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Câmara de Campo Grande marca audiência sobre terceirização da saúde pública

Comissão de Saúde da Câmara Municipal convoca audiência pública para 9 de abril para discutir terceirização de unidades de saúde na capital.

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Por Redação Bastidor Público
Publicado em 1 de abril de 2026 às 00:00
Campo Grande8 min de leitura
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Câmara de Campo Grande marca audiência sobre terceirização da saúde pública

A Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal de Campo Grande convocou uma audiência pública para o dia 9 de abril de 2026, às 14h, para discutir a terceirização de unidades de saúde na capital sul-mato-grossense. O tema é um dos mais polêmicos da agenda municipal e divide opiniões entre gestores, profissionais de saúde, sindicatos e a população.

A convocação foi registrada pelo Capital News e consta na pauta oficial da Câmara Municipal. A audiência acontecerá no plenário da Casa e será aberta à participação popular.

O que está em discussão

A terceirização da saúde pública em Campo Grande não é novidade — diversas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e postos de saúde já operam com gestão terceirizada por Organizações Sociais (OS) e empresas privadas. O debate que a Câmara propõe é sobre a ampliação desse modelo para outras unidades da rede municipal.

Os defensores da terceirização argumentam que o modelo permite maior flexibilidade na contratação de profissionais, reduz a burocracia trabalhista e pode melhorar a eficiência do atendimento. Os críticos, por outro lado, apontam que a terceirização precariza o trabalho dos profissionais de saúde, dificulta a fiscalização e transfere dinheiro público para empresas privadas sem garantia de melhoria nos serviços.

O debate ganha relevância no contexto dos processos seletivos temporários abertos pela prefeitura (1.161 vagas), que evidenciam a dificuldade do município em manter quadros permanentes de servidores. A terceirização é frequentemente apresentada como "solução" para o deficit de pessoal, embora gere outros problemas.

O modelo de terceirização na saúde

Em Campo Grande, a terceirização na saúde segue basicamente dois modelos:

Organizações Sociais (OS): entidades sem fins lucrativos que celebram contrato de gestão com a prefeitura para administrar unidades de saúde. O poder público repassa recursos e a OS é responsável pela contratação de pessoal e pela operação da unidade.

Empresas privadas (terceirização direta): empresas contratadas por licitação para fornecer profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, técnicos) que atuam nas unidades municipais. O vínculo trabalhista é com a empresa, não com a prefeitura.

Modelo Vantagem alegada Risco identificado
Organização Social Flexibilidade, agilidade Dificuldade de fiscalização, desvios
Terceirização direta Rapidez na contratação Precarização, rotatividade alta
Concurso público Estabilidade, qualidade Custo previdenciário, burocracia

O que dizem os atores envolvidos

Prefeitura: Defende a terceirização como mecanismo para suprir deficit de pessoal e melhorar a eficiência do atendimento. Argumenta que o modelo permite contratar e demitir com mais agilidade conforme a demanda.

Sindicatos: Se opõem à ampliação da terceirização, argumentando que o modelo precariza as relações de trabalho, reduz salários e benefícios dos profissionais e enfraquece o vínculo com a população atendida.

Profissionais de saúde: Relatam que nas unidades terceirizadas há rotatividade alta de pessoal, o que prejudica o acompanhamento de pacientes crônicos e a continuidade do cuidado.

Ministério Público: Tem monitorado a situação e, em outros estados, já questionou judicialmente a expansão da terceirização na saúde quando há indícios de precarização ou desvio de finalidade.

Consequências para o cidadão

A terceirização pode melhorar ou piorar o atendimento — depende da fiscalização e do contrato celebrado. Terceirizar não necessariamente reduz custos — empresas e OS precisam gerar margem, o que pode tornar o modelo mais caro que o concurso público no longo prazo.

A rotatividade de profissionais em unidades terceirizadas pode afetar o acesso de pacientes a médicos especialistas e ao acompanhamento contínuo. Contratos de gestão com OS precisam de fiscalização rigorosa para evitar desvios — a Câmara e o TCE-MS são responsáveis por esse controle.

A terceirização pode reduzir a geração de empregos públicos diretos com plano de carreira, afetando a atratividade da profissão no município. O cidadão campo-grandense deve participar da audiência do dia 9 de abril e questionar: qual o custo total da terceirização comparado ao concurso público? Quais metas de qualidade serão exigidas das OS e empresas? Quem fiscaliza os contratos?

O relatório da Comissão de Saúde está previsto para abril/maio de 2026, podendo resultar em projeto de lei regulamentando a terceirização.

Fonte: Capital News, Câmara Municipal de Campo Grande, Prefeitura de Campo Grande

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Fonte: Capital News, Câmara Municipal de Campo Grande
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