas margens dos córregos, a Prefeitura de Campo Grande acionou um plano de contingência liderado pela Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) e pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran).

O pacote de ações imediatas contempla:

  1. Recomposição dos Gabiões: Equipes de engenharia iniciaram a colocação de novas gaiolas de pedras nas cabeceiras dos córregos onde a força do fluxo provocou desbarrancamentos que ameaçavam pistas de rolamento;
  2. Desobstrução Contínua das Galerias: Caminhões hidrojato e retroescavadeiras foram designados para remover dezenas de toneladas de areia, galhos e resíduos plásticos acumulados nas grades de proteção pluvial;
  3. Operação Tapa-Buracos em Corredores de Ônibus: Reparos asfálticos emergenciais foram priorizados nos itinerários do transporte coletivo urbano (cuja concessão municipal e cronograma de renovação foram tema de recente análise sobre a intervenção regulatória no Consórcio Guaicurus).

A Defesa Civil Municipal mantém o canal 199 ativo e recomenda que a população cadastre seus telefones celulares no serviço gratuito de alertas por SMS (enviando o CEP da residência para o número 40199) para receber notificações de risco meteorológico em tempo real.

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