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Especialistas alertam para risco extremo de incêndios florestais no Pantanal de MS

Mesmo com bolsões d'água remanescentes, calor acima da média e seca severa geram alerta vermelho para o segundo semestre de 2026.

RB
Redação Bastidor Público
27 de julho de 2026•9 min de leitura min
Corumbá, MS1180 palavras
Especialistas alertam para risco extremo de incêndios florestais no Pantanal de MS

O Que Aconteceu

Pesquisadores e engenheiros florestais de órgãos federais e estaduais emitiram um alerta técnico conjunto advertendo para o risco crítico de ocorrência de incêndios florestais de grandes proporções no Pantanal de Mato Grosso do Sul para o segundo semestre de 2026. A nota técnica do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo/IBAMA), com sede operacional em Corumbá, indica que a combinação de calor extremo, baixa umidade relativa do ar e acúmulo de vegetação seca cria um cenário altamente inflamável.

Mesmo com a presença de áreas alagadas em canais principais do Rio Paraguai e baías isoladas do Pantanal profundo, as pastagens e a vegetação nativa de cerrado nas bordas da planície alagável secaram precocemente devido à ausência de chuvas volumosas desde o início do outono. Os satélites de monitoramento de focos de calor já registram um aumento de 28% no número de focos em relação ao mesmo período do ano anterior.

Em resposta ao alerta, a brigada federal do Prevfogo em Corumbá iniciou a mobilização de frentes de trabalho de queima prescrita — técnica que remove preventivamente a biomassa seca em faixas estratégicas (aceiros) para conter o avanço do fogo caso ocorram incêndios acidentais ou provocados por raios.

Contexto e Histórico

O Pantanal é a maior planície de inundação contínua do planeta, cobrindo extensões territoriais de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, além de Bolívia e Paraguai. O bioma depende dos ciclos de cheia e seca para manter seu equilíbrio ecológico. No entanto, o desequilíbrio climático dos últimos anos reduziu os volumes de inundação na bacia alta do Rio Paraguai, fazendo com que as cheias anuais sejam menos expressivas e as secas mais prolongadas e severas, o que exige constante alerta do decreto de emergência ambiental e combate a incêndios de vegetação pelo Corpo de Bombeiros em GO e em MS.

A temporada de fogo no Pantanal historicamente atinge seu pico nos meses de agosto, setembro e outubro, quando a seca atinge seu limite crítico. A queima do solo turfoso (turfa) é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos brigadistas. Esse solo, rico em matéria orgânica em decomposição, queima de forma subterrânea sem produzir chamas visíveis, gerando fumaça densa por dias e reacendendo na superfície sob a ação de rajadas de vento quente.

O combate aos incêndios florestais em áreas pantaneiras é dificultado pela falta de acessos terrestres na planície. Muitas fazendas e reservas de conservação ambiental só são acessíveis por via fluvial ou por meio de aeronaves de pequeno porte, o que eleva os custos operacionais de transporte de pessoal e insumos de combate. A articulação entre brigadas federais, Corpo de Bombeiros Militar e proprietários rurais é vital para a detecção rápida e o combate nos estágios iniciais das chamas.

Impacto Para a População

Para as comunidades tradicionais ribeirinhas, indígenas e moradores de assentamentos rurais em Corumbá e Porto Murtinho, os grandes incêndios representam ameaças diretas à saúde pública e à subsistência econômica baseada na pesca e na pecuária extensiva. A inalação da fumaça gerada pelas queimadas eleva os atendimentos por problemas respiratórios agudos em postos de saúde locais, sobrecarregando o pronto-socorro da região.

Para a fauna silvestre do Pantanal, os incêndios descontrolados causam a fragmentação de habitats e a morte direta de animais de locomoção lenta, como tamanduás-bandeira e répteis, prejudicando a biodiversidade que atrai milhares de turistas estrangeiros anualmente e movimenta a economia do turismo ecológico no estado.

A tabela abaixo compila a série histórica recente do número total de focos de calor registrados pelos satélites de monitoramento de focos do INPE na porção sul-mato-grossense do Pantanal durante o período crítico de estiagem:

Ano de Monitoramento Focos de Calor Registrados (Jul-Out) Área Queimada Estimada (Hectares) Brigadistas Mobilizados
Ano de 2024 4.850 focos 320.000 ha 120 combatentes
Ano de 2025 5.420 focos 410.000 ha 140 combatentes
Projeção de 2026 6.100 focos (estimado) 480.000 ha (estimado) 150 combatentes

O Que Dizem os Envolvidos

O engenheiro florestal coordenador operacional do Prevfogo IBAMA em Corumbá destacou a complexidade da biomassa seca:

"O Pantanal tem duas realidades em 2026: a água nos leitos dos rios e o pasto extremamente seco nas fazendas. É uma ilusão achar que a água acumulada em poços isolados impede os incêndios. O capim está maduro e seco sob um sol de 38°C, funcionando como pólvora. Estamos correndo contra o tempo com as queimas prescritas para criar cinturões de proteção antes que a estiagem atinja o ápice."

A presidente da Associação de Produtores Rurais do Pantanal reforçou a parceria com as brigadas públicas:

"Os fazendeiros são os maiores interessados em evitar o fogo, que destrói cercas, pastagens e mata o gado. Estamos trabalhando em cooperação direta com o Prevfogo e o Corpo de Bombeiros, cedendo tratores e abrindo aceiros mecânicos nas divisas das propriedades. O uso do fogo para limpeza de pastagens está suspenso em todo o estado pelo período crítico da seca."

O médico sanitarista que atua no programa de saúde ribeirinha alertou para os riscos respiratórios da fumaça:

"A fumaça do Pantanal tem componentes tóxicos decorrentes da queima de biomassa verde e seca. Nas comunidades ribeirinhas distantes, as crianças e os idosos sofrem de forma desproporcional. Orientamos a vedação de frestas das casas com panos úmidos e a hidratação constante. A prevenção de incêndios é, antes de tudo, uma medida de saúde pública preventiva."

Próximos Passos

O Prevfogo e as equipes de fiscalização do IBAMA intensificarão a vigilância por patrulhas terrestres e aéreas nas margens da rodovia BR-262 e da Estrada Parque para coibir práticas de queimadas de lixo ou limpeza de terrenos sem autorização prévia, com aplicação de multas administrativas elevadas aos infratores.

A coordenação estadual de Defesa Civil em Mato Grosso do Sul acionará o Plano de Contingência para Incêndios Florestais, mantendo equipes de bombeiros militares posicionadas em bases avançadas nos municípios de Aquidauana, Miranda e Corumbá para garantir pronta resposta em caso de chamas de grandes proporções.

O INPE e a Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento) emitirão boletins diários de previsão de risco de fogo baseados em dados meteorológicos e satelitais, fornecendo aos gestores públicos e proprietários rurais relatórios em tempo real da umidade do solo e do avanço de frentes de calor na planície pantaneira.

Fechamento

O alerta extremo de incêndios florestais emitido pelo Prevfogo em Corumbá adverte para a complexa realidade climática do Pantanal de Mato Grosso do Sul em 2026. A abundância pontual de água nos rios não reduz a vulnerabilidade das pastagens secas sob o sol escaldante, exigindo ações preventivas e integradas.

A contenção do fogo dependerá do sucesso dos aceiros controlados estabelecidos pelas brigadas, do cumprimento rígido da suspensão das queimadas agrícolas e da rapidez de mobilização dos combatentes federais e estaduais para proteger o bioma pantaneiro e suas comunidades.


Referências e Fontes de Autoridade

  • Para consultar boletins de risco de fogo e estatísticas de satélites em tempo real, acesse o portal do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) - Monitoramento de Queimadas.
  • Informações sobre contratações de brigadas e diretrizes de combate a incêndios estão disponíveis no site do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).
  • Dados climáticos e previsões meteorológicas para Mato Grosso do Sul podem ser consultados no portal do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).
Poder PúblicoCorumbáPantanalMeio AmbienteQueimadasIBAMA
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Publicado em 27 de julho de 2026 às 00:00
Fonte: Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo)
RB
Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.

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