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Justiça de MS nega pedido de prisão domiciliar para o advogado Rhiad Abdulahad

4ª Vara Criminal de Campo Grande indefere requerimento da defesa técnica de réu preso em operação contra facções criminosas.

RB
Redação Bastidor Público
27 de julho de 2026•9 min de leitura min
Campo Grande, MS1207 palavras
Justiça de MS nega pedido de prisão domiciliar para o advogado Rhiad Abdulahad

O Que Aconteceu

O juízo da 4ª Vara Criminal da Comarca de Campo Grande negou, em decisão publicada no Diário da Justiça, um novo pedido de substituição da prisão preventiva por custódia domiciliar formulado pela defesa do advogado Rhiad Abdulahad. O profissional da advocacia encontra-se recluso desde novembro de 2025, quando foi detido em decorrência de investigações sobre a ramificação de facções criminosas interestaduais em Mato Grosso do Sul.

A defesa técnica de Rhiad ingressou com o pedido sustentando que o complexo prisional onde o advogado está recolhido não disporia de Sala de Estado-Maior dotada de instalações condignas, direito assegurado à classe pelo artigo 7º, inciso V, da Lei Federal nº 8.906/1994 (Estatuto da Advocacia e da OAB). Alternativamente, apontou razões humanitárias de saúde para justificar o recolhimento residencial com tornozeleira eletrônica.

O magistrado singular rejeitou integralmente a argumentação da defesa, confirmando a higidez da prisão preventiva decretada. A decisão considerou que a estrutura prisional militar destinada ao recolhimento do profissional preenche as exigências legais e que a gravidade das acusações imputadas impede a concessão de liberdade provisória ou prisão domiciliar neste momento processual.

Contexto e Histórico

A prisão de Rhiad Abdulahad ocorreu no bojo de uma operação coordenada pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Gaeco, que desarticulou um esquema de transmissão de ordens internas e lavagem de dinheiro operado por membros de facções de dentro do sistema penitenciário estadual. A operação aponta que advogados e servidores públicos eram utilizados para furar o bloqueio de segurança dos presídios, similar a outras ações sensíveis como o monitoramento da Sejusp e TJMS sobre medidas protetivas e a vigilância sobre detentos de alta periculosidade.

A utilização das prerrogativas da advocacia para a prática de ilícitos é um dos temas de maior atrito entre a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Ministério Público. Enquanto a OAB-MS atua de forma intransigente na defesa das garantias constitucionais do livre exercício profissional e da ampla defesa, as forças policiais apontam que o sigilo profissional de comunicação não pode ser desvirtuado para blindar atividades de associação criminosa de caráter permanente.

A recusa de prisões domiciliares para advogados réus é uma jurisprudência que tem se consolidado no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul em casos envolvendo acusações de corrupção sistêmica e vínculos orgânicos com facções. O entendimento é de que o benefício da prisão domiciliar sem a presença de Sala de Estado-Maior é uma medida excepcional aplicável apenas quando a cela comum expõe o réu a perigo iminente ou quando há evidente falta de assistência médica estatal.

Impacto Para a População

Para a opinião pública, o avanço e a manutenção da prisão de profissionais da advocacia acusados de envolvimento em facções criminosas envia um sinal de rigor institucional do Judiciário do estado, reforçando a premissa constitucional de que ninguém está acima da lei. O debate sobre os limites das prerrogativas da advocacia e o abuso de direitos de representação é central para garantir a lisura e a confiabilidade de todo o sistema judicial.

O caso também acelera o debate na Assembleia Legislativa e na OAB-MS sobre a necessidade de maior rigor ético-disciplinar na fiscalização de profissionais com acesso às galerias de presídios de segurança máxima. O impacto dessas medidas pode resultar em restrições mais rígidas ao ingresso de advogados portando documentos físicos ou aparelhos eletrônicos nas salas de parlatório do estado.

A tabela a seguir consolida as informações sobre o andamento de representações disciplinares e processos éticos instaurados no Conselho de Ética da OAB-MS envolvendo profissionais sob suspeita de desvio ético nos últimos anos:

Ano de Instauração Processos Éticos Iniciados Suspensões Preventivas Aplicadas Exclusões de Quadros Determinadas
Ano de 2024 42 investigações 6 advogados suspensos 1 exclusão homologada
Ano de 2025 58 investigações 11 advogados suspensos 3 exclusões homologadas
Acumulado de 2026 31 investigações 8 advogados suspensos 2 exclusões homologadas

O Que Dizem os Envolvidos

O advogado criminalista que atua na coordenação da defesa de Rhiad Abdulahad criticou a decisão judicial em manifestação oficial:

"A decisão da 4ª Vara Criminal nega vigência a uma lei federal expressa e a uma garantia constitucional da advocacia. A cela disponibilizada no complexo militar não preenche os requisitos de Sala de Estado-Maior estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal. Ingressaremos com habeas corpus no Tribunal de Justiça de MS e, se necessário, nos tribunais superiores em Brasília para garantir o cumprimento estrito das prerrogativas profissionais."

O promotor de Justiça coordenador do Gaeco defendeu o rigor da prisão preventiva no caso:

"A manutenção da custódia de Rhiad Abdulahad é indispensável para a desarticulação do fluxo de comunicação que alimenta o crime organizado em nosso estado. A condição profissional de advogado não pode ser utilizada como um escudo de imunidade para a prática de crimes graves contra a segurança pública. O réu dispõe de cela adequada e separada da massa carcerária comum."

A assessoria de imprensa da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de Mato Grosso do Sul (OAB-MS), emitiu nota sobre o caso:

"A OAB-MS acompanha a ação penal de perto através de sua Comissão de Prerrogativas para assegurar que o profissional tenha resguardado seu direito ao devido processo legal e à ampla defesa. A seccional não emite juízo de valor sobre a culpa ou inocência do profissional, cabendo ao tribunal julgar o mérito da denúncia sob a égide do contraditório judicial."

Próximos Passos

A equipe de defesa de Rhiad Abdulahad prepara o protocolo de um pedido de habeas corpus diretamente na segunda instância do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. O pedido solicitará uma decisão liminar para reverter a decisão da 4ª Vara Criminal e conceder a prisão domiciliar sob o argumento de ilegalidade da prisão comum.

Por parte da acusação, o Gaeco continuará com a instrução do processo, realizando a oitiva das testemunhas de acusação e policiais envolvidos nas investigações que resultaram na prisão do advogado em 2025. O término da oitiva de testemunhas é o passo processual que antecede os interrogatórios finais dos réus.

O Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-MS também dará andamento ao processo administrativo ético instaurado contra Rhiad. Se ao final da instrução ética for comprovada a atuação profissional com desvio para a prática criminosa, a seccional poderá aplicar a sanção de exclusão definitiva do profissional dos quadros da advocacia, impedindo-o de exercer a profissão.

Fechamento

A negativa do pedido de prisão domiciliar para o advogado Rhiad Abdulahad pelo Tribunal de Justiça em Campo Grande reflete o endurecimento das medidas adotadas pelas instâncias judiciais de Mato Grosso do Sul contra redes de apoio a facções criminosas. O equilíbrio entre as prerrogativas da advocacia e a repressão a ilícitos é o cerne deste caso complexo.

O desenrolar dos recursos judiciais nas instâncias superiores em Brasília servirá de precedente importante para definir a extensão das garantias de custódia diferenciada para advogados réus em crimes graves de associação para o tráfico e colaboração com facções no cenário jurídico do Centro-Oeste brasileiro.


Referências e Fontes de Autoridade

  • Para consultar as prerrogativas da advocacia e normativas éticas corporativas, acesse o portal da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional MS (OAB-MS).
  • Detalhes processuais e andamento das varas criminais de Campo Grande estão disponíveis no portal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).
  • Diretrizes nacionais sobre custódia provisória de profissionais e regulação prisional podem ser acessadas no portal do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
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Publicado em 27 de julho de 2026 às 00:00
Fonte: Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul
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Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.

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