Pular para o conteúdo principal
Política, gestão pública e bastidores de MS
InstagramX/TwitterContato
BP
Bastidor Públicoms
PolíticaBastidoresPoder PúblicoTransparênciaAnáliseReportagem EspecialEleições
BP
Bastidor Público
MS

Cobertura política investigativa e institucional de Mato Grosso do Sul. Bastidores do poder, gestão pública, transparência e análise política com resp...

FIXYT

Editorias

  • 🏛️ Política
  • 🔍 Bastidores
  • ⚖️ Poder Público
  • 📊 Transparência
  • 📐 Análise
  • 📰 Reportagem Especial
  • 🏙️ Campo Grande
  • 🌾 Interior MS
  • 🗳️ Eleições
  • 💬 Opinião

Institucional

  • Sobre o Bastidor Público
  • Política de Correções
  • Fontes e Créditos
  • Contato
  • Anuncie
  • Todas as Tags
  • Termos de Uso
  • Política de Privacidade

Newsletter

Receba as principais notícias políticas de MS direto no seu e-mail.

Municípios Cobertos em MS

Campo GrandeDouradosTrês LagoasCorumbáPonta PorãNaviraíNova AndradinaAquidauanaMaracajuSidrolândiaParanaíbaCoximJardimBonitoChapadão do Sul

© 2026 Bastidor Público MS. Todos os direitos reservados.

Campo Grande, MS · Brasil

  1. Início
  2. Poder Público
  3. Operação Consigliere: PF e FICCO asfixiam Nova Okaida na Paraíba
⚖️ Poder Público

Operação Consigliere: PF e FICCO asfixiam Nova Okaida na Paraíba

Investigação da FICCO/PB mira tráfico e lavagem de capitais da facção Nova Okaida. Ação interestadual cumpre mandados e atinge cúpula criminosa.

RB
Redação Bastidor Público
12 de julho de 2026•8 min
João Pessoa2000 palavras
Operação Consigliere: PF e FICCO asfixiam Nova Okaida na Paraíba

O Que Aconteceu

No dia 8 de julho de 2026, uma expressiva força-tarefa composta por agências de segurança federais e estaduais deflagrou a Operação Consigliere, voltada a desmantelar os pilares logísticos e financeiros de uma das organizações criminosas mais influentes da Paraíba. A ofensiva, coordenada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado na Paraíba (FICCO/PB), teve como foco central a facção criminosa Nova Okaida, que atua fortemente no tráfico interestadual de drogas e na lavagem de capitais no Nordeste brasileiro.

A mobilização policial resultou no cumprimento de 59 ordens judiciais, expedidas pela Justiça Estadual da Paraíba. Entre as determinações legais constavam 46 mandados de busca e apreensão e 13 mandados de prisão temporária. Ao final do dia da deflagração, o balanço oficial indicou um total de 16 pessoas detidas no estado da Paraíba, abrangendo não apenas os alvos das ordens prisionais, mas também indivíduos presos em flagrante delito pelos crimes de tráfico de drogas, posse e porte ilegal de arma de fogo e obstrução de justiça, além de foragidos do sistema prisional capturados no decorrer das buscas.

Os mandados foram executados em diferentes municípios da Paraíba, incluindo a capital João Pessoa, além de Campina Grande, Conde, Lagoa Seca e Patos. A abrangência da investigação revelou ramificações interestaduais, levando os policiais a cumprir mandados no município de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul — localizado na fronteira seca com o Paraguai, apontado como o principal corredor de abastecimento de entorpecentes e armas para o grupo criminoso —, e no estado de São Paulo, abrangendo a capital paulista, São Caetano do Sul e Igaratá, onde se concentravam as operações de ocultação de patrimônio e lavagem de ativos.

O principal alvo da ação foi Ítalo Luan Xavier de Lira, amplamente conhecido nos registros criminosos pela alcunha de "Gordo Ítalo". Apontado pelas forças de inteligência como um dos criminosos mais violentos do estado da Paraíba, Gordo Ítalo é considerado um dos principais conselheiros e líderes ideológicos da Nova Okaida. Mesmo recluso na Penitenciária de Segurança Máxima Dr. Romeu Gonçalves Abrantes (PB1), localizada em João Pessoa, ele mantinha controle ativo sobre a rotina da facção por meio de celulares clandestinos. Outra prisão de impacto ocorreu no bairro José Pinheiro, em Campina Grande, onde foi detida a companheira do traficante, rotulada pelas investigações como a "primeira-dama do crime", responsável por operacionalizar os repasses financeiros e transmitir as ordens do líder para os comparsas nas ruas.

Contexto e Histórico

A facção criminosa Nova Okaida, também conhecida pelas forças policiais e moradores da região como "Tropa do Vaqueirinho", possui um histórico profundamente enraizado na evolução do crime organizado paraibano. O grupo nasceu em 2019 como uma dissidência interna direta da antiga estrutura da Okaida, facção originalmente fundada entre os anos de 2005 e 2006 no sistema carcerário do estado, e que posteriormente passou por reorganizações como a Okaida RB entre os anos de 2017 e 2019.

O nome curioso da facção original, que inspirou a atual roupagem, carrega uma origem pitoresca no contexto do sistema penitenciário da Paraíba de meados dos anos 2000. Trata-se de uma adaptação fonética e irônica do nome da organização terrorista internacional Al-Qaeda. No cenário de disputas carcerárias da época, o grupo rival histórico passou a se autodenominar "Estados Unidos", simulando uma espécie de "guerra ao terror" em escala local, cujos desdobramentos geraram confrontos sangrentos pelo controle territorial tanto dentro dos presídios quanto nas periferias das principais cidades do estado, especialmente em comunidades da Grande João Pessoa.

Ao longo de duas décadas, o crime organizado na Paraíba evoluiu de pequenos bandos locais para redes integradas. A Okaida original rompeu sua antiga aliança comercial com o Primeiro Comando da Capital (PCC) por volta de 2010, aproximando-se gradativamente de outras redes de distribuição nacional. A ascensão da Nova Okaida a partir de 2019 consolidou uma estrutura mais profissionalizada e hierárquica, focada no controle de rotas de distribuição urbana e na lavagem de dinheiro por meio de empresas de pequeno porte e contas de terceiros.

A escolha do codinome Operação Consigliere faz alusão direta à terminologia utilizada nas estruturas da máfia siciliana (Cosa Nostra), popularizada pela literatura e pelo cinema. O consigliere desempenha o papel de conselheiro do chefe da organização, atuando como um mediador de conflitos, estrategista financeiro e orientador técnico da cúpula. Na investigação da FICCO/PB, Gordo Ítalo foi identificado desempenhando exatamente essa função técnica de aconselhamento. De dentro de sua cela na Penitenciária de Segurança Máxima PB1, ele coordenava as rotas de drogas vindas da fronteira paraguaia, determinava a aquisição de armamentos e decidia os destinos dos lucros ilícitos da organização, agindo como o mentor intelectual das ações externas.

A conexão da operação com o município de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, evidencia a complexidade logística do grupo. Ponta Porã funciona como uma zona de livre trânsito e principal porto de entrada de maconha e cocaína produzidas no Paraguai e na Bolívia. A facção paraibana estabeleceu operadores fixos na fronteira sul-mato-grossense para negociar diretamente com fornecedores internacionais, eliminando atravessadores e aumentando a margem de lucro que financiava a estrutura armada instalada nas comunidades da Paraíba.

Impacto Para a População

O desmantelamento das lideranças da Nova Okaida e o cumprimento das ordens judiciais trazem um alento imediato às comunidades periféricas que sofrem diariamente sob a opressão armada das facções. O domínio territorial exercido pelo crime organizado impõe um poder paralelo violento, limitando o direito de ir e vir de moradores, interferindo no funcionamento de pequenos comércios locais e impedindo a plena prestação de serviços públicos essenciais, como o atendimento de postos de saúde, a coleta de resíduos e o transporte coletivo.

A asfixia financeira decorrente do sequestro de bens e bloqueio de contas correntes dos investigados, determinada pela Justiça, constitui uma das medidas mais eficazes para reduzir o poder operacional do grupo. Sem a disponibilidade imediata de capital de giro, a organização criminosa enfrenta dificuldades crônicas para repor estoques de entorpecentes interceptados pelas polícias, realizar a manutenção de armamentos de grosso calibre e recrutar novos integrantes para atuar no varejo das drogas.

Abaixo, a tabela detalha as principais linhas de ação executadas durante a operação e suas implicações para a segurança da população:

Frente de Investigação Detalhamento Técnico do Fato Localidade das Ocorrências Implicação para a Segurança Pública
Operação Consigliere Cumprimento de 46 mandados de busca e 13 de prisão temporária no dia 8 de julho de 2026 João Pessoa, Campina Grande, Conde, Lagoa Seca, Patos, Ponta Porã, São Paulo Redução imediata da capacidade de articulação urbana da cúpula da Nova Okaida
Liderança no PB1 Gordo Ítalo coordenava rotas de tráfico e lavagem de capitais de dentro da prisão Penitenciária Dr. Romeu Gonçalves Abrantes (PB1) - João Pessoa Evidencia a necessidade de reforço e varredura nos sistemas de bloqueio de sinal celular
Primeira-dama do Crime Prisão da companheira do líder, responsável pela logística de rua e repasses financeiros Bairro José Pinheiro - Campina Grande Rompimento do principal canal de transmissão de ordens entre o presídio e o meio externo
Logística de Fronteira Execução de mandados de busca em Ponta Porã para desarticular rota de fornecimento Ponta Porã (Mato Grosso do Sul) Enfraquecimento da importação direta de armas e entorpecentes vindos do Paraguai
Lavagem de Capitais Bloqueio de contas e sequestro de bens de investigados localizados em São Paulo São Paulo, São Caetano do Sul e Igaratá Desestruturação do suporte financeiro utilizado para ocultar os lucros da facção

Os custos da criminalidade organizada pesam diretamente no bolso do contribuinte e no desenvolvimento econômico das regiões afetadas. Estima-se que a violência urbana reduza o valor venal de imóveis residenciais e comerciais em áreas periféricas sob controle de facções em até 35%, congelando o patrimônio de famílias de baixa renda. Ademais, o expressivo aporte financeiro estatal necessário para custear operações policiais integradas de alta complexidade, a manutenção de estruturas prisionais de segurança máxima e o tratamento de vítimas da violência na rede de saúde pública retira recursos que poderiam ser direcionados a áreas prioritárias, como educação e infraestrutura urbana.

O Que Dizem os Envolvidos

A assessoria de comunicação da Polícia Federal na Paraíba informou, por meio de notas oficiais distribuídas à imprensa, que a Operação Consigliere é fruto de um refinado trabalho de inteligência policial e análise de fluxos financeiros, integrando as diretrizes da Operação Força Integrada III, uma mobilização de âmbito nacional realizada simultaneamente em 16 estados brasileiros para combater as estruturas periféricas e centrais das facções de tráfico de drogas. A PF ressaltou que a integração entre forças federais e estaduais é a única estratégia viável para combater com eficácia o crime organizado interestadual.

A Secretaria de Estado da Segurança e da Defesa Social da Paraíba destacou a participação de aproximadamente 200 policiais das polícias Civil, Militar e Penal do estado na execução das ordens judiciais. O órgão declarou que a cooperação técnica contínua no âmbito da FICCO/PB tem permitido asfixiar os núcleos de comando carcerários, reduzindo significativamente os índices de homicídios decorrentes de disputas territoriais de tráfico no estado.

Até o fechamento desta reportagem, a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) não havia se manifestado oficialmente sobre a facilidade com que o detento Ítalo Luan Xavier de Lira tinha acesso a telefones celulares no interior da Penitenciária PB1 para comandar as operações da facção. As defesas técnicas de Ítalo Luan Xavier de Lira e de sua companheira, detida em Campina Grande, não foram localizadas para comentar as prisões ou optaram por não conceder declarações públicas antes de terem acesso integral aos autos do processo que corre em segredo de justiça.

Próximos Passos

Com a conclusão da fase ostensiva da operação e a consolidação das prisões, o foco das investigações passa a ser a análise detalhada do material apreendido pelas equipes em campo. Os telefones celulares, computadores, documentos e comprovantes de movimentações financeiras recolhidos nas residências dos alvos e na cela de Gordo Ítalo na Penitenciária PB1 passarão por perícia técnica especializada dos peritos da Polícia Federal. O objetivo primordial é extrair dados que revelem a identidade de outros integrantes do grupo, rastrear o fluxo de capitais e identificar novas empresas de fachada utilizadas no esquema de lavagem de dinheiro.

Na esfera judicial, a FICCO/PB encaminhará o relatório final das investigações ao Ministério Público do Estado da Paraíba, que avaliará a apresentação da denúncia formal contra os investigados pelos crimes de tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O processo seguirá o trâmite na Justiça Estadual, e os alvos temporários poderão ter suas prisões convertidas em preventivas caso restem demonstrados os riscos à ordem pública e à instrução criminal.

Paralelamente, a Secretaria de Administração Penitenciária da Paraíba deverá instaurar um procedimento administrativo interno para apurar como os aparelhos de comunicação entraram na Penitenciária PB1 e avaliar a transferência de Ítalo Luan Xavier de Lira para um presídio federal de segurança máxima, visando isolá-lo por completo da rede de comunicação que viabilizava a manutenção de seu papel de conselheiro da facção Nova Okaida.

Fechamento

A deflagração da Operação Consigliere no dia 8 de julho de 2026 representa um golpe contundente contra a cúpula da facção Nova Okaida e reafirma a eficácia das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCO) no território nacional. Ao mirar simultaneamente no comando carcerário da Paraíba, na logística de abastecimento da fronteira em Mato Grosso do Sul e no cérebro financeiro do grupo em São Paulo, o Estado demonstra que as fronteiras geográficas não são barreiras para a persecução penal.

Contudo, o episódio também acende um alerta sobre os gargalos crônicos do sistema prisional brasileiro, onde lideranças de alta periculosidade continuam gerindo impérios criminosos de dentro de celas de segurança máxima. O combate definitivo ao crime organizado exige mais do que prisões sucessivas; necessita de investimentos maciços em tecnologia de bloqueio de sinal, fiscalização rigorosa nos presídios e, fundamentalmente, na asfixia patrimonial que desmantela o poder econômico dessas organizações, devolvendo a tranquilidade e a dignidade às comunidades reféns do tráfico.


Fontes e Referências

  • Polícia Federal - Portal Oficial (https://www.gov.br/pf)
  • Ministério da Justiça e Segurança Pública - Senappen (https://www.gov.br/mj)
  • Secretaria de Estado da Segurança e da Defesa Social da Paraíba (https://paraiba.pb.gov.br/diretas/secretaria-de-seguranca-e-defesa-social)
  • Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba (https://www.tjpb.jus.br)
Operação ConsiglierePolícia FederalFICCONova OkaidaTráfico de DrogasLavagem de DinheiroParaíba
Compartilhar:WFXT
Publicado em 12 de julho de 2026 às 00:00
Fonte: Polícia Federal (gov.br/pf)
RB
Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.

@bastidorpublicoE-mail

Relacionadas

⚖️

Operação Busting: PF e FICCO asfixiam finanças de facções no RN

há cerca de 17 horas
⚖️

Força Integrada III: PF e FICCO asfixiam finanças de facções em Alagoas

há cerca de 17 horas
⚖️

Operação Thálassa no Maranhão: PF e FICCO combatem facção na Vila Samara

há cerca de 17 horas
⚖️

Operação Colosso de Areia: Polícia Federal e GAECO Combatem Lavagem de Dinheiro no ES

há 1 dia

Receba as notícias

Os bastidores da política de MS direto no seu e-mail.

Transparência Pública

Acesse dados oficiais de MS

Portal da Transparência MS

Receitas, despesas, contratos e folha de pagamento do governo estadual.

Diário Oficial de MS

Publicações oficiais, nomeações, licitações e atos normativos.

TCE-MS — Tribunal de Contas

Auditorias, pareceres e julgamentos de contas públicas.

Assembleia Legislativa MS

Projetos de lei, votações, comissões e atividade parlamentar.

Links para portais oficiais do Governo de MS

Operação Consigliere: PF e FICCO asfixiam Nova Okaida na Paraíba | Bastidor Público MS