DPE-PA e Protetores Mobilizam Força-Tarefa Para Resgate e Vacinação de Animais de Indígenas Warao em Belém

O Que Aconteceu
Uma mobilização humanitária e sanitária de emergência articulada pelo Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos (NDDH) da Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE-PA), em cooperação técnica com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), a Delegacia de Proteção Animal (DPA) da Polícia Civil do Pará e uma rede de voluntários protetores independentes, iniciou nesta segunda-feira, 17 de agosto de 2026, uma força-tarefa de resgate, assistência alimentar e cuidados veterinários para cerca de trinta cães deixados em um antigo abrigo no bairro do Tapanã, em Belém.
Os animais pertenciam a dezenove famílias de refugiados indígenas da etnia Warao, originários da região do Delta do Orinoco, na Venezuela, que residiam provisoriamente no imóvel do Tapanã.
Por determinação da Justiça Federal, as famílias indígenas foram transferidas em junho para um novo espaço de acolhimento com melhor infraestrutura de água tratada, energia e dormitórios no distrito de Outeiro, na Região Metropolitana de Belém.
No entanto, em razão de restrições de metragem e regulamentos sanitários do novo alojamento de transição, os animais domésticos que acompanhavam as famílias não puderam ser embarcados no transporte oficial, permanecendo no antigo galpão.
Sensibilizados com a situação de extrema vulnerabilidade dos cães, voluntários e vizinhos do Tapanã assumiram a alimentação diária e a limpeza do espaço, evitando que os animais se dispersassem pelas ruas e rodovias da capital paraense.
O grupo de cães, que já chegou a ultrapassar 100 animais no auge do fluxo migratório, sofreu perdas significativas devido a surtos graves de parvovirose e cinomose canina nos meses chuvosos de inverno amazônico.
A nova intervenção interinstitucional coordenada pela DPE-PA realizou a triagem clínica de todos os animais remanescentes, aplicação de vacinas polivalentes (V10) e antirrábicas pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), vermifugação e agendamento de cirurgias eletivas de esterilização e castração no Hospital Veterinário Municipal Dr. Vahia.
A implementação das novas diretrizes insere-se em um esforço contínuo de modernização da máquina pública no estado. Ao longo dos últimos anos, a expansão urbana e o crescimento das demandas sociais na capital e nas cidades do interior exigiram do Poder Público respostas rápidas e sustentáveis para otimizar a aplicação do orçamento. A análise retrospectiva dos indicadores de gestão apontou a necessidade de fortalecer os mecanismos de controle interno e integrar os sistemas de informação das secretarias estaduais. Esse histórico de planejamento e consulta pública prévia confere segurança jurídica e legitimidade às ações em andamento, assegurando a estabilidade das políticas públicas e promovendo o bem-estar social.
Contexto e Histórico
O fluxo migratório dos indígenas Warao para o Brasil intensificou-se a partir de 2017 em decorrência da profunda crise humanitária, socioeconômica e sanitária na Venezuela.
Belém tornou-se um dos principais polos de acolhimento da etnia no Norte do país, onde o Poder Público municipal e estadual, com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (Acnur) e do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), estruturou serviços socioassistenciais específicos respeitando a cosmologia e os costumes ancestrais desse povo originário.
Na cultura tradicional Warao, a convivência com animais domésticos, especialmente cães e gatos, é marcada por fortes laços de proteção familiar e companheirismo em suas aldeias ribeirinhas e palafitas (janokos).
A transferência das famílias para abrigos urbanos impôs complexos desafios de gestão pública, exigindo a conciliação entre as normas de vigilância em saúde coletiva dos abrigos e a garantia do bem-estar animal.
A legislação brasileira de proteção animal, fundamentada no Artigo 225 da Constituição Federal e na Lei Sansão (Lei Federal nº 14.064/2020), estabelece o dever do Estado e da sociedade de proteger a fauna contra qualquer forma de maus-tratos, abandono ou crueldade, impulsionando a articulação da Defensoria Pública para assegurar soluções éticas e humanizadas de abrigo e adoção.
Os impactos das medidas implementadas refletem-se diretamente na qualidade dos serviços colocados à disposição dos habitantes. A otimização dos recursos públicos permite a ampliação dos atendimentos na rede de saúde, o reforço da segurança nas vias públicas e o aceleramento de obras de infraestrutura urbana. No plano econômico, a previsibilidade fiscal e o rigor na aplicação das verbas estaduais atraem novos investimentos privados, estimulando a geração de empregos e o fortalecimento do comércio local em todas as comarcas do estado.
Impacto Para a População
A força-tarefa multidisciplinar de socorro e proteção animal coordenada pela Defensoria Pública e entidades de bem-estar animal de Belém representa uma resposta civilizatória, humanizada e sanitária fundamental para proteger os animais e resguardar a saúde pública de toda a comunidade do Tapanã, Outeiro e Icoaraci.
| Dados da Ação Humanitária de Bem-Estar Animal em Belém | Informações Oficiais da DPE-PA, Semma e Voluntários |
|---|---|
| Animais resgatados e assistidos no Tapanã | Cerca de 30 cães acolhidos na força-tarefa |
| Famílias indígenas Warao transferidas | 19 famílias remanejadas para o abrigo de Outeiro |
| Procedimentos veterinários aplicados | Vacinação V10/antirrábica, vermifugação e exames |
| Destinação cirúrgica planejada | Castrações gratuitas no Hospital Veterinário Municipal |
| Encaminhamento dos animais saudáveis | Feiras públicas e campanhas de adoção responsável |
| Órgãos públicos e entidades mobilizadas | DPE-PA (NDDH), Semma, DPA/PCPA, CCZ e ONGs locais |
Para as famílias indígenas da etnia Warao que se encontram acolhidas no novo abrigo distrital de Outeiro, a certeza formal de que seus antigos animais de estimação estão recebendo alimentação diária de qualidade, vacinas e cuidados médicos e serão encaminhados para lares adotivos seguros traz alívio emocional e respeita profundamente as tradições de respeito aos animais de sua cultura originária.
Para os moradores vizinhos ao antigo galpão do Tapanã, a imunização em massa e a castração dos animais eliminam riscos de transmissão de zoonoses como raiva e leishmaniose, impedindo a proliferação descontrolada de cães errantes e garantindo a tranquilidade urbana do bairro.
O Que Dizem os Envolvidos
"Nossa atuação tem como objetivo assegurar que a transição habitacional das famílias Warao ocorra com dignidade plena e respeito aos direitos fundamentais, o que inclui necessariamente uma solução ética, humanizada e estruturada para os animais que com eles conviviam. Estamos articulando castrações e feiras de adoção com a rede de proteção." — Defensora Pública do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da DPE-PA.
"A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e o Centro de Controle de Zoonoses estão fornecendo toda a retaguarda técnica de vacinação, microchipagem e suporte logístico para que esses animais estejam saudáveis e prontos para encontrar famílias acolhedoras em Belém." — Diretor de Proteção Animal da Semma Belém.
"A gente cuidou desses cachorrinhos com todo o carinho e dedicação desde que os indígenas foram transferidos. Ver agora a Defensoria e a Prefeitura entrando com vacina, comida e castração é uma vitória enorme do amor e da solidariedade." — Protetora de animais independente e voluntária no Tapanã.
Médicos-veterinários do CCZ e voluntários da causa animal reforçaram o apelo para que a população paraense prestigie as feiras públicas de adoção e acolha esses animais dóceis e resilientes.
Próximos Passos
A DPE-PA e a Semma realizarão a primeira feira especial de adoção responsável dos cães do Tapanã no próximo sábado, 22 de agosto de 2026, no Parque da Residência, em Belém.
Os animais que necessitam de tratamentos médicos continuados para dermatites ou desnutrição permanecerão sob os cuidados provisórios de lares temporários mantidos com o apoio financeiro de doações da sociedade civil.
A Defensoria Pública acompanhará a elaboração do protocolo permanente de manejo de animais domésticos para os centros municipais de acolhimento de populações refugiadas e migrantes em todo o Pará.
A transparência nas finanças públicas e a vigilância sobre os repasses governamentais consolidam o ambiente democrático, incentivando a participação popular consciente nas decisões administrativas. A articulação permanente entre os setores público e privado na promoção de políticas de inclusão coloca o estado na vanguarda do desenvolvimento sustentável e da governança corporativa de referência no país.
Fechamento
A sensível, exemplar e solidária união de esforços entre a Defensoria Pública do Estado do Pará, os órgãos municipais de meio ambiente e os abnegados protetores voluntários de animais resgata a dignidade, a vida e a esperança de dezenas de cães indefesos no bairro do Tapanã. Em uma sociedade verdadeiramente humana, ética e justa, o amparo aos vulneráveis abrange tanto os seres humanos que buscam refúgio e proteção contra a miséria quanto os fiéis animais que partilham de suas jornadas e afetos.
A compaixão demonstrada pelos vizinhos e o compromisso ético dos defensores públicos reafirmam os mais elevados valores de solidariedade e acolhimento do povo paraense. Que a campanha de adoção responsável seja coroada de êxito e que cada um desses valorosos animais encontre um lar definitivo, acolhedor e repleto de carinho e paz em Belém.




