Enquanto o PL exibia força no diretório da Chácara Cachoeira, o Partido dos Trabalhadores de Mato Grosso do Sul abria sua própria agenda política a poucos quilômetros dali. Na sede da Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul), cerca de 100 participantes — dirigentes, parlamentares e lideranças da Federação Brasil da Esperança — se reuniram neste sábado (11) para reorganizar a máquina partidária e traçar a estratégia eleitoral para outubro.
O contraste com o evento do PL era evidente: menos palanque, mais mesa de trabalho. Menos crítica ao adversário, mais organização interna.
O Que Aconteceu
A programação começou pela manhã com a Reunião Ampliada do Diretório Estadual. Participaram membros da executiva, presidentes de diretórios municipais, gestores públicos, coordenadores setoriais e pré-candidatos. A abertura política ficou a cargo do deputado federal Vander Loubet, presidente estadual do PT, ao lado do pré-candidato ao governo, Fábio Trad, e de integrantes da direção estadual.
Na sequência, o foco se voltou ao 8º Congresso Nacional do PT, com discussões sobre atualização do estatuto e diretrizes de organização partidária. A mesa foi coordenada por Maria Helena Faria, com participação do dirigente nacional Valter Pomar.
Ainda pela manhã, o encontro avançou para o cenário eleitoral de 2026. A deputada federal Camila Jara e a secretária nacional Cida Gonçalves participaram da formulação estratégica da legenda no estado.
À tarde, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, participou de um ato político para consolidar os encaminhamentos do dia. A agenda foi encerrada com coletiva de imprensa às 14h.
Contexto e Histórico
O PT de MS vive um momento de reconstrução. O partido não governa o estado desde André Puccinelli (MDB), que derrotou o petista Delcídio do Amaral em 2006. Nas últimas duas eleições estaduais, o PT ficou fora do segundo turno. Em 2022, o partido apoiou o MDB de Marquinhos Trad, que terminou em terceiro lugar.
Para 2026, a aposta é em Fábio Trad, que deixou o cargo na Embratur para se dedicar à pré-candidatura. Trad é irmão de Marquinhos Trad e filho de Nelly Bacha, ex-deputada estadual falecida recentemente, cuja trajetória na defesa da educação e da democracia foi lembrada por políticos de diferentes partidos.
| Elemento | Detalhe |
|---|---|
| Pré-candidato ao governo | Fábio Trad |
| Presidente estadual | Vander Loubet (deputado federal) |
| Deputada federal de destaque | Camila Jara |
| Federação | PT + PCdoB + PV (Brasil da Esperança) |
| Adversário principal | Eduardo Riedel (PP), com apoio do PL |
A Federação Brasil da Esperança — que reúne PT, Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Verde (PV) — funciona como legenda única nas eleições. Isso permite somar votos para o quociente eleitoral e ampliar as chances de eleger deputados. Em MS, a federação é a principal força de oposição ao bloco governista.
Impacto Para a População
A reorganização do PT em MS define o campo de oposição para 2026. Para o eleitor, a existência de uma alternativa organizada ao bloco PL-PP-União Brasil é condição para que haja debate sobre políticas públicas, fiscalização do governo e disputa de ideias.
| Pauta do PT | Proposta |
|---|---|
| Saúde pública | Fortalecimento do SUS e atenção primária |
| Educação | Valorização de professores e expansão de vagas |
| Políticas sociais | Programas de transferência de renda e assistência |
| Meio ambiente | Proteção do Pantanal e combate ao desmatamento |
| Direitos trabalhistas | Revisão da reforma trabalhista |
O encontro não produziu propostas detalhadas — esse não era o objetivo. A pauta era organizacional: alinhar diretórios municipais, definir cronograma de pré-convenções e preparar o terreno para o 8º Congresso Nacional, que vai atualizar o estatuto do partido.
Para o cidadão que acompanha a política de MS, o dado relevante é que o PT está montando estrutura para disputar o governo com candidato próprio, algo que não acontecia desde 2014. A presença de Edinho Silva, presidente nacional, sinaliza que a direção do partido considera MS um estado prioritário.
O Que Dizem os Envolvidos
Vander Loubet, na abertura, destacou a necessidade de "reorganização interna" e de "construção coletiva" da estratégia eleitoral. Segundo interlocutores presentes, o deputado federal enfatizou que o PT precisa apresentar propostas concretas para MS, e não apenas se posicionar como oposição ao governo Riedel.
Fábio Trad, apesar de classificar a candidatura como "ainda em construção", já opera como pré-candidato. Deixou a Embratur, participa de agendas partidárias e articula apoios nos diretórios municipais. Em declarações anteriores, disse que recebeu "injeção de ânimo" da militância, mas que a candidatura depende de alianças e de condições políticas.
Camila Jara, que se consolidou como a principal voz do PT na bancada federal de MS, participou da mesa sobre cenário eleitoral e deve ter papel central na campanha proporcional.
Próximos Passos
- Abril-maio: Pré-convenções municipais do PT em MS.
- Junho: 8º Congresso Nacional do PT, com atualização do estatuto.
- Julho-agosto: Convenção estadual para oficializar candidaturas.
- Até agosto: Definição de alianças — possível composição com PSB, PDT e Rede.
- 4 de outubro: Primeiro turno das eleições gerais.
Fechamento
O PT de MS sabe que enfrenta uma coalizão governista com estrutura, recursos e mandatos. O encontro na Fetems foi o primeiro passo de uma campanha que precisa transformar organização interna em competitividade eleitoral. Fábio Trad tem nome, sobrenome e história política no estado. Falta saber se terá palanque, aliança e discurso suficientes para furar o bloqueio do bloco de centro-direita que domina a política sul-mato-grossense.
Fontes e Referências
- Campo Grande News (campograndenews.com.br) — "PT reúne lideranças em Campo Grande e dá largada à estratégia para 2026", 10 de abril de 2026
- Campo Grande News — "Fábio Trad deixa cargo na Embratur e dá mais um passo na candidatura ao governo"
- Campo Grande News — "Nelly Bacha rompeu barreira política e é lembrada pela defesa da educação", 9 de abril de 2026
