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Ministério Público de MS firma TAC para recuperação de 50 hectares degradados no Pantanal em Corumbá

Acordo estabelece reflorestamento de áreas de reserva legal e repassa R$ 125 mil para pesquisas de conservação ambiental da UCDB na região pantaneira.

RB
Redação Bastidor Público
29 de julho de 2026•9 min de leitura min
Corumbá, MS1543 palavras
Ministério Público de MS firma TAC para recuperação de 50 hectares degradados no Pantanal em Corumbá

O Que Aconteceu

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS), por intermédio da 2ª Promotoria de Justiça de Corumbá, firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o proprietário de um estabelecimento rural localizado na planície pantaneira para viabilizar a recuperação ambiental de mais de 50 hectares de pastagens e áreas de floresta nativa degradadas por atividades agropecuárias irregulares. O acordo extrajudicial põe fim a um inquérito civil instaurado para apurar a supressão não autorizada de vegetação em uma região de extrema sensibilidade ecológica.

Conforme as cláusulas técnicas estipuladas no TAC, o produtor rural assumiu a obrigação legal de reflorestar e isolar fisicamente uma área total de 50,64 hectares. Desse montante, a prioridade imediata de plantio e recomposição florestal será de 17,77 hectares classificados juridicamente como Reserva Legal da propriedade, que haviam sido degradados sem o prévio licenciamento do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul). O proprietário dispõe de prazos rigorosos para comprovar o cercamento da área e o plantio de mudas nativas.

Além da obrigação de reparação direta da vegetação suprimida, o proprietário rural foi penalizado com o pagamento de R$ 125 mil a título de indenização compensatória por danos ambientais interinos e coletivos. O montante será destinado ao fomento de atividades acadêmicas e de campo do Projeto Ceippam (Centro Integrado de Proteção e Pesquisa Ambiental), encabeçado pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), visando reverter os recursos da penalidade diretamente em pesquisas aplicadas na própria planície do Pantanal.

Contexto e Histórico

A planície inundável do Pantanal, em especial na vasta extensão territorial que compõe o município de Corumbá, enfrenta pressões constantes decorrentes da expansão da pecuária extensiva e de práticas de manejo que historicamente utilizam o fogo e a supressão de capoeiras para a abertura de novos campos de pasto. A degradação contínua e a seca extrema registrada nos últimos anos na Bacia do Alto Paraguai forçaram os órgãos de controle e fiscalização a adotarem ferramentas tecnológicas avançadas para monitorar a supressão ilegal da cobertura vegetal em tempo real, sem a dependência exclusiva de patrulhas terrestres.

A identificação das irregularidades na propriedade em questão foi realizada por meio de laudos periciais do Núcleo de Geoprocessamento (Nuegeo) do MPMS. Utilizando sensoriamento remoto e cruzamento de dados cartográficos do Cadastro Ambiental Rural (CAR), os analistas constataram que os limites de supressão autorizados pelo Imasul haviam sido desrespeitados, avançando sobre fragmentos florestais protegidos de vegetação xerófila e matas de galeria. Este monitoramento ativo é de suma importância em períodos de seca extrema e incêndios, problemas recorrentemente abordados nas matérias sobre o alerta de queimadas extremas emitido pelas brigadas do Prevfogo no Pantanal e as ações que mobilizam a Secretaria Municipal de Saúde no monitoramento de enfermidades respiratórias infantis em Corumbá.

O Termo de Ajustamento de Conduta surge como uma alternativa de composição amigável que acelera a recomposição ecológica das áreas afetadas. Na Justiça comum, processos que discutem crimes ambientais e pedidos de reflorestamento costumam se arrastar por mais de uma década devido a recursos e perícias contraditórias. Com a assinatura do TAC, o réu confessa a existência da inconformidade e aceita a aplicação de multas severas em caso de descumprimento, o que garante celeridade ao plantio de mudas nativas e reduz a sobrecarga do Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul.

Impacto Para a População

Para os moradores de Corumbá e as comunidades ribeirinhas do Pantanal, a assinatura do TAC representa a consolidação da legalidade ambiental e a garantia de preservação dos recursos hídricos e da fauna local. A restauração da cobertura vegetal nativa ajuda a proteger os solos contra a erosão causada pelas enxurradas e minimiza o assoreamento dos rios Taquari e Paraguai, fenômeno que compromete a navegação, a pesca comercial e o abastecimento de água potável em todo o ecossistema do Centro-Oeste brasileiro.

Socialmente, a destinação dos R$ 125 mil de indenização compensatória para a UCDB apoia diretamente a pesquisa científica regional. Estudantes e professores de biologia, engenharia ambiental e medicina veterinária contarão com recursos adicionais para custear bolsas de estudo, combustível para expedições fluviais e equipamentos de monitoramento de animais silvestres ameaçados de extinção, como a onça-pintada e o cervo-do-pantanal. A produção de conhecimento científico robusto auxilia o governo na formulação de planos de manejo de queimadas mais eficientes.

A tabela abaixo descreve detalhadamente o cronograma de implantação física do projeto de recomposição da vegetação nativa na fazenda pantaneira acordado entre as partes:

Etapa do Cronograma Técnico Ação Prática de Recomposição Área Alvo (Hectares) Prazo Limite de Execução Órgão de Fiscalização
Etapa 1: Cercamento Isolamento de Reserva Legal e APPs 17,77 90 dias Promotoria / Nuegeo
Etapa 2: Cadastro Protocolo do Prada e CAR no Imasul 50,64 120 dias Imasul
Etapa 3: Plantio Introdução de mudas nativas e sementes 32,87 180 dias Imasul / MPMS
Etapa 4: Auditoria Primeiro relatório de sobrevivência de mudas N/A 360 dias Nuegeo / UCDB
Etapa 5: Monitoramento Relatórios semestrais de cobertura vegetal 50,64 5 anos Imasul

O Que Dizem os Envolvidos

Os representantes do Ministério Público e as instituições parceiras ressaltam o caráter preventivo e pedagógico das sanções ambientais negociadas. O promotor de justiça responsável pela condução do inquérito civil destaca a importância do Nuegeo no suporte às ações investigativas de campo.

"O geoprocessamento revolucionou a defesa do meio ambiente em nosso estado. Com o cruzamento de satélites, não há mais espaço para desmatamentos ocultos na imensidão do Pantanal. O TAC assinado em Corumbá demonstra que os produtores rurais estão compreendendo que a regularização ambiental e o respeito à Reserva Legal são pré-requisitos para a sustentabilidade econômica do agronegócio sul-mato-grossense", pontuou o promotor do MPMS.

Pelo lado da defesa técnica do proprietário da fazenda pantaneira, foi ressaltado que a assinatura do acordo reflete o compromisso com a produção sustentável e o desejo de sanar eventuais passivos herdados de gestões anteriores da propriedade.

"Buscamos o Ministério Público de forma consensual para alinhar nossa conduta aos novos parâmetros da legislação. O Prada que apresentamos ao Imasul adota as melhores práticas de regeneração assistida e a destinação da verba para a UCDB reflete nossa intenção de apoiar a ciência local, transformando um passivo técnico em um ativo ecológico real", explicou o advogado de defesa do produtor rural.

Os pesquisadores da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) celebraram a destinação da verba indenizatória para a conservação científica do Pantanal, destacando que os recursos serão fundamentais para a manutenção das bases avançadas de pesquisa mantidas no interior do bioma.

"Esse recurso chega em um momento crucial para garantir a continuidade do monitoramento de mamíferos terrestres e aves migratórias no Pantanal. O suporte financeiro oriundo das penalidades ambientais do MPMS fortalece nossa infraestrutura acadêmica de campo e permite que nossos cientistas continuem gerando dados práticos indispensáveis para a proteção da nossa biodiversidade", explicou uma pesquisadora e professora do departamento de ciências biológicas da UCDB.

Próximos Passos

Com a homologação oficial do Termo de Ajustamento de Conduta pelo Conselho Superior do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, o proprietário rural iniciará o cercamento físico da área de 17,77 hectares de Reserva Legal para impedir o acesso do gado às mudas em desenvolvimento. As primeiras estacas e aramados serão instalados na próxima quinzena, delimitando a zona de exclusão pastoril da propriedade.

O Imasul analisará nos próximos 60 dias o Projeto de Recuperação de Área Degradada (Prada) protocolado pelos consultores técnicos contratados pelo fazendeiro. Os técnicos do órgão estadual verificarão se a lista de espécies de plantas selecionadas (como ipê-roxo, angico, aroeira e carandá) condiz com a fitofisionomia original do Pantanal de Corumbá, garantindo a biodiversidade botânica necessária para atrair a avifauna polinizadora de volta à área degradada.

A universidade UCDB, por meio da coordenação do Ceippam, emitirá na próxima semana a guia de depósito bancário identificada para o recebimento dos R$ 125 mil da compensação ambiental. Após a compensação bancária dos recursos, a reitoria da universidade e a equipe de biologia planejarão o cronograma de expedições de monitoramento ecológico na fazenda, fornecendo relatórios anuais independentes à promotoria de justiça para atestar o sucesso da recuperação da cobertura vegetal nativa no Pantanal.

Fechamento

A resolução consensual de danos ambientais através do Termo de Ajustamento de Conduta firmado em Corumbá consolida o papel do Ministério Público de Mato Grosso do Sul como indutor do desenvolvimento sustentável. A conciliação entre a repressão ao desmatamento ilegal e a reparação ambiental célere demonstra que a tecnologia de satélites e o rigor cadastral do CAR são aliados fundamentais para a proteção ecológica do bioma pantaneiro.

Ao direcionar verbas de penalidades para instituições de pesquisa como a UCDB, o acordo assegura que os custos sociais e ambientais do desmatamento retornem como investimentos práticos em ciência e conscientização comunitária. O avanço deste Prada no Pantanal de Mato Grosso do Sul serve de baliza operacional para que outros proprietários rurais busquem a regularização de seus passivos, preservando a riquíssima biosfera pantaneira como um patrimônio imutável e seguro para a posteridade.


Referências e Fontes de Autoridade

  • Para consultar inquéritos civis públicos, resoluções de conselhos e TACs homologados no estado, acesse a página do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS).
  • Dados sobre licenciamento ambiental, cadastros no CAR e aprovações de Prada estão disponíveis no portal do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul).
  • Pesquisas científicas, projetos de conservação de fauna e relatórios de campo do Ceippam podem ser consultados no site da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB).
Meio AmbientePantanalCorumbáMinistério PúblicoImasul
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Publicado em 29 de julho de 2026 às 00:00
Fonte: Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS)
RB
Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.

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