Garras da Polícia Civil fiscaliza ferros-velhos e apreende toneladas de fios de cobre em Campo Grande
A Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (GARRAS), unidade de elite da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS), deflagrou na manhã de 14 de agosto de 2026 uma grande operação de fiscalização e combate ao comércio clandestino de fiação elétrica e telecomunicações em Campo Grande. A ação resultou na apreensão de mais de 3,2 toneladas de cabos de cobre e na prisão em flagrante de três empresários do setor de reciclagem por receptação qualificada.
A ofensiva contou com a participação de peritos do Instituto de Criminalística, fiscais da Prefeitura Municipal e equipes técnicas especializadas da concessionária de energia Energisa e de empresas provedoras de internet e telefonia. As inspeções foram concentradas em ferros-velhos de grande porte situados nas Avenidas Bandeirantes, Marechal Deodoro, Manoel da Costa Lima e Gury Marques.
De acordo com a Polícia Civil, o furto de cabos vinha causando constantes interrupções no fornecimento de energia elétrica em semáforos de cruzamentos movimentados, postos de saúde da família (USF) e escolas municipais, gerando prejuízos incalculáveis à rotina da população campo-grandense.
O Que Aconteceu
As equipes operacionais do GARRAS iniciaram as vistorias por volta das 7 horas, bloqueando o acesso de caminhões a pátios de reciclagem previamente mapeados pelo serviço de inteligência policial. Durante as buscas, os peritos criminais utilizaram detectores de ligas metálicas e realizaram testes de condutividade em dezenas de fardos de cobre queimado e desencapado.
Em um dos depósitos inspecionados na Avenida Marechal Deodoro, os policiais localizaram sob uma pilha de carcaças de eletrodomésticos mais de 1.800 quilos de cabos de alta tensão com logomarcas raspadas e características exclusivas do cabeamento subterrâneo utilizado na iluminação pública de Campo Grande.
Também foram recolhidas ferramentas pesadas de corte industrial, balanças digitais de precisão descalibradas e maçaricos utilizados para derreter a capa plástica dos fios e dificultar a identificação da procedência do material.
Três proprietários de ferros-velhos que não conseguiram comprovar a origem fiscal e a nota de entrada dos produtos foram presos em flagrante delito e conduzidos à sede do GARRAS, no bairro Tiradentes, onde foram autuados sem direito a fiança em sede policial.
Contexto e Histórico
O furto e a receptação de cabos de cobre tornaram-se uma das modalidades criminosas mais nocivas à infraestrutura urbana nas capitais brasileiras nos últimos anos, impulsionados pela alta cotação do cobre no mercado internacional de commodities. Em Campo Grande, a facilidade de comercialização clandestina alimentava uma rede de usuários de drogas e pequenos criminosos que vandalizavam postes, caixas de passagem e transformadores durante a madrugada.
Em resposta a essa crise, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) instituiu uma força-tarefa permanente coordenada pela Polícia Civil para atingir o topo da cadeia delitiva: os grandes receptadores comerciais que compram o metal furtado por uma fração de seu valor real e o revendem para fundições fora do estado.
A legislação penal brasileira foi endurecida para considerar a receptação de bens de concessionárias de serviços públicos como crime qualificado, com penas severas que buscam desestimular a compra de sucatas sem rastreabilidade documental.
A operação do GARRAS consolida a estratégia de fiscalizações inopinadas e periódicas para sanear o comércio de recicláveis na capital sul-mato-grossense.
Impacto Para a População
O combate enérgico aos receptadores de fios reflete-se diretamente na melhoria dos serviços públicos essenciais de Campo Grande. A redução dos furtos diminui os apagões de semáforos que geravam acidentes de trânsito em horários de pico, restabelece a iluminação pública em praças e previne a queda de conexões de internet em hospitais e órgãos de atendimento comunitário.
Para os comerciantes honestos do setor de sucatas e reciclagem, a atuação rigorosa da polícia combate a concorrência predatória praticada por depósitos ilegais que operavam à margem da lei e sem licenças ambientais, valorizando as empresas que trabalham com seriedade e notas fiscais eletrônicas.
A tabela a seguir apresenta os resultados operacionais consolidados e o impacto financeiro da operação do GARRAS em Campo Grande:
| Indicador Operacional | Levantamento Prévio | Resultado Alcançado na Ação | Benefício Direto à Cidade |
|---|---|---|---|
| Cabos de Cobre Apreendidos | Estimativa de 1 tonelada | 3.250 kg recuperados | Restituição às concessionárias |
| Ferros-Velhos Vistoriados | 8 alvos cadastrados | 8 fiscalizados (100%) | Saneamento do setor comercial |
| Prisões em Flagrante | Investigados sob suspeita | 3 empresários autuados | Rompimento da rede de receptação |
| Alvarás Suspensos | — | 4 depósitos interditados | Fechamento de pontos clandestinos |
| Prejuízo Evitado à Infraestrutura | R$ 800 mil estimados | R$ 1.500.000,00 | Continuidade de energia e internet |
A população de Campo Grande pode continuar auxiliando as autoridades denunciando movimentações noturnas de queima de fios pelo canal do GARRAS no telefone (67) 3357-9500 ou pelo 190 da Polícia Militar.
O Que Dizem os Envolvidos
Em pronunciamento na sede da unidade especializada, o delegado titular do GARRAS detalhou a metodologia da investigação e o foco na desarticulação econômica dos receptadores:
"Quem furta o fio na rua só o faz porque existe alguém com estrutura comercial para comprar e lucrar com o patrimônio público. Nossa missão é prender esses receptadores e fechar as portas de depósitos que financiam o vandalismo na nossa capital", afirmou o delegado.
Representantes da concessionária de energia Energisa elogiaram a rapidez e a firmeza da ação policial:
"A atuação enérgica da Polícia Civil é fundamental para proteger as redes de distribuição e garantir que as famílias campo-grandenses tenham energia contínua e sem interrupções provocadas por furtos", pontuou o gerente de operações da concessionária.
Os advogados de defesa dos empresários detidos informaram que seus clientes atuam regularmente no ramo de reciclagem e que provarão em juízo que os materiais foram adquiridos de fornecedores cadastrados.
Próximos Passos
Os peritos do Instituto de Criminalística realizarão a separação técnica dos cabos apreendidos por tipo de bitola e especificidade de isolamento, elaborando laudos que serão anexados aos inquéritos policiais.
A Polícia Civil encaminhará relatórios detalhados à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur) para cassação definitiva das licenças de funcionamento dos depósitos reincidentes na compra de produtos sem nota fiscal.
Os três presos foram transferidos para o Centro de Triagem Anísio Lima, onde permanecerão sob custódia à disposição do Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul.
O GARRAS manterá fiscalizações diárias em conjunto com a Guarda Civil Metropolitana (GCM) em ferros-velhos de todos os bairros de Campo Grande.
A intensificação das fiscalizações do GARRAS em estabelecimentos de reciclagem faz parte de uma estratégia de tolerância zero contra a depredação do patrimônio público na capital. A identificação de redes de receptação que compravam materiais furtados durante a madrugada permite desmantelar a cadeia econômica que financiava pequenos furtos em bairros nobres e periféricos de Campo Grande, devolvendo a tranquilidade aos moradores e comerciantes.
As operadoras de telecomunicações e a concessionária de energia elétrica têm atuado em parceria direta com a Polícia Civil, disponibilizando técnicos especializados e equipamentos de perícia para atestar a propriedade dos materiais apreendidos em tempo real. Essa colaboração técnica acelera a conclusão dos inquéritos policiais e fundamenta acusações sólidas perante o Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul.
Fechamento
A operação do GARRAS contra a receptação de fios de cobre em Campo Grande representa uma vitória contundente na defesa do patrimônio público e da qualidade de vida dos cidadãos. Ao punir os financiadores do crime e apreender toneladas de materiais furtados, as forças de segurança de Mato Grosso do Sul demonstram eficiência, integração e compromisso absoluto com a ordem urbana na capital.
Referências e Fontes Oficiais
- Polícia Civil do Estado de Mato Grosso do Sul (PCMS) — Delegacia Especializada GARRAS
- Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de MS (Sejusp-MS)
- Instituto de Criminalística de Mato Grosso do Sul (IC-MS)
- Prefeitura Municipal de Campo Grande — Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur)
- Portal G1 Mato Grosso do Sul — Notícias de Segurança Pública




