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Câmara de Campo Grande mantém veto de Adriane e câmeras seguem multando motoristas

Vereadores rejeitaram tentativa de restringir câmeras de trânsito. Na mesma sessão, aprovaram projeto Cidade da Copa na Praça do Rádio.

Redação Bastidor Público8 de abril de 20267 min de leituraCampo Grande1319 palavras
Câmara de Campo Grande mantém veto de Adriane e câmeras seguem multando motoristas

O Que Aconteceu

A Câmara Municipal de Campo Grande manteve, na sessão de terça-feira (7), o veto da prefeita Adriane Lopes (PP) a um projeto de lei que pretendia restringir o uso de câmeras de videomonitoramento para aplicação de multas de trânsito. A votação encerrou semanas de articulação entre vereadores que tentavam derrubar o veto e a base aliada da prefeita, que trabalhou para garantir os votos necessários à manutenção.

O projeto vetado propunha limitar as situações em que câmeras poderiam ser utilizadas para flagrar infrações, retirando do município parte da capacidade de fiscalização eletrônica. Adriane Lopes barrou a proposta com base em parecer da Procuradoria Jurídica da Câmara, que apontou incompatibilidade do texto com a legislação federal de trânsito — especificamente o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que autoriza o uso de equipamentos eletrônicos para fiscalização sem as restrições propostas pelo projeto local.

Com a manutenção do veto, o sistema de câmeras segue operando normalmente em Campo Grande. Motoristas continuam sujeitos a autuações por excesso de velocidade, avanço de sinal vermelho e outras infrações captadas pelos equipamentos distribuídos em vias da capital.

Na mesma sessão, os vereadores aprovaram por unanimidade outro projeto: a criação da "Cidade da Copa" na Praça do Rádio Clube, espaço que receberá telões e estrutura de entretenimento durante o Mundial de Futebol de 2026.

Contexto e Histórico

O debate sobre câmeras de trânsito em Campo Grande não é novo. A capital sul-mato-grossense ampliou o sistema de videomonitoramento nos últimos anos, instalando equipamentos em cruzamentos, avenidas de grande fluxo e vias com histórico de acidentes. A justificativa oficial sempre foi a redução de sinistros e a melhoria da segurança viária.

Ocorre que, na prática, o volume de multas geradas pelo sistema cresceu junto com a expansão dos equipamentos. Dados do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS) e da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) mostram que as autuações eletrônicas representam parcela cada vez maior do total de infrações registradas na cidade. Esse crescimento alimentou a percepção, entre parte dos vereadores e da população, de que as câmeras servem mais para arrecadar do que para proteger.

O CTB, em seu artigo 280, autoriza expressamente o uso de equipamentos eletrônicos para registro de infrações. A competência para regulamentar o trânsito em vias urbanas é do município, mas dentro dos limites estabelecidos pela legislação federal. Foi exatamente esse ponto que o parecer jurídico explorou: o projeto aprovado pela Câmara extrapolava a competência municipal ao criar restrições não previstas no CTB.

A prefeita Adriane Lopes, do Progressistas, vetou o projeto em março. O veto foi encaminhado à Câmara para apreciação, e a sessão de terça-feira (7) foi o momento decisivo. Vereadores da base aliada da prefeita se mobilizaram para manter o veto, enquanto parlamentares da oposição e independentes tentaram articular votos para derrubá-lo.

O resultado — manutenção do veto — reflete o equilíbrio de forças na Câmara. A base de Adriane Lopes, embora não seja folgada, conseguiu reunir votos suficientes para impedir a derrubada. A articulação envolveu conversas nos bastidores ao longo da semana anterior à votação, com a participação direta de lideranças do PP e de partidos aliados.

Impacto Para a População

Para o motorista de Campo Grande, a decisão da Câmara tem consequência direta: as câmeras continuam operando e as multas seguem sendo aplicadas. Quem trafega pelas vias monitoradas precisa manter atenção redobrada aos limites de velocidade e à sinalização.

O impacto financeiro das multas de trânsito não é desprezível. Uma infração média por excesso de velocidade, por exemplo, custa R$ 195,23 ao motorista, além de quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Infrações graves e gravíssimas podem ultrapassar R$ 880,00 e resultar em suspensão do direito de dirigir.

Aspecto Situação após a votação
Câmeras de videomonitoramento Continuam operando normalmente
Multas por infrações captadas Seguem sendo aplicadas
Projeto restritivo Arquivado com manutenção do veto
Base legal CTB autoriza fiscalização eletrônica
Valor de multa média (velocidade) R$ 195,23 + 4 pontos na CNH
Multa gravíssima Até R$ 880,41 + 7 pontos

Para os defensores do sistema, a manutenção das câmeras preserva uma ferramenta que comprovadamente reduz acidentes em cruzamentos e vias de alta velocidade. Estudos de engenharia de tráfego apontam que a presença de equipamentos eletrônicos diminui em até 30% o número de colisões em pontos monitorados, segundo dados do Observatório Nacional de Segurança Viária.

Do lado oposto, moradores e motoristas que utilizam aplicativos de transporte reclamam que a fiscalização eletrônica penaliza desproporcionalmente quem depende do carro para trabalhar. Motoristas de aplicativo, entregadores e profissionais autônomos acumulam multas que comprometem a renda mensal — e, em casos extremos, levam à suspensão da habilitação, inviabilizando a atividade profissional.

A Agetran não divulgou, até o fechamento desta reportagem, dados atualizados sobre o volume total de multas geradas pelo sistema de câmeras em 2025 e no primeiro trimestre de 2026. A transparência sobre esses números é uma demanda recorrente de vereadores de diferentes bancadas.

O Que Dizem os Envolvidos

Vereadores que tentaram derrubar o veto não esconderam a frustração com o resultado. A tese central da oposição era de que o município transformou a fiscalização eletrônica em fonte de receita, sem contrapartida proporcional em investimentos de segurança viária.

"O campo-grandense paga multa atrás de multa, e a sinalização continua precária em dezenas de cruzamentos. A câmera não educa — ela pune. E pune quem menos pode pagar", afirmou um dos vereadores que votou pela derrubada do veto.

Do lado da base aliada, a defesa foi técnica. O argumento principal foi o parecer jurídico que apontava a inconstitucionalidade do projeto por invadir competência federal. Restringir o uso de câmeras em nível municipal, segundo essa interpretação, criaria conflito com o CTB e poderia ser derrubado judicialmente.

A prefeita Adriane Lopes não se pronunciou publicamente após a votação. Em nota divulgada quando do veto original, a prefeitura afirmou que "o videomonitoramento é instrumento legítimo de fiscalização previsto na legislação federal e contribui para a redução de acidentes na capital".

A Agetran, procurada pela reportagem, informou que o sistema de câmeras passa por manutenção periódica e que novos pontos de monitoramento estão em estudo para 2026, sem detalhar localização ou cronograma.

Próximos Passos

Com o veto mantido, o projeto restritivo está arquivado. Para que a questão volte à pauta, seria necessário um novo projeto de lei — o que não está descartado, segundo vereadores da oposição, que prometeram retomar o debate com texto reformulado que respeite os limites da competência municipal.

Na frente da Copa do Mundo, o projeto "Cidade da Copa" aprovado na mesma sessão segue para sanção da prefeita. A expectativa é que Adriane Lopes sancione rapidamente, dado que a proposta foi aprovada por unanimidade. A regulamentação — que definirá datas, custos e responsabilidades — ficará a cargo da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Sectur).

O Mundial de 2026, sediado por Estados Unidos, México e Canadá, terá jogos transmitidos em horários variados. A Praça do Rádio Clube, localizada na região central de Campo Grande, tem capacidade para receber milhares de pessoas e já foi palco de eventos públicos de grande porte. A estrutura prevista inclui telões de alta definição, praça de alimentação, palco para apresentações culturais e banheiros químicos.

A Câmara deve retomar a pauta ordinária na próxima semana, com projetos de urbanismo e saúde pública na fila de votação.

Fechamento

A sessão de terça-feira (7) na Câmara de Campo Grande sintetizou duas faces da política municipal: de um lado, o embate sobre fiscalização de trânsito e arrecadação; de outro, a unanimidade em torno de um projeto festivo ligado à Copa do Mundo. O veto mantido reforça a posição da prefeita Adriane Lopes e preserva o status quo da fiscalização eletrônica — pelo menos até que um novo projeto, com redação mais cuidadosa, tente novamente alterar as regras do jogo.

Para o motorista campo-grandense, o recado é claro: as câmeras ficam. E, com elas, a necessidade de atenção redobrada nas vias monitoradas da capital.


Fontes e Referências

  • Campo Grande News (campograndenews.com.br)
  • Código de Trânsito Brasileiro — Lei nº 9.503/1997
  • Câmara Municipal de Campo Grande (camara.ms.gov.br)
Câmara Campo Grandemultas de trânsitocâmerasvideomonitoramentoAdriane LopesvetoCidade da Copa
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Publicado em 8 de abril de 2026 às 00:00
Fonte: Campo Grande News (campograndenews.com.br)
RB
Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.

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