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Motoristas de app fazem carreata em Campo Grande contra PL da regulamentação

Protesto percorreu Av. Afonso Pena contra o PL 152/2025. Categoria reclama de taxas de até 70% cobradas pelas plataformas e rejeita modelo proposto pela Câmara dos Deputados.

Redação Bastidor Público14 de abril de 20269 min de leituraCampo Grande1693 palavras
Motoristas de app fazem carreata em Campo Grande contra PL da regulamentação

Motoristas de aplicativo e motoentregadores ocuparam as ruas de Campo Grande na terça-feira (14) em protesto contra o PL 152/2025, projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados e propõe regulamentar o trabalho em plataformas digitais. A carreata partiu do Parque dos Poderes e percorreu a Avenida Afonso Pena, uma das principais vias da capital sul-mato-grossense, com buzinas, faixas e cartazes que pediam melhores condições de trabalho e remuneração.

O ato em Campo Grande foi simultâneo a protestos em diversas cidades do país. A mobilização nacional pressionou a Câmara: a votação do projeto na comissão especial, prevista para o mesmo dia, foi cancelada sem nova data definida.

O Que Aconteceu

A concentração começou por volta das 9h no estacionamento do Parque dos Poderes, sede do governo estadual. Dezenas de carros e motos — muitos com adesivos das plataformas Uber, 99 e iFood — formaram o cortejo que desceu pela Afonso Pena em direção ao centro da cidade. O trânsito ficou lento nos dois sentidos da avenida durante cerca de uma hora.

As reivindicações da categoria se concentram em dois pontos: valor mínimo por corrida e taxa máxima de 30% cobrada pelas plataformas sobre o valor pago pelo passageiro. Os motoristas argumentam que a remuneração atual é insuficiente para cobrir os custos de combustível, manutenção do veículo, seguro e depreciação — e que as plataformas ficam com uma fatia desproporcional do que o passageiro paga.

Miguel Orlando de Carvalho, motorista de aplicativo há dez anos em Campo Grande, resumiu a insatisfação da categoria com números concretos.

"O passageiro paga R$ 17 pela corrida. Eu recebo R$ 10. Mas quando você desconta gasolina, manutenção, seguro, IPVA, sobra o quê? As plataformas cobram até 70% do valor da corrida em alguns trajetos. Isso não é parceria, é exploração", afirmou Carvalho.

Matheus Gonzalez, motoentregador há três anos, participou do protesto de moto e criticou o modelo proposto pelo PL 152/2025. Para ele, o projeto oferece formalização sem os benefícios que a formalização deveria trazer.

"Querem nos chamar de autônomos plataformizados, mas sem férias, sem 13º, sem FGTS, sem limite de jornada. É formalização de fachada. Vão nos enquadrar numa categoria nova só para dizer que resolveram o problema", disse Gonzalez.

A voz dissonante no protesto veio de Uramar Silva, motorista que se posicionou contra a paralisação. Silva argumentou que as taxas atuais, embora baixas, permitem flexibilidade de horário e que o projeto de lei pode inviabilizar o modelo de negócio das plataformas, reduzindo a oferta de corridas.

"As taxas já são baixas. Se o governo apertar demais, as plataformas vão embora ou vão reduzir a demanda. Quem vai sofrer somos nós mesmos", afirmou Silva.

Contexto e Histórico

O PL 152/2025 é a tentativa mais avançada do Congresso Nacional de regulamentar o trabalho em plataformas digitais no Brasil. O projeto, relatado pelo deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), define o trabalhador de aplicativo como "autônomo plataformizado" — uma categoria jurídica nova que reconhece a relação com a plataforma sem configurar vínculo empregatício nos termos da CLT.

O texto estabelece que os ganhos do motorista serão compostos por 25% de renda e 75% de custos operacionais (combustível, manutenção, depreciação do veículo, seguro). Na prática, isso significa que apenas um quarto do valor recebido pelo motorista será considerado rendimento tributável — o restante é tratado como reembolso de despesas.

As plataformas poderão cobrar taxa média de até 30% sobre o valor da corrida. Para entregas, o PL prevê um valor mínimo por serviço, embora o texto não especifique o montante. Gorjetas deverão ser repassadas integralmente ao trabalhador, sem retenção pela plataforma. O projeto inclui um seguro de R$ 120 mil para acidentes durante o trabalho.

Pontos que constavam em versões anteriores do projeto foram retirados durante a tramitação: adicionais noturnos, pagamento extra em feriados e limite de jornada. A exclusão desses itens é o principal motivo de insatisfação da categoria, que vê no texto final um recuo em relação às promessas feitas pelo governo federal quando o debate sobre regulamentação começou, em 2023.

O histórico da regulamentação é marcado por idas e vindas. O governo Lula criou um grupo de trabalho tripartite — com representantes dos trabalhadores, das plataformas e do governo — em 2023, que produziu um anteprojeto. O texto foi modificado diversas vezes na Câmara, sob pressão tanto das empresas (que resistem a qualquer forma de vínculo) quanto dos trabalhadores (que pedem mais proteção).

No Brasil, estima-se que 1,5 milhão de pessoas trabalhem como motoristas de aplicativo ou entregadores de plataformas digitais. Em Campo Grande, o número estimado é de 12 mil a 15 mil trabalhadores nessa modalidade, segundo o Sindicato dos Motoristas de Aplicativo de MS. A categoria é composta majoritariamente por homens entre 25 e 45 anos, muitos dos quais migraram para o trabalho em plataformas após perderem empregos formais.

Impacto Para a População

A regulamentação do trabalho em plataformas afeta tanto os motoristas quanto os passageiros e consumidores que utilizam os serviços diariamente. Em Campo Grande, os aplicativos de transporte e entrega se tornaram parte da rotina urbana — e qualquer mudança nas regras do jogo repercute no preço das corridas, no tempo de espera e na disponibilidade de motoristas.

Indicador Dado
Projeto de lei PL 152/2025
Relator Dep. Augusto Coutinho (Republicanos-PE)
Categoria jurídica proposta Autônomo plataformizado
Taxa máxima das plataformas 30%
Composição dos ganhos 25% renda + 75% custos operacionais
Seguro previsto R$ 120 mil
Gorjetas Repasse integral ao trabalhador
Itens retirados Adicional noturno, extra feriados, limite de jornada
Motoristas de app no Brasil (estimativa) 1,5 milhão
Motoristas de app em Campo Grande (estimativa) 12 mil a 15 mil

Para o passageiro, a regulamentação pode significar aumento no preço das corridas. Se as plataformas forem obrigadas a limitar sua taxa a 30% e a garantir um piso de remuneração ao motorista, a tendência é que o custo adicional seja repassado ao consumidor. Em cidades como Campo Grande, onde o transporte público é deficiente e os aplicativos suprem lacunas de mobilidade, o encarecimento das corridas pode empurrar passageiros de volta ao transporte coletivo ou ao uso do carro próprio.

Para o motorista, o cenário é ambíguo. A regulamentação traz segurança jurídica — o seguro de R$ 120 mil e o repasse integral de gorjetas são avanços concretos. Mas a ausência de adicional noturno, pagamento extra em feriados e limite de jornada mantém o trabalhador em situação de vulnerabilidade. Motoristas que rodam 12 a 14 horas por dia para atingir uma renda mínima continuarão sem proteção contra a exaustão, que é fator de risco para acidentes de trânsito.

Os motoentregadores enfrentam condições ainda mais precárias. O trabalho de entrega expõe o profissional a riscos de trânsito superiores aos do motorista de passageiros — motos são mais vulneráveis a acidentes, e o entregador frequentemente carrega a mochila térmica nas costas, o que compromete o equilíbrio e a visibilidade. O PL prevê valor mínimo por entrega, mas sem especificar o montante, a proteção é genérica.

O impacto fiscal também merece atenção. Com a definição de que 75% dos ganhos são custos operacionais, a base de cálculo do Imposto de Renda e da contribuição previdenciária dos motoristas será reduzida. Isso beneficia o trabalhador no curto prazo, mas pode comprometer sua aposentadoria futura, já que a contribuição ao INSS será menor.

O Que Dizem os Envolvidos

As plataformas digitais — Uber, 99, iFood — não se manifestaram oficialmente sobre o protesto em Campo Grande, mas em nota conjunta divulgada pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), as empresas afirmaram apoiar a regulamentação e que o PL 152/2025 "equilibra proteção ao trabalhador com sustentabilidade do modelo de negócio".

"As plataformas defendem um marco regulatório que reconheça a natureza autônoma do trabalho e ofereça proteções proporcionais. O PL 152/2025 caminha nessa direção", diz trecho da nota da Amobitec.

O Sindicato dos Motoristas de Aplicativo de MS criticou o texto do projeto e afirmou que a categoria não foi ouvida de forma adequada durante a tramitação.

"O projeto foi escrito para agradar as plataformas, não os trabalhadores. Tiraram o adicional noturno, tiraram o limite de jornada, tiraram o extra de feriado. O que sobrou? Um seguro e uma promessa de taxa máxima que ninguém vai fiscalizar", declarou representante do sindicato.

O deputado Augusto Coutinho, relator do PL, não se pronunciou sobre o cancelamento da votação nem sobre quando o tema voltará à pauta da comissão especial. Interlocutores do relator informaram à imprensa que o adiamento visa "permitir mais diálogo com a categoria" antes da votação.

Próximos Passos

A votação do PL 152/2025 na comissão especial da Câmara não tem nova data definida. A pressão dos protestos simultâneos em diversas cidades forçou o recuo, mas parlamentares ligados ao governo federal indicam que o tema deve voltar à pauta ainda no primeiro semestre de 2026.

Se aprovado na comissão, o projeto segue para votação no plenário da Câmara e, depois, no Senado. A tramitação completa pode levar meses, e o texto está sujeito a emendas em cada etapa. A categoria promete manter a mobilização e realizar novos protestos caso a votação seja reagendada sem alterações no texto.

Em Campo Grande, o Sindicato dos Motoristas de Aplicativo anunciou que organizará assembleias nos próximos dias para definir a estratégia de pressão sobre os deputados federais de MS. A expectativa é que os parlamentares sul-mato-grossenses sejam procurados individualmente para apresentar as demandas da categoria.

O Ministério do Trabalho informou que acompanha a tramitação e que está aberto ao diálogo com todas as partes. O ministro do Trabalho não se posicionou publicamente sobre os pontos retirados do projeto.

Fechamento

O protesto dos motoristas de aplicativo em Campo Grande expõe uma contradição que o PL 152/2025 não resolve: a categoria quer proteção trabalhista, mas sem perder a flexibilidade que a atraiu para as plataformas. As empresas querem regulamentação, mas sem custos que comprimam suas margens. O Congresso tenta achar um meio-termo que, por enquanto, não satisfaz nenhum dos lados. Enquanto a votação é adiada, os motoristas continuam rodando 12 horas por dia nas ruas de Campo Grande — sem piso, sem teto e sem previsão de quando as regras do jogo serão definidas.


Fontes e Referências

  • Campo Grande News (campograndenews.com.br)
  • Câmara dos Deputados — PL 152/2025 (camara.leg.br)
  • Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia — Amobitec (amobitec.org.br)
  • Sindicato dos Motoristas de Aplicativo de MS
  • Ministério do Trabalho e Emprego (gov.br/trabalho)
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Publicado em 14 de abril de 2026 às 00:00
Fonte: Campo Grande News (campograndenews.com.br)
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Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.

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