A garantia da integridade física e o fortalecimento da autonomia feminina receberam um importante incentivo em Campo Grande. Nesta terça-feira, 30 de junho de 2026, o projeto comunitário "Mulher Mais Segura" promoveu uma nova etapa de suas oficinas gratuitas de técnicas de autodefesa física e combate à violência doméstica na capital de Mato Grosso do Sul. A iniciativa, que integra secretarias de segurança pública estaduais e subsecretarias municipais de políticas para mulheres, reuniu dezenas de participantes em uma jornada prática de capacitação corporal e palestras informativas voltadas à identificação precoce de abusos de gênero e ao uso correto de canais de denúncia.
Mais do que ensinar técnicas físicas de artes marciais, as oficinas do projeto são planejadas de forma pedagógica por psicólogos, assistentes sociais e instrutores de defesa pessoal civis e militares de MS. O objetivo principal é desenvolver a percepção de ambiente das mulheres, ensinando-as a identificar situações de perigo potencial em locais públicos e privados e a agir de forma a priorizar o desvencilhamento rápido e a fuga segura para solicitar a intervenção imediata das forças de segurança pública do estado.
O Que Aconteceu
A rodada recente de oficinas do projeto Mulher Mais Segura ocorreu em instalações de centros comunitários e ginásios da capital de MS, atraindo moradoras de bairros da periferia e da região central. Durante as sessões práticas, as participantes receberam orientações detalhadas de profissionais de artes marciais e policiais civis sobre como desarmar puxões de braço, esquivar-se de abordagens corporais forçadas por trás e libertar-se de imobilizações no solo sem a necessidade de empregar força física desproporcional.
A parte teórica do evento destacou a importância dos dispositivos legais de proteção à mulher no Brasil, como a Lei Maria da Penha e as medidas protetivas de urgência fornecidas pelo Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul. As palestrantes detalharam o passo a passo para o acionamento de serviços essenciais, como a Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande — considerada uma referência nacional em atendimento integrado —, o telefone de emergência 180 e a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), que funciona em regime de plantão de 24h na capital.
Contexto e Histórico
A necessidade de projetos como o Mulher Mais Segura em Mato Grosso do Sul é fundamentada por dados estatísticos complexos que apontam o estado historicamente entre os primeiros do país em taxas proporcionais de registros de violência doméstica e feminicídio. A extensão territorial do estado, combinada com fatores culturais associados ao machismo estrutural e ao isolamento geográfico de áreas rurais e de fronteira, exige a implementação continuada de políticas públicas proativas voltadas ao empoderamento físico e legal feminino para romper ciclos de agressão dentro do ambiente familiar.
A capital Campo Grande foi pioneira no país ao inaugurar, em 2015, a primeira Casa da Mulher Brasileira, que reúne em um único espaço físico órgãos da Defensoria Pública, Juizados de Violência Doméstica, Ministério Público, alojamentos de passagem temporários e serviços de acolhimento psicossocial. As aulas práticas de autodefesa surgem como uma extensão dessas políticas institucionais, buscando atuar na prevenção primária de agressões físicas na rua e em transportes coletivos, devolvendo às mulheres a sensação de segurança e ocupação do espaço público urbano.
Impacto Para a População
O impacto social do projeto Mulher Mais Segura reflete-se no aumento da autoconfiança individual das participantes, que passam a se sentir mais preparadas e menos vulneráveis a agressões em vias públicas de Campo Grande. A socialização em grupo durante as aulas também propicia a criação de redes de apoio comunitário informais, onde as participantes compartilham histórias de superação pessoal e se auxiliam mutuamente em situações de vulnerabilidade emocional ou financeira.
No aspecto preventivo, o conhecimento compartilhado nas oficinas ajuda a disseminar de forma rápida informações essenciais de segurança urbana na vizinhança. As mulheres aprendem a mapear pontos de apoio comerciais seguros em seus trajetos diários para casa ou trabalho, a utilizar aplicativos móveis de geolocalização compartilhada em tempo real com familiares e a identificar os primeiros sinais vermelhos de um relacionamento abusivo doméstico, agindo antes que a violência escale para agressões físicas severas.
| Etapas de Capacitação do Projeto | Conteúdos Ministrados nas Oficinas | Benefícios para as Participantes em CG |
|---|---|---|
| Percepção e Prevenção | Análise de ambiente e detecção de riscos urbanos | Redução da vulnerabilidade em locais desertos |
| Defesa Física Básica | Desvencilhamento de pegadas e esquiva rápida | Aumento de chances de fuga segura de agressores |
| Direitos e Legislação | Explicação prática da Lei Maria da Penha | Conhecimento de direitos e medidas protetivas |
| Rede de Atendimento | Como acionar a Casa da Mulher Brasileira e Deam | Acesso facilitado a suporte psicossocial e judicial |
| Autonomia Emocional | Discussões em grupo e acolhimento psicológico | Fortalecimento de autoestima e quebra de isolamento |
O Que Dizem os Envolvidos
A subsecretária de políticas para mulheres de Campo Grande destacou que o projeto atua diretamente na autopercepção física da mulher. "Muitas vezes, a sociedade ensina as mulheres a serem passivas diante do perigo. O Mulher Mais Segura mostra que o corpo delas possui força e inteligência para se defender e que o desvencilhamento rápido é a chave para salvar vidas. Não ensinamos ninguém a brigar ou a enfrentar criminosos, mas sim técnicas corporais inteligentes para escapar de situações de agressão e procurar socorro policial imediato", pontuou a gestora municipal.
A opinião das moradoras que concluíram o curso confirma a eficácia do método. "Eu sempre tive muito medo de andar na rua de noite ao sair do trabalho. Nas aulas, aprendi que pequenos movimentos de braço e corpo são suficientes para me soltar de um puxão forte de agressão. Hoje me sinto mais confiante e atenta ao que acontece ao meu redor", relatou uma jovem moradora do bairro Moreninhas, participante assídua das oficinas esportivas de autodefesa.
Próximos Passos
Os organizadores do Mulher Mais Segura planejam expandir o número de turmas de autodefesa no próximo semestre, estendendo o projeto de forma itinerante para os distritos rurais de Campo Grande, como Anhanduí e Rochedinho, que registram dificuldades de acesso aos serviços integrados da área urbana da capital.
A coordenadoria do projeto também busca firmar parcerias adicionais com universidades públicas de Mato Grosso do Sul para treinar estudantes de educação física e psicologia, capacitando novos monitores voluntários para atuar na difusão contínua das oficinas teóricas e práticas em escolas públicas do ensino médio estadual.
Fechamento
O projeto Mulher Mais Segura na capital de Mato Grosso do Sul demonstra a relevância de promover políticas integradas de prevenção primária à violência doméstica e urbana contra as mulheres. Ao combinar o ensino prático de autodefesa física voltada à esquiva e fuga com o esclarecimento de direitos previstos na Lei Maria da Penha, a iniciativa atua diretamente no fortalecimento físico e psicossocial feminino.
A eliminação da violência de gênero exige ações constantes que combinem a repressão policial enérgica com a conscientização comunitária e o acolhimento acolhedor das vítimas. Ao fornecer ferramentas práticas para que mulheres de Campo Grande se protejam e denunciem abusadores de forma segura, o estado caminha para a construção de uma sociedade mais justa, solidária e segura para todos os seus cidadãos.
Fontes e Referências
- Subsecretaria Estadual de Políticas Públicas para Mulheres de Mato Grosso do Sul (SPPM-MS)
- Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande (Deam / Juizados Especializados)
- Relatórios de Violência Doméstica e Feminicídio do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
- Grade Didática de Oficinas de Defesa Pessoal Feminina da PM-MS
- Lei Federal nº 11.340 (Lei Maria da Penha) — Informações e Diretrizes Jurídicas
