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Ponte da Rota Bioceânica atinge 90% de execução e previsão de entrega em agosto

Estrutura sobre o Rio Paraguai entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta está na reta final. Beijo das aduelas deve ocorrer em maio. Obras de acesso rodoviário seguem em paralelo.

Redação Bastidor Público19 de abril de 20269 min de leituraPorto Murtinho795 palavras
Ponte da Rota Bioceânica atinge 90% de execução e previsão de entrega em agosto

O Que Aconteceu

A construção da ponte internacional sobre o Rio Paraguai, entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta (Paraguai), atingiu 90% de execução segundo relatório da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de MS).

A obra, peça central da Rota Bioceânica, é uma das maiores estruturas de engenharia em construção no Brasil. Com 680 metros de extensão, a ponte estaiada vai conectar os dois países e abrir um novo corredor logístico entre o Atlântico e o Pacífico.

O Beijo das Aduelas

O próximo marco da obra é o chamado "beijo das aduelas" — o momento em que as duas extremidades da estrutura se encontram no centro do rio. O evento está previsto para o final de maio e será celebrado com cerimônia binacional.

As aduelas são os blocos pré-moldados de concreto que formam o tabuleiro da ponte, avançando simultaneamente a partir das margens brasileira e paraguaia.

Obras de Acesso

Em paralelo à ponte, seguem em execução as obras de acesso rodoviário no lado brasileiro:

  • Contorno de Porto Murtinho — via de 12 km que desviará o tráfego de cargas do centro urbano
  • Restauração da MS-384 — trecho de 85 km entre Jardim e Porto Murtinho
  • Viadutos e interseções — adequação de cruzamentos na região

O investimento total no complexo rodoviário da Rota Bioceânica em MS ultrapassa R$ 1,2 bilhão, somando recursos estaduais, federais e do Banco Mundial.

Impacto Econômico

A conclusão da ponte e da rota deve transformar a economia de Porto Murtinho e da região. O município de 17 mil habitantes já registra valorização imobiliária e aumento da atividade comercial em antecipação à inauguração.

Estudos da Semadesc estimam que a rota pode reduzir em até 30% o custo do transporte de grãos e proteína animal de MS para mercados asiáticos, comparado ao trajeto atual via portos do Sudeste.

O Que Esperar

A inauguração da ponte está prevista para agosto de 2026, com presença dos presidentes do Brasil e do Paraguai. O trecho completo da Rota Bioceânica, incluindo os segmentos no Paraguai e na Argentina, deve estar operacional até o primeiro semestre de 2027.

Engenharia e Dados Técnicos

A ponte sobre o Rio Paraguai é uma estrutura estaiada — sustentada por cabos de aço ancorados em torres de concreto — com vão livre de 340 metros sobre o leito do rio, permitindo a navegação de barcaças mesmo durante o período de cheia. O projeto, assinado pelo consórcio ítalo-paraguaio Salini-Impregilo/CDE, utiliza concreto de alta resistência (50 MPa) e cabos de protensão com capacidade para suportar carga máxima de 120 toneladas por eixo.

A estrutura possui duas faixas de rolamento, acostamentos, passarela para pedestres e ciclovia — um diferencial em relação a outras pontes internacionais da região. O gabarito de navegação (distância entre o nível da água e a parte inferior da ponte) é de 18 metros, compatível com comboios de barcaças do tipo Paraguai-Paraná.

As fundações da ponte alcançam 45 metros de profundidade no leito do rio, assentadas em rocha calcária. A construção envolveu mais de 23 mil metros cúbicos de concreto e 4.500 toneladas de aço em estruturas metálicas.

Projeções Logísticas para o Agronegócio

O principal impacto esperado da Rota Bioceânica é na logística do agronegócio. Atualmente, a soja de MS destinada à Ásia percorre cerca de 12.000 km por via marítima, saindo do Porto de Santos, contornando o continente africano e cruzando o Oceano Índico. Pela Rota Bioceânica, o mesmo produto chegaria a portos chilenos como Antofagasta ou Iquique em um percurso rodoviário de 2.400 km, de onde seguiria por via marítima direta ao Pacífico — economia estimada de 12 a 18 dias no tempo de transporte.

A Aprosoja-MS (Associação dos Produtores de Soja de MS) estima que a rota pode representar uma economia de US$ 30 a US$ 50 por tonelada de soja exportada, o que, considerando a produção estadual de 12 milhões de toneladas/ano, significaria uma redução de custos de até US$ 600 milhões anuais para o setor.

Além de grãos, a rota beneficiará as cadeias de celulose, proteína animal e minerais, com a empresa Suzano e frigoríficos como JBS e Minerva já sinalizando interesse em utilizar o novo corredor.

Transformação de Porto Murtinho

O pequeno município ribeirinho de 17 mil habitantes já vive uma transformação antecipada. O preço do metro quadrado na área central valorizou 180% nos últimos três anos, segundo dados do Creci-MS. Novos empreendimentos hoteleiros, postos de combustível e restaurantes estão em construção, antecipando o fluxo de caminhoneiros e turistas.

A prefeitura de Porto Murtinho, com apoio do governo estadual, investiu R$ 45 milhões em infraestrutura urbana — incluindo sistema de esgotamento sanitário, novo terminal rodoviário e ampliação da rede de abastecimento de água — para preparar a cidade para o aumento de demanda.

O desafio, porém, é evitar que o crescimento acelerado gere problemas de especulação imobiliária e pressão sobre serviços públicos sem o correspondente aumento de arrecadação. A população de Porto Murtinho deve dobrar até 2030, segundo projeções da Semadesc.

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Publicado em 19 de abril de 2026 às 00:00
Fonte: Semadesc MS (semadesc.ms.gov.br)
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Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.

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