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Câmara de Campo Grande aprova novo Plano Diretor após 18 meses de debates

Documento define regras de uso do solo, zoneamento e expansão urbana da capital para os próximos 10 anos. Votação teve 20 votos favoráveis e 9 contrários.

Redação Bastidor Público25 de março de 20269 min de leituraCampo Grande1086 palavras
Vista aérea de Campo Grande ao pôr do sol — Foto: Prefeitura de CG/Divulgação
Vista aérea de Campo Grande ao pôr do sol — Foto: Prefeitura de CG/Divulgação

Câmara aprova novo Plano Diretor de Campo Grande

A Câmara Municipal de Campo Grande aprovou na terça-feira (24) o novo Plano Diretor da capital, após 18 meses de debates, 23 audiências públicas e negociações intensas entre vereadores, setor imobiliário e movimentos sociais. A votação registrou 20 votos favoráveis e 9 contrários.

O documento, que substitui o plano vigente desde 2006, define as regras de uso e ocupação do solo, zoneamento urbano e diretrizes de expansão para os próximos 10 anos. A expectativa é que o novo plano induza um ciclo de investimentos imobiliários estimado em R$ 4,5 bilhões na capital.

O Que Muda

As principais alterações em relação ao plano anterior são significativas e refletem a transformação urbana pretendida:

Parâmetro Plano 2006 Novo Plano 2026 Variação
Gabarito máximo (corredores de transporte) 15 andares 25 andares +67%
Zonas Especiais de Interesse Social 2 regiões 5 regiões +150%
Exigência de estudo de impacto > 10.000 m² > 5.000 m² -50% do limiar
Área de proteção ambiental urbana 1.200 ha 2.800 ha +133%
Taxa mínima de permeabilidade 15% 25% +10 p.p.
Vagas de estacionamento (centro) 1 por 50m² 1 por 100m² -50%

Além das mudanças nos parâmetros urbanísticos, o novo plano cria o conceito de "Eixos de Desenvolvimento Orientado ao Transporte" (DOT), incentivando construções de maior densidade ao longo dos corredores de ônibus existentes e planejados.

Impacto no Bolso do Cidadão

O novo Plano Diretor terá reflexos diretos no custo de vida e no patrimônio dos campo-grandenses:

  • Valorização imobiliária: terrenos nos corredores de transporte devem valorizar entre 30% e 50% nos próximos 3 anos, segundo estimativas do Sinduscon-MS. Um terreno de 300m² na Av. Afonso Pena, avaliado hoje em R$ 450 mil, pode chegar a R$ 675 mil
  • IPTU: a revisão da Planta Genérica de Valores, prevista para acompanhar o novo plano, pode aumentar o IPTU em bairros valorizados em até 25%. Para um imóvel com IPTU atual de R$ 2.400/ano, o reajuste representaria R$ 600 a mais por ano
  • Aluguel: nas zonas de adensamento, a construção de mais unidades habitacionais tende a estabilizar ou reduzir o preço do aluguel no médio prazo. O déficit habitacional de Campo Grande é de 18 mil unidades
  • Trânsito: a redução de vagas de estacionamento no centro visa desincentivar o uso do carro individual, o que pode gerar economia de R$ 3.200/ano por família que migrar para o transporte público (considerando combustível e estacionamento)

Contexto

O processo de elaboração do novo Plano Diretor teve início em setembro de 2024 e foi marcado por disputas entre três grupos de interesse: o setor imobiliário, que defendia maior liberalização dos parâmetros construtivos; os movimentos de moradia popular, que reivindicavam mais zonas de habitação social; e os ambientalistas, que buscavam ampliar as áreas de proteção.

O texto final representa um compromisso entre essas posições. O setor imobiliário conseguiu o aumento do gabarito nos corredores, mas precisou aceitar a taxa de permeabilidade de 25% e os estudos de impacto para empreendimentos menores. Os movimentos sociais triplicaram as zonas de interesse social, e os ambientalistas mais que dobraram as áreas protegidas.

A participação popular nas audiências foi considerada baixa: em média 120 pessoas por sessão, em uma cidade de 916 mil habitantes. Organizações da sociedade civil questionaram a metodologia e os horários das audiências, realizadas em dias úteis durante o expediente.

O Que Dizem as Partes

O presidente do Sinduscon-MS celebrou a aprovação: "O novo plano dá previsibilidade ao mercado e vai destravar R$ 4,5 bilhões em investimentos nos próximos 5 anos. Campo Grande pode se tornar referência em desenvolvimento urbano sustentável no Centro-Oeste".

O coordenador do Movimento Sem-Teto de MS apresentou ressalvas: "Conseguimos ampliar as ZEIS, mas a efetivação depende de regulamentação e de orçamento. Sem recursos para desapropriação e construção, as zonas ficarão no papel".

O vereador líder dos votos contrários argumentou que "o plano beneficia desproporcionalmente o grande capital imobiliário em detrimento dos bairros tradicionais, que perderão suas características com a verticalização".

Análise do Bastidor Público

O novo Plano Diretor é um avanço em relação ao documento de 2006, que estava claramente defasado para uma cidade que dobrou de tamanho em 20 anos. O conceito de DOT (Desenvolvimento Orientado ao Transporte) é bem fundamentado e alinha Campo Grande com tendências urbanísticas globais.

O maior risco é a implementação. A prefeitura terá 12 meses para adequar a legislação complementar (Código de Obras e Lei de Uso do Solo), um prazo apertado considerando a complexidade técnica envolvida. Se as normas complementares não acompanharem o novo plano, a insegurança jurídica pode travar os investimentos esperados.

A baixa participação popular nas audiências é preocupante e sugere que o debate ficou restrito a grupos organizados. A prefeitura deveria investir em ferramentas digitais de participação para os próximos processos de planejamento urbano.

Próximos Passos

  • Sanção do prefeito: prevista para os próximos 15 dias
  • Adequação do Código de Obras: prazo de 12 meses
  • Revisão da Planta Genérica de Valores: segundo semestre de 2026
  • Regulamentação das ZEIS: 6 meses após sanção
  • Primeira revisão do Plano Diretor: 2031

Perguntas Frequentes

O que muda com o novo Plano Diretor de Campo Grande?

As principais mudanças incluem: permissão para edifícios de até 25 andares em corredores de transporte (antes 15), criação de 5 Zonas Especiais de Interesse Social (antes 2), obrigatoriedade de estudo de impacto para empreendimentos acima de 5 mil m² (antes 10 mil), ampliação das áreas de proteção ambiental de 1.200 para 2.800 hectares, e aumento da taxa de permeabilidade de 15% para 25%.

Quando o novo Plano Diretor entra em vigor?

O plano entra em vigor após sanção do prefeito, prevista para os próximos 15 dias. A legislação complementar (Código de Obras e Lei de Uso do Solo) deve ser atualizada em até 12 meses. Empreendimentos já aprovados seguem as regras anteriores. A Planta Genérica de Valores será revisada no segundo semestre de 2026.

Como o Plano Diretor afeta o mercado imobiliário de Campo Grande?

O setor ganha flexibilidade para construir em altura nos corredores de transporte, estimulando investimentos de R$ 4,5 bilhões. Terrenos nessas áreas devem valorizar entre 30% e 50% em 3 anos. A redução de vagas de estacionamento obrigatórias no centro e o conceito de DOT incentivam projetos mais compactos e verticais. Por outro lado, a obrigatoriedade de estudos de impacto para empreendimentos menores pode aumentar prazos e custos para incorporadoras.

O IPTU vai aumentar com o novo Plano Diretor?

A revisão da Planta Genérica de Valores, prevista para acompanhar o novo plano, pode resultar em aumento do IPTU em bairros que serão valorizados pelas novas regras de zoneamento. A estimativa é de reajuste de até 25% em zonas de adensamento. Em bairros residenciais tradicionais que mantiveram suas características, o impacto tende a ser menor. A prefeitura ainda não definiu se haverá compensação ou isenção para moradores de baixa renda.


Fontes: Câmara Municipal de Campo Grande (Projeto de Lei Complementar nº 289/2024), Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, Sinduscon-MS, Movimento Sem-Teto de MS, IBGE (estimativa populacional 2026)

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Atualizado em 26 de março de 2026 às 00:00
Fonte: Câmara Municipal de Campo Grande
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Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.

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