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PF deflagra Operação Vem Diesel 2 e fiscaliza gás de cozinha em MS

Segunda fase da operação mira distribuidores de GLP em 24 cidades de 15 estados. Equipes estiveram no Carandá Bosque, em Campo Grande.

Redação Bastidor Público9 de abril de 20268 min de leituraCampo Grande1188 palavras
PF deflagra Operação Vem Diesel 2 e fiscaliza gás de cozinha em MS

O Que Aconteceu

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quinta-feira (9) a segunda fase da Operação Vem Diesel. A ação, coordenada com a Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) e a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), mirou distribuidores e revendedores de GLP — o gás de botijão — em 24 cidades de 15 estados e no Distrito Federal.

Mato Grosso do Sul entrou na lista. Equipes da PF e do Procon-MS (Superintendência para Orientação e Defesa do Consumidor) estiveram em uma distribuidora no bairro Carandá Bosque, área nobre de Campo Grande. Ao todo, 55 estabelecimentos foram fiscalizados simultaneamente no país.

O superintendente do Procon-MS, Angelo Motti, confirmou a participação do órgão estadual. "Recebemos a ligação solicitando apoio e confirmamos o envio de uma equipe para acompanhar a Polícia Federal", afirmou Motti ao Bastidor Público.

A operação investiga aumentos abusivos de preço, formação de cartel, fraude no peso dos botijões e sonegação fiscal na cadeia de distribuição. A primeira fase, deflagrada em 27 de março, havia focado nos combustíveis líquidos — gasolina e diesel — em 11 estados. MS não estava na lista naquela etapa.

Contexto e Histórico

O preço do gás de cozinha virou problema de segurança alimentar no Brasil. O botijão de 13 kg, que custava em média R$ 70 em 2019, ultrapassou R$ 110 em diversas capitais no início de 2026. Em Campo Grande, levantamentos do Procon-MS apontam variação de R$ 95 a R$ 130 entre revendedores — uma diferença de 37% que, por si só, levanta suspeita de prática abusiva.

A escalada de preços tem raízes na crise geopolítica. O conflito entre Estados Unidos e Irã pressionou o preço do petróleo e seus derivados nos últimos meses. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 30% do petróleo comercializado no mundo, teve o fluxo afetado por ataques e restrições de navegação. O barril de Brent chegou a US$ 92 em março — patamar que não se via desde 2023.

Na terça-feira (8), o governo federal publicou a Medida Provisória 1.349, que institui o Regime Emergencial de Abastecimento Interno de Combustíveis. A MP prevê desconto de R$ 1,20 por litro no diesel, dividido entre União e estados. Mato Grosso do Sul aderiu à medida, com impacto estimado de R$ 60 milhões nas contas estaduais.

O GLP, porém, ficou de fora do regime emergencial. A Operação Vem Diesel 2 tenta suprir essa lacuna pela via da fiscalização: se o governo não consegue subsidiar o botijão, ao menos pode coibir quem lucra acima do razoável com a crise.

A ANP monitora os preços de revenda de GLP desde 2001. Os dados mostram que a margem dos revendedores — a diferença entre o preço de compra na distribuidora e o preço cobrado do consumidor — cresceu 22% nos últimos 12 meses, acima da inflação acumulada no período. Esse descolamento é um dos gatilhos da operação.

Impacto Para a População

O gás de cozinha pesa no orçamento das famílias de baixa renda de forma desproporcional. Dados do IBGE indicam que famílias com renda de até dois salários mínimos comprometem cerca de 4% do orçamento mensal com GLP — percentual que sobe para 6% em domicílios que usam o botijão como única fonte de energia para cozinhar.

Em Mato Grosso do Sul, o programa Auxílio Gás do governo federal atende aproximadamente 180 mil famílias inscritas no CadÚnico. O benefício cobre metade do valor médio do botijão a cada dois meses. Quando o preço sobe sem controle, o auxílio perde efetividade e a família precisa complementar com renda própria — ou reduzir o consumo.

Indicador Valor
Preço médio do botijão 13 kg em CG (abril/2026) R$ 95 a R$ 130
Variação entre revendedores Até 37%
Famílias atendidas pelo Auxílio Gás em MS ~180 mil
Comprometimento da renda (até 2 SM) 4% a 6%
Estabelecimentos fiscalizados (nacional) 55
Estados na operação 15 + DF

A fiscalização simultânea em 15 estados tem efeito dissuasório. Distribuidores e revendedores que praticam preços abusivos sabem que a PF pode bater à porta sem aviso prévio. O recado é claro: a cadeia do GLP está sendo monitorada.

Para o consumidor de Campo Grande e do interior de MS, o resultado prático depende do desdobramento da operação. Se forem confirmadas irregularidades, os responsáveis podem responder por crimes contra a ordem econômica (Lei 8.137/1990), com penas de dois a cinco anos de reclusão. Multas administrativas do Procon e da ANP também estão no radar.

O Que Dizem os Envolvidos

Angelo Motti, superintendente do Procon-MS, explicou a dinâmica da operação:

"A coordenação é da Polícia Federal, que escolheu os estabelecimentos fiscalizados. O Procon atua dentro das prerrogativas do Código de Defesa do Consumidor, verificando práticas abusivas."

Motti acrescentou que o Procon-MS já vinha monitorando os preços de combustíveis e gás de cozinha no estado desde o início da crise no Oriente Médio. A participação na Operação Vem Diesel 2 amplia o alcance da fiscalização, que até então se concentrava em postos de combustíveis.

A PF não divulgou nomes dos estabelecimentos fiscalizados nem resultados preliminares. Em nota, a corporação informou que "os dados coletados serão analisados em conjunto com a ANP e a Senacon para identificar eventuais práticas ilícitas".

A ANP, por sua vez, reforçou que mantém sistema de monitoramento semanal dos preços de revenda de GLP em todo o país. "A agência atua de forma permanente na fiscalização do mercado de combustíveis e GLP, e a operação conjunta com a PF e a Senacon potencializa essa atuação", informou o órgão.

Representantes do setor de distribuição de GLP não se manifestaram até o fechamento desta reportagem. A Sindigás (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo) foi procurada, mas não respondeu.

Próximos Passos

Os dados coletados na fiscalização desta quinta-feira serão cruzados com informações da ANP sobre preços praticados, volumes comercializados e margens de lucro dos estabelecimentos visitados. A análise pode levar semanas.

Casos que configurem crime contra a ordem econômica — como formação de cartel ou aumento abusivo coordenado — serão encaminhados ao Ministério Público Federal para abertura de inquérito. Infrações administrativas ficam a cargo do Procon e da ANP, que podem aplicar multas e determinar adequação de preços.

O Procon-MS mantém canal de denúncia pelo telefone 151 e pelo site do órgão. A ANP disponibiliza o aplicativo "Preço da Hora" para que consumidores comparem preços de GLP e combustíveis em tempo real.

Uma terceira fase da Operação Vem Diesel não está descartada. Interlocutores ouvidos pela reportagem indicam que a PF avalia ampliar a fiscalização para o mercado de etanol — combustível que também registrou alta acima da inflação nos últimos meses, especialmente em estados produtores como MS.

Fechamento

A Operação Vem Diesel 2 coloca o mercado de gás de cozinha sob lupa federal num momento em que o preço do botijão corrói o orçamento das famílias mais vulneráveis. Em MS, onde quase 200 mil domicílios dependem do Auxílio Gás, a fiscalização chega com atraso — mas chega. O desdobramento vai depender do que as equipes encontraram nos 55 estabelecimentos visitados e da disposição do Ministério Público em transformar dados em processos.


Fontes e Referências

  • Campo Grande News (campograndenews.com.br)
  • Polícia Federal (gov.br/pf)
  • Procon-MS — Superintendência para Orientação e Defesa do Consumidor
  • ANP — Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (gov.br/anp)
Polícia FederalOperação Vem Dieselgás de cozinhaGLPProcon MSANP
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Publicado em 9 de abril de 2026 às 00:00
Fonte: Campo Grande News (campograndenews.com.br), Polícia Federal (gov.br/pf)
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Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.

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