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🏛️ Política

Petrobras confirma retomada da UFN-III em Três Lagoas com investimento de R$ 3,5 bilhões

Fábrica de fertilizantes parada desde 2014 será concluída com previsão de operação em 2028. Brasil importa 85% dos fertilizantes que consome.

Redação Bastidor Público13 de abril de 20269 min de leituraTrês Lagoas1565 palavras
Petrobras confirma retomada da UFN-III em Três Lagoas com investimento de R$ 3,5 bilhões

A Petrobras confirmou a retomada das obras da UFN-III (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III) em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. A decisão, aprovada pelo Conselho de Administração da estatal em outubro de 2024 e reafirmada em abril de 2026, prevê investimento de R$ 3,5 bilhões para conclusão da fábrica, que está 81% concluída e permanece paralisada desde 2014. A previsão de início de operação é 2028.

A unidade produzirá ureia e amônia, insumos utilizados na fabricação de fertilizantes nitrogenados aplicados em lavouras de soja, milho, algodão e outras culturas. O Brasil importa aproximadamente 85% dos fertilizantes que consome, o que torna a retomada da UFN-III uma questão que vai além da economia de Mato Grosso do Sul — toca na soberania alimentar e na segurança do abastecimento agrícola do país.

O Que Aconteceu

O Conselho de Administração da Petrobras aprovou, em outubro de 2024, a retomada das obras da UFN-III após mais de uma década de paralisação. Em abril de 2026, a estatal reafirmou o cronograma e confirmou que os trabalhos de engenharia e contratação de fornecedores estão em andamento para viabilizar a conclusão da fábrica.

A UFN-III foi concebida no início da década de 2010 como parte de um programa da Petrobras para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados. A obra avançou até atingir 81% de conclusão, mas foi paralisada em 2014 no contexto da crise financeira da estatal e das investigações da Operação Lava Jato, que revelaram irregularidades em contratos de grandes empreendimentos.

A paralisação por mais de dez anos gerou deterioração de equipamentos e estruturas já instalados, o que elevou o custo de retomada. O investimento estimado de R$ 3,5 bilhões para conclusão inclui não apenas a finalização das obras civis e montagem industrial, mas também a substituição de componentes danificados pelo tempo e a atualização tecnológica de sistemas que ficaram defasados durante o período de inatividade.

A fábrica está localizada em uma área industrial de Três Lagoas, município que já abriga as maiores fábricas de celulose do país e possui infraestrutura logística — rodovias, gasoduto e rede elétrica — compatível com operações industriais de grande porte.

Contexto e Histórico

A dependência brasileira de fertilizantes importados é um problema estrutural que ganhou visibilidade durante a pandemia de Covid-19 e a guerra entre Rússia e Ucrânia. A Rússia é um dos maiores exportadores mundiais de fertilizantes, e as sanções econômicas impostas ao país em 2022 provocaram alta nos preços e incerteza no abastecimento global.

O Brasil, como um dos maiores produtores agrícolas do mundo, consome volumes expressivos de fertilizantes nitrogenados, fosfatados e potássicos. A importação de aproximadamente 85% desses insumos expõe o agronegócio brasileiro a riscos cambiais — quando o dólar sobe, o custo dos fertilizantes em reais dispara — e a riscos geopolíticos, como embargos, conflitos e restrições comerciais.

A UFN-III foi projetada para produzir ureia e amônia a partir de gás natural. Três Lagoas foi escolhida como localização por conta da proximidade com o Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), que atravessa a região e fornece o gás natural necessário como matéria-prima para o processo industrial.

A paralisação da obra em 2014 foi parte de um movimento mais amplo de desinvestimento da Petrobras, que vendeu ativos e cancelou projetos para reduzir seu endividamento. A UFN-III chegou a ser colocada à venda, mas não atraiu compradores dispostos a assumir o investimento necessário para conclusão.

A mudança de postura da Petrobras em 2024, com a aprovação da retomada pelo Conselho de Administração, reflete uma reorientação estratégica da estatal sob a gestão do governo federal. O Plano Nacional de Fertilizantes, lançado em 2022, estabeleceu metas para reduzir a dependência de importações, e a conclusão da UFN-III é uma das ações previstas nesse plano.

Mato Grosso do Sul é um dos maiores estados agrícolas do Brasil, com produção expressiva de soja, milho, algodão e cana-de-açúcar. A presença de uma fábrica de fertilizantes no estado reduz custos logísticos para os produtores locais, que hoje dependem de insumos transportados de portos ou de outras regiões do país.

Impacto Para a População

A retomada da UFN-III afeta a economia de Três Lagoas, o agronegócio de Mato Grosso do Sul e a balança comercial brasileira em múltiplas dimensões.

Dimensão Impacto esperado
Empregos na construção Milhares de postos diretos durante a fase de obras (pico em 2027)
Empregos na operação Centenas de postos permanentes após início da produção em 2028
Economia local Aquecimento do comércio, serviços e hotelaria em Três Lagoas
Custo de fertilizantes Produção nacional pode reduzir a pressão de preços para produtores de MS
Balança comercial Redução da importação de ureia e amônia, economizando divisas
Arrecadação tributária ICMS sobre a produção industrial beneficia o estado
Soberania alimentar Menor dependência de fornecedores estrangeiros para insumos agrícolas

Para os produtores rurais de Mato Grosso do Sul, a operação da UFN-III pode representar redução nos custos de produção. O fertilizante é um dos insumos mais caros da lavoura — em safras recentes, o custo com fertilizantes chegou a representar entre 25% e 35% do custo total de produção de soja e milho. A disponibilidade de ureia produzida localmente, sem os custos de importação e transporte de longa distância, pode tornar o insumo mais acessível.

Para a população de Três Lagoas, a retomada das obras significa a volta de um ciclo econômico que a cidade experimentou na década de 2010, quando a construção da UFN-III e das fábricas de celulose atraiu milhares de trabalhadores e aqueceu o mercado imobiliário, o comércio e os serviços. A cidade, que tem cerca de 130 mil habitantes, sentiu o impacto da paralisação em 2014 com a saída de trabalhadores e a desaceleração econômica.

A arrecadação tributária do estado também será beneficiada. A produção industrial de ureia e amônia gera ICMS, e a movimentação econômica associada à construção e operação da fábrica amplia a base de arrecadação de impostos municipais e estaduais.

O Que Dizem os Envolvidos

A Petrobras, em comunicado oficial, destacou que a retomada da UFN-III está alinhada ao Plano Estratégico da companhia e ao Plano Nacional de Fertilizantes. A estatal afirmou que a conclusão da fábrica contribuirá para a segurança do abastecimento de fertilizantes no Brasil e para a redução da dependência de importações.

"A UFN-III é um projeto estratégico para o país. A produção de ureia e amônia em Três Lagoas vai atender parte da demanda nacional e reduzir a vulnerabilidade do agronegócio brasileiro a oscilações do mercado internacional", informou a Petrobras em nota.

O governo de Mato Grosso do Sul recebeu a confirmação da retomada como uma notícia positiva para a economia do estado. O governador Eduardo Riedel tem mencionado a UFN-III em agendas públicas como exemplo do potencial industrial de MS e da diversificação econômica para além do agronegócio e da celulose.

Entidades do agronegócio, como a Aprosoja-MS e a Famasul, manifestaram apoio à retomada. A produção local de fertilizantes é uma demanda antiga do setor, que argumenta que a proximidade entre a fábrica e as lavouras reduz custos e prazos de entrega.

A Prefeitura de Três Lagoas sinalizou que está preparando a infraestrutura urbana para receber o contingente de trabalhadores que a retomada das obras vai atrair. A experiência da década de 2010 mostrou que o afluxo de trabalhadores pressiona serviços como saúde, educação, transporte e segurança pública.

Próximos Passos

A Petrobras está em fase de contratação de empresas para a conclusão das obras civis e montagem industrial da UFN-III. O processo de licitação e contratação deve ser concluído ao longo de 2026, com início efetivo das obras de retomada previsto para o segundo semestre do ano.

O pico de contratação de mão de obra está previsto para 2027, quando as obras de montagem industrial atingirão maior intensidade. A Petrobras deverá abrir processos seletivos para trabalhadores de diversas especialidades, incluindo soldadores, eletricistas, montadores industriais e engenheiros.

A previsão de início de operação da fábrica é 2028. Antes de entrar em produção comercial, a UFN-III passará por uma fase de comissionamento e testes operacionais que pode durar vários meses. A produção de ureia e amônia depende do fornecimento contínuo de gás natural pelo Gasbol, o que exige contratos de longo prazo com a Bolívia ou com outros fornecedores.

O governo de Mato Grosso do Sul deverá negociar com a Petrobras incentivos fiscais e contrapartidas para o estado, incluindo prioridade no fornecimento de fertilizantes para produtores locais e investimentos em infraestrutura urbana em Três Lagoas.

Fechamento

A retomada da UFN-III encerra um capítulo de mais de uma década de abandono de um projeto que custou bilhões de reais ao país. A fábrica, que ficou como um monumento à crise da Petrobras e aos desvios da Lava Jato, agora tem cronograma e orçamento para ser concluída. Para Três Lagoas, significa a volta de um ciclo de investimentos que pode transformar a cidade em polo industrial diversificado — celulose e fertilizantes. Para o agronegócio de MS e do Brasil, significa um passo na direção de reduzir a dependência de fertilizantes importados que encarece a produção e expõe o país a riscos geopolíticos.

O desafio agora é cumprir o cronograma. A Petrobras tem histórico de atrasos em grandes obras, e a conclusão da UFN-III até 2028 depende de fatores como disponibilidade de mão de obra qualificada, fornecimento de equipamentos e estabilidade nos contratos de gás natural. O acompanhamento da sociedade e dos órgãos de controle será determinante para que a obra não repita os erros do passado.


Fontes e Referências

  • Campo Grande News (campograndenews.com.br)
  • Petrobras — Relações com Investidores (petrobras.com.br)
  • Plano Nacional de Fertilizantes (gov.br)
  • Famasul — Federação da Agricultura e Pecuária de MS (famasul.com.br)
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Publicado em 13 de abril de 2026 às 00:00
Fonte: Campo Grande News (campograndenews.com.br), Petrobras (petrobras.com.br)
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Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.

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