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TCE-MS suspende emendas parlamentares em 47 municípios por falta de transparência

Conselheiro determina paralisação após auditoria revelar que apenas 2 entes cumprem requisitos de publicidade digital. Dourados descumpre limite para saúde.

Redação Bastidor Público1 de abril de 20269 min de leituraCampo Grande669 palavras
TCE-MS suspende emendas parlamentares em 47 municípios por falta de transparência

O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) determinou a suspensão da execução de emendas parlamentares em 47 municípios sul-mato-grossenses. A decisão, formalizada pelo conselheiro Osmar Domingues Jeronymo por meio da Decisão Singular Interlocutória nº 205/2026, foi motivada por uma auditoria que revelou falhas graves na transparência, na execução financeira e na adequação legal dos recursos transferidos via emendas.

A medida atinge diretamente os orçamentos municipais e expõe um problema estrutural da gestão pública em MS: a maioria das prefeituras não consegue prestar contas adequadas dos recursos que recebe da bancada parlamentar estadual, descumprindo as exigências de rastreabilidade impostas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 854/DF.

O que a auditoria encontrou

O TCE-MS realizou uma verificação detalhada da execução das emendas parlamentares estaduais destinadas aos municípios no exercício de 2025 e no início de 2026. Os resultados foram alarmantes em praticamente todos os eixos avaliados.

Transparência digital

Indicador Resultado
Municípios com plataforma de divulgação adequada 2 de 47 (4,2%)
Municípios que atenderam integralmente os requisitos Governo do Estado e Angélica
Municípios sem portal de transparência para emendas 45 de 47 (95,8%)
Municípios intimados a enviar documentação 31

A auditoria constatou que 45 dos 47 municípios avaliados não possuem plataformas unificadas de divulgação dos recursos recebidos via emendas. Apenas o governo estadual e o município de Angélica atenderam integralmente aos requisitos de publicidade digital.

Irregularidades específicas

Três tipos de irregularidades concentraram a atenção do TCE:

Descumprimento do limite mínimo para saúde: O município de Dourados foi citado por destinar apenas 40% das emendas individuais para a área de saúde, quando o limite constitucional mínimo é de 50%. Essa infração é particularmente grave porque afeta diretamente o financiamento do sistema de saúde público em uma das maiores cidades do estado, com mais de 230 mil habitantes.

Emendas de bancada irregulares: Os municípios de Alcinópolis, Brasilândia e Cassilândia foram apontados por manterem a previsão de emendas de bancada municipal em seus orçamentos — prática que está em desacordo com o entendimento atual do STF sobre a matéria.

Falta de contas bancárias específicas: A maioria dos municípios auditados não possui contas bancárias segregadas para a movimentação dos valores de emendas, impossibilitando o rastreamento financeiro exigido pela legislação federal.

A decisão do STF que mudou o jogo

A auditoria do TCE-MS tem como referência principal a decisão do STF na ADPF 854/DF, que estabeleceu novas regras de transparência e rastreabilidade para emendas parlamentares em todo o país. A decisão da Corte determinou que:

  1. Todos os entes que recebem recursos de emendas devem manter portais de transparência atualizados
  2. Os recursos devem ser movimentados em contas bancárias específicas
  3. A execução financeira deve ser comprovada com extratos e relatórios contábeis detalhados
  4. O descumprimento pode resultar na suspensão dos repasses

O TCE-MS, ao aplicar esses critérios no âmbito estadual, demonstrou alinhamento com a jurisprudência federal. A decisão do conselheiro Jeronymo intimou as 31 prefeituras mais críticas a enviar, em prazo determinado, extratos bancários, relatórios contábeis e documentação completa sobre a aplicação dos recursos.

Consequências para a população

A suspensão das emendas tem impacto direto na vida dos moradores dos 47 municípios afetados. Emendas frequentemente financiam obras de pavimentação, construção de postos de saúde e aquisição de equipamentos — recursos que ficam congelados até a regularização.

Em Dourados, o descumprimento do mínimo de 50% para saúde significa que recursos que deveriam financiar a rede de atendimento estão sendo desviados para outras finalidades. Municípios que não regularizarem a situação podem perder definitivamente o acesso aos recursos, obrigando a população a arcar com a falta de investimentos.

O cidadão tem o direito constitucional de saber como o dinheiro público está sendo gasto — 95,8% dos municípios em MS não garantem esse direito no caso das emendas. A pergunta que o cidadão deve fazer é: por que 95% dos municípios de MS não conseguem sequer manter um portal de transparência para emendas?

O prazo para envio de documentação pelas 31 prefeituras intimadas é abril de 2026, com análise da documentação pelo TCE-MS em maio. Possível suspensão definitiva para municípios inadimplentes pode ocorrer em junho de 2026.

Fonte: TCE-MS, Correio do Estado, Perfil News, Marco Eusébio, A Onça

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Publicado em 1 de abril de 2026 às 00:00
Fonte: TCE-MS, Correio do Estado, Perfil News
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Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.

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