O estado de abandono do prédio que abrigava a antiga Clínica Carandá, localizado na Avenida Mato Grosso, em Campo Grande, tem gerado forte apreensão e cobrança de providências por parte de moradores e comerciantes da região central da capital de Mato Grosso do Sul nesta segunda-feira, 29 de junho de 2026. O imóvel de grandes dimensões, situado em uma das áreas comerciais mais valorizadas do município, encontra-se com janelas quebradas, portas violadas, mato alto no terreno e acúmulo de lixo. Segundo vizinhos, a estrutura tornou-se um refúgio para usuários de drogas e ponto de apoio para a prática de furtos no entorno, deteriorando a segurança pública local.
Empresários que possuem lojas e escritórios de advocacia nas imediações relatam que a presença constante de pessoas invadindo o imóvel durante o período noturno afasta clientes e gera temor de assaltos na região. O Ministério Público Estadual e a Prefeitura Municipal de Campo Grande têm sido acionados de forma recorrente por meio de denúncias formais que cobram a notificação dos proprietários legais do bem para que realizem o cercamento adequado e a limpeza periódica da edificação abandonada.
O Que Aconteceu
Vizinhos e comerciantes que atuam na Avenida Mato Grosso decidiram denunciar publicamente a situação após o agravamento de problemas de segurança na vizinhança. Relatos apontam que o prédio da antiga Clínica Carandá, desativado há anos, teve todas as suas portas de vidro e janelas metálicas destruídas por vândalos. Sem nenhuma barreira física que impeça o acesso, o interior da edificação foi completamente vandalizado, com fiação elétrica, louças sanitárias e encanamentos de cobre furtados, deixando a estrutura em estado de depredação avançado.
Testemunhas relatam que o fluxo de pessoas invadindo o imóvel para pernoitar ou consumir substâncias entorpecentes é constante, intensificando-se no final da tarde e aos finais de semana, quando o comércio da região reduz o movimento. Moradores de edifícios residenciais próximos apontam que o terreno da clínica, repleto de vegetação alta e entulhos de construção, serve de depósito de lixo descartado de forma irregular, criando focos propícios para a reprodução do mosquito transmissor da dengue e outros animais peçonhentos no coração de Campo Grande.
Contexto e Histórico
A Avenida Mato Grosso é uma das vias estruturais mais importantes e movimentadas de Campo Grande, abrigando uma gama diversificada de clínicas médicas de ponta, consultórios, concessionárias de veículos, restaurantes e condomínios de alto padrão. O abandono de um prédio desse porte em uma localização tão central e nobre contrasta com o desenvolvimento urbano e econômico da capital, evidenciando os desafios que os vazios urbanos e imóveis em litígio judicial impõem à zeladoria pública e à segurança dos bairros consolidados.
A antiga Clínica Carandá prestou serviços de saúde relevantes no município por décadas, servindo como referência em atendimento médico. Contudo, após o encerramento definitivo de suas atividades comerciais devido a reestruturações societárias e disputas de partilha patrimonial, o imóvel permaneceu fechado e desprovido de vigilância patrimonial contínua. Sem manutenção mínima, a degradação física do edifício ocorreu de forma acelerada, padrão comum observado em diversos prédios privados desocupados na região central e nos bairros históricos da capital sul-mato-grossense.
Impacto Para a População
O principal impacto do abandono da edificação é a queda na sensação de segurança pública para quem transita a pé ou possui estabelecimentos comerciais na Avenida Mato Grosso. Comerciantes relatam que precisaram investir em sistemas adicionais de monitoramento por câmeras, instalação de cercas elétricas extras e contratação de serviços de vigilância noturna privada para proteger suas lojas de tentativas de invasão e atos de vandalismo.
Além disso, o aspecto de degradação estética desvaloriza o patrimônio imobiliário do entorno comercial e residencial. A proliferação de mato e o acúmulo de recipientes que acumulam água da chuva no terreno expõem a comunidade vizinha ao risco de contrair dengue, zika e chikungunya, forçando os moradores a realizarem reclamações constantes na Ouvidoria do Município para que a vigilância sanitária intervenha de forma emergencial no local.
| Aspectos da Degradação Urbana | Situação Encontrada na Avenida Mato Grosso (29/06/2026) |
|---|---|
| Estado das Portas e Janelas | Totalmente quebradas ou furtadas, facilitando invasões |
| Vegetação no Terreno | Mato alto cobrindo a calçada externa e a fachada principal |
| Presença de Resíduos | Lixo doméstico, entulhos e água parada no terreno |
| Fator de Risco de Crime | Foco de esconderijo para furtos de fiação na vizinhança |
| Ação da Ouvidoria Municipal | Proprietários multados sem realização das adequações |
O Que Dizem os Envolvidos
Moradores da região manifestaram indignação com o descaso dos proprietários. "Nós pagamos um IPTU caríssimo para viver em uma região nobre e segura, mas somos obrigados a conviver com o medo de passar na frente deste prédio à noite. A prefeitura precisa agir com mais firmeza, ir além da simples emissão de multas administrativas e obrigar a lacração física das entradas do prédio com tijolos", declarou um síndico de condomínio vizinho ao local abandonado.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Gestão Urbana (Semadur) emitiu nota esclarecendo que o imóvel da antiga Clínica Carandá é de propriedade privada e que os donos já foram autuados em conformidade com a Lei de Ordenamento do Uso e da Ocupação do Solo de Campo Grande. O órgão ressaltou que as multas por falta de conservação e limpeza são cumulativas e que, caso os proprietários persistam na omissão de manutenção, os débitos serão inscritos em dívida ativa, podendo o município tomar medidas jurídicas mais drásticas para garantir a segurança comunitária.
Próximos Passos
A Semadur planeja realizar uma nova fiscalização nos próximos dias para verificar se os proprietários tomaram alguma atitude após a última notificação de infração. Caso os acessos permaneçam abertos, a prefeitura poderá acionar a Procuradoria-Geral do Município para avaliar a possibilidade de intervenção pública emergencial de fechamento das janelas e portas com alvenaria, cobrando os custos operacionais diretamente dos proprietários na cobrança de impostos municipais.
Paralelamente, os comerciantes locais organizam um abaixo-assinado formal que será encaminhado à Câmara Municipal de Campo Grande e à Promotoria de Urbanismo do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, com o objetivo de pressionar juridicamente pela destinação útil ou desapropriação definitiva do imóvel abandonado para fins de interesse público.
Fechamento
O abandono da antiga Clínica Carandá na Avenida Mato Grosso expõe a urgência de uma legislação municipal mais enérgica de combate aos vazios e edifícios abandonados que geram insegurança em Campo Grande. O simples processo de notificação e aplicação de multas, embora seja o caminho legal padrão, tem se mostrado lento e ineficaz em resolver problemas crônicos que afetam diretamente o comércio e a vida dos cidadãos no entorno desses imóveis degradados.
Garantir que proprietários cumpram a função social da propriedade privada é um dever que envolve a prefeitura, a comunidade e o poder judiciário. A segurança e a saúde pública de uma das principais avenidas comerciais de Campo Grande não podem permanecer reféns do descaso e de disputas patrimoniais privadas de longa duração, exigindo ações concretas para devolver a tranquilidade aos moradores locais.
Fontes e Referências
- Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Gestão Urbana (Semadur) de Campo Grande (MS)
- Ouvidoria Geral do Município de Campo Grande
- Lei de Ordenamento do Uso e da Ocupação do Solo de Campo Grande
- Relatos e abaixo-assinado de comerciantes da Avenida Mato Grosso
- Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo do MPMS
