O governo de Mato Grosso do Sul anunciou o maior pacote de investimentos em saneamento básico da história do estado: R$ 176 milhões destinados a obras em 68 dos 79 municípios sul-mato-grossenses. O programa, executado pela Sanesul (Empresa de Saneamento de MS), prevê a construção de 320 km de redes coletoras de esgoto, ampliação de estações de tratamento e perfuração de poços artesianos em comunidades rurais.
O investimento é a primeira fase de um plano de R$ 800 milhões até 2033 para cumprir as metas do Novo Marco do Saneamento, que exige universalização do acesso à água tratada e cobertura de 90% de coleta e tratamento de esgoto.
O Que Aconteceu
O governador Riedel assinou as primeiras ordens de serviço para 12 municípios prioritários em cerimônia no Palácio Guaicurus. Os investimentos atendem tanto áreas urbanas com déficit de esgotamento sanitário quanto comunidades rurais e indígenas sem acesso a água tratada.
| Componente | Volume |
|---|---|
| Investimento total | R$ 176 milhões |
| Municípios atendidos | 68 |
| Redes de esgoto | 320 km novos |
| Poços artesianos | 45 novos |
| ETEs (estações de esgoto) | 12 novas |
| ETAs ampliadas | 8 |
| Famílias beneficiadas | 45 mil |
Os 12 municípios prioritários foram selecionados com base em indicadores de saúde pública vinculados à falta de saneamento. Cidades como Aquidauana, Coxim e Ponta Porã apresentam taxas de internação por doenças de veiculação hídrica muito acima da média nacional, situação que o programa pretende reverter com a universalização do acesso à água de qualidade e ao tratamento de esgoto.
Contexto e Histórico
O saneamento é historicamente o calcanhar de Aquiles da infraestrutura brasileira, e MS não é exceção. Apesar de avanços nas últimas décadas, o estado ainda tem 12% da população sem acesso a água tratada e 58% sem coleta adequada de esgoto. Em números absolutos, isso representa cerca de 350 mil pessoas sem água e 1,6 milhão sem esgoto tratado.
A situação é mais grave no interior. Enquanto Campo Grande tem cobertura de 95% de água e 65% de esgoto, municípios menores como Japorã, Paranhos e Coronel Sapucaia apresentam índices inferiores a 50% em ambos os indicadores. As comunidades indígenas Guarani-Kaiowá, concentradas no sul do estado, são particularmente afetadas, com acesso precário a água potável e inexistência de esgotamento sanitário.
O Novo Marco do Saneamento (Lei 14.026/2020) estabeleceu metas ambiciosas: 99% de cobertura de água e 90% de esgoto até 2033. Para atingir esses números, MS precisa investir cerca de R$ 800 milhões na próxima década, dos quais R$ 176 milhões serão executados nesta primeira fase.
A Sanesul, empresa de economia mista controlada pelo governo estadual, é a principal operadora de saneamento no interior de MS. A empresa atende 68 municípios e emprega cerca de 2.500 funcionários. O pacote de investimentos também prevê a contratação de 200 novos profissionais para operar as novas estações e redes.
O financiamento vem de três fontes: recursos próprios do estado (R$ 60 milhões), empréstimo do BNDES (R$ 80 milhões) e transferências do governo federal via Funasa (R$ 36 milhões). A diversificação de fontes é uma estratégia para evitar dependência de um único financiador e garantir a continuidade das obras.
Impacto Para a População
| Aspecto | Consequência |
|---|---|
| Saúde | Redução de doenças de veiculação hídrica (diarreia, hepatite A) |
| Meio ambiente | Menos esgoto lançado sem tratamento nos rios |
| Qualidade de vida | Acesso a água tratada em comunidades rurais e indígenas |
| Economia | Saneamento valoriza imóveis em até 15% |
| Emprego | 200 novas vagas na Sanesul + empregos na construção |
O Que Dizem os Envolvidos
O governador Riedel classificou o investimento como "uma dívida histórica com o povo do interior. Não é aceitável que, em 2026, ainda tenhamos famílias sem água tratada em Mato Grosso do Sul."
O presidente da Sanesul destacou que "as obras vão atender prioritariamente as comunidades mais vulneráveis, incluindo aldeias indígenas e assentamentos rurais que nunca tiveram acesso a saneamento."
O Ministério Público Estadual acompanhará a execução do programa para garantir que os prazos sejam cumpridos e que os recursos sejam aplicados conforme planejado.
Próximos Passos
| Prazo | Ação |
|---|---|
| Maio-Junho 2026 | Início das obras em 12 municípios prioritários |
| 2º semestre 2026 | Licitações para os demais 56 municípios |
| 2027-2028 | Conclusão das obras da primeira fase |
| 2033 | Meta de universalização |
Os impactos do saneamento na saúde pública são documentados pela ciência: cada R$ 1 investido em saneamento gera economia de R$ 4 em gastos com saúde, segundo a Organização Mundial da Saúde. Em MS, as internações por doenças diarreicas custam ao SUS cerca de R$ 45 milhões por ano, valor que tende a diminuir significativamente com a universalização do acesso à água tratada e esgoto.
O programa também contempla a educação sanitária nas comunidades atendidas, com agentes de saúde capacitados para orientar famílias sobre higiene, conservação da água e uso adequado das instalações sanitárias. A experiência mostra que obras de saneamento sem educação complementar têm eficácia reduzida em até 40%.
Fechamento
O pacote de R$ 176 milhões em saneamento é um investimento que, diferentemente de obras visíveis como asfalto e pontes, transforma a vida das pessoas de forma silenciosa mas profunda. Água tratada e esgoto coletado significam menos crianças doentes, menos internações hospitalares e mais dignidade para famílias que, em pleno século XXI, ainda dependem de poços improvisados e fossas a céu aberto.
Fontes e Referências
- Sanesul — Plano de investimentos 2026
- Governo MS — Cerimônia de assinatura
- Campo Grande News — Cobertura saneamento
