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Vendaval de 110 km/h derruba 6 torres de energia em Maracaju e deixa 7 cidades sem luz em MS

Força-tarefa com mais de 100 técnicos da Energisa e Defesa Civil atua na reconstrução de torres de transmissão em Maracaju após apagão no interior de MS.

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Por Redação Bastidor Público
Publicado em 7 de novembro de 2026 às 00:00
Maracaju7 min de leitura
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Equipes técnicas da Energisa e Defesa Civil de MS atuam na reconstrução de linhas de alta tensão em Maracaju após vendaval de 110 km/h — Imagem criada por inteligência artificial.
Equipes técnicas da Energisa e Defesa Civil de MS atuam na reconstrução de linhas de alta tensão em Maracaju após vendaval de 110 km/h — Imagem criada por inteligência artificial.

Um temporal severo acompanhado por rajadas de vento que atingiram 110 km/h provocou a queda de seis torres de transmissão de energia de alta tensão na zona rural de Maracaju, a cerca de 160 quilômetros de Campo Grande. O incidente causou o desabastecimento elétrico generalizado em sete municípios da região sudoeste e do Pantanal sul-mato-grossense, além do distrito de Vista Alegre. O impacto da interrupção mobilizou uma força-tarefa de emergência composta por mais de 100 técnicos e engenheiros da concessionária Energisa Mato Grosso do Sul, em cooperação direta com a Defesa Civil Estadual e o Corpo de Bombeiros Militar.

A violência meteorológica ocorreu em um dos principais eixos agrícolas do estado, onde o avanço do plantio da safra de soja dependia da regularidade das precipitações, mas foi surpreendido por ventos destrutivos gerados pelo choque entre uma massa de ar quente e o avanço rápido de uma frente fria associada a um ciclone extratropical no Sul do país. As estruturas de aço treliçado de 138 kV, responsáveis por alimentar subestações regionais, foram retorcidas e tombaram sobre lavouras, partindo cabos condutores e interrompendo o fluxo tronco de eletricidade.

Diante da gravidade da ocorrência, o Governo do Estado convocou uma reunião extraordinária do Centro Integrado de Comando e Controle Operacional (CICOE-MS). O comitê de crise estabeleceu como prioridade absoluta o envio de geradores móveis para hospitais, postos de saúde, unidades de tratamento de água e sistemas de segurança pública, enquanto as equipes de campo trabalham em ritmo ininterrupto para erguer estruturas modulares provisórias em meio à lama e ao solo encharcado.

A força do temporal em Maracaju e o colapso das torres de alta tensão

O evento climático extremo teve início com a formação de uma frente de rajada (gust front) de rápida propagação sobre o planalto de Maracaju. Medições registradas por estações agrometeorológicas do interior apontaram que a velocidade dos ventos saltou de 25 km/h para mais de 110 km/h em um intervalo inferior a dez minutos, gerando pressão dinâmica muito superior à resistência nominal calculada para as estruturas treliçadas de linhas de subtransmissão.

O colapso ocorreu em efeito dominó: a primeira torre cedeu sob a força da turbulência aerodinâmica e o arrasto dos cabos condutores esticados, puxando sucessivamente outras cinco torres adjacentes ao longo de uma extensão de mais de dois quilômetros em área de terra roxa. O impacto no solo provocou curto-circuitos de alta potência e o desarme automático dos sistemas de proteção nas subestações de Maracaju e Jardim, isolando o circuito regional do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Técnicos especializados que inspecionaram o local constataram que as sapatas de concreto armado permaneceram fincadas, mas o perfil metálico intermediário sofreu cisalhamento e torção plástica irreversível. A violência do vento arrancou isoladores de porcelana e arremessou ferragens a dezenas de metros, demonstrando a intensidade de um fenômeno que meteorologistas classificam como microexplosão atmosférica (downburst).

Municípios afetados, plano de contingência e geradores em hospitais

A queda das seis torres desabasteceu de forma simultânea as cidades de Maracaju, Jardim, Guia Lopes da Laguna, Nioaque, Bela Vista, Caracol e Porto Murtinho. Mais de 65 mil residências, comércios e propriedades rurais ficaram sem eletricidade, afetando o funcionamento de redes de telefonia celular, postos de combustíveis e estações de bombeamento de água da Sanesul.

Para mitigar o risco sanitário e proteger vidas, a concessionária e a Defesa Civil deflagraram imediatamente o Plano de Atendimento a Contingências Críticas. Caminhões transportando geradores a diesel de alta capacidade foram escoltados pela Polícia Militar e pela Polícia Rodoviária Estadual até os hospitais municipais de Maracaju e Jardim, assegurando que centros cirúrgicos, UTIs e salas de estabilização operassem sem descontinuidade.

Município Impactado Unidades Consumidoras Sem Luz Equipamentos Críticos em Operação Previsão de Normalização Parcial
Maracaju 22.400 unidades Hospital Municipal e 4 geradores móveis Manobras de subestação local em curso
Jardim 14.100 unidades Hospital Marechal Rondon com gerador dedicado Linha provisória de 34,5 kV em teste
Guia Lopes da Laguna 6.800 unidades Posto de Saúde Central e Poços Sanesul Alimentação parcial por circuito alternativo
Nioaque 8.200 unidades Hospital Municipal e sistemas de rádio Conexão emergencial via Aquidauana
Bela Vista e Caracol 9.500 unidades Unidades Mistas de Saúde Geradores móveis e restauração gradual
Porto Murtinho 4.800 unidades Hospital e instalações portuárias fluviais Manobra de rede via subestação pantaneira

No setor produtivo, armazéns de grãos e cooperativas agropecuárias precisaram acionar geradores privados para manter a aeração de toneladas de milho e soja armazenadas em silos verticais, além de garantir a refrigeração de laticínios e carnes em frigoríficos da região. A interrupção súbita expõe a vulnerabilidade das redes aéreas de distribuição frente a fenômenos meteorológicos extremos que se tornam cada vez mais frequentes no estado.

Mobilização da força-tarefa da Energisa e do Centro Integrado CICOE-MS

A operação de reconstrução envolve um esforço logístico sem precedentes no interior de Mato Grosso do Sul. Mais de 100 eletricistas de linha viva, montadores de torres, operadores de máquinas pesadas e engenheiros de subestações foram deslocados de outras regiões do estado, incluindo polos como Campo Grande, Dourados e Três Lagoas, para concentrar esforços nos canteiros rurais de Maracaju.

A concessionária mobilizou carretas prancha carregadas com estruturas metálicas modulares de montagem rápida (conhecidas como torres de emergência), guindastes com capacidade para até 50 toneladas e caminhões com cesto aéreo tracionados em 4x4 para conseguir navegar pelo solo argiloso molhado pelas chuvas. A lama densa representou um obstáculo severo, exigindo que tratores agrícolas cedidos por produtores locais auxiliassem no reboque de caminhões de materiais pesados até o traçado exato das linhas.

O Centro Integrado de Comando e Controle Operacional (CICOE-MS), sediado em Campo Grande, monitora em tempo real o envio de combustíveis para os geradores, os estoques de água potável nos reservatórios municipais e as rotas de socorro médico caso haja necessidade de transferência aérea de pacientes pelo Corpo de Bombeiros. A coordenação unificada garante que as demandas mais urgentes de cada prefeitura sejam atendidas antes mesmo do fechamento total dos circuitos de alta tensão.

Ao mesmo tempo, as equipes de engenharia realizam manobras complexas de chaveamento telecomandado, buscando redistribuir cargas a partir de subestações vizinhas situadas em Dourados e Aquidauana, reduzindo gradualmente a quantidade de residências totalmente desprovidas de luz enquanto a obra física definitiva avança no campo.

Formação de ciclone extratropical e alerta laranja do Inmet para todo o estado

O colapso da infraestrutura energética ocorre sob um quadro meteorológico adverso que exige atenção redobrada de toda a população de Mato Grosso do Sul. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec-MS) emitiram alerta laranja de perigo para temporais severos válido para os 79 municípios sul-mato-grossenses ao longo de todo o fim de semana.

A instabilidade é alimentada pela formação e deslocamento de um ciclone extratropical na costa da Região Sul do Brasil, cuja frente fria associada organiza um canal de umidade que cruza o Paraguai e penetra com intensidade sobre Mato Grosso do Sul. O sistema gera risco contínuo de chuvas com acumulados de até 100 milímetros ao dia, queda de granizo de médio diâmetro e novas rajadas de vento entre 80 km/h e 100 km/h.

As autoridades de trânsito e defesa civil alertam para os perigos de tráfego em rodovias estratégicas como a BR-262, BR-163 e MS-162, onde árvores caídas e postes rompidos demandam cautela máxima dos motoristas. O cenário de instabilidade reforça o alerta para comunidades ribeirinhas e rurais que já enfrentam desafios de logística e navegação no interior, reiterando que a população evite se abrigar sob árvores ou estruturas metálicas vulneráveis durante as tempestades.

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Fonte: Energisa Mato Grosso do Sul / CICOE-MS
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Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.